BC pede para governo concentrar programas de auxílio nas empresas

Paulo Amaral
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Crédito: Agência Senado

Roberto Campos Neto, presidente do Banco Central, fez um comentário em tom aconselhador para o governo. Segundo o executivo do BC, chegou a hora de concentra esforços nas empresas.

Na visão de Campos Neto, o governo cumpriu seu papel com os programas de auxílio voltados às pessoas físicas e, agora, precisa aplicar medidas similares voltadas ao alívio dos efeitos da pandemia do novo coronavírus na economia.

“A gente vê que tem uma recuperação muito grande que nos dá a entender que o governo deveria pensar agora, talvez, em fazer mais programas para pessoas jurídicas do que pessoas físicas E eu acho que isso é o que temos feito recentemente”, disse.

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Segundo o executivo, o Brasil está entre os países emergentes que mais gastaram durante a pandemia da Covid-19 e, ao lado da África do Sul, foi o que mais fez transferência para pessoas físicas do que jurídicas.

“Isso tem algumas implicações e, no Brasil, teve outro fator que foi voltado para renda baixa que teve recomposição de renda bem acima de 100%”, pontuou.

Desemprego justifica preocupação do BC

A preocupação de Campos Neto se justifica. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), o Brasil alcançou, no fim de setembro, recorde em número de desempregados (13,5 milhões), além de ter visto a taxa de desemprego bater em 14%.

O Siga Brasil, ferramenta do Senado, apontou que dos R$ 469,8 bilhões gastos pelo governo no orçamento, 48,74% (R$ 228,8 bi) foram destinados ao auxílio emergencial.

O Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Pronampe) também contou com a ajuda do governo e, nas duas fases executadas desde o início da pandemia, já recebeu empréstimos de R$ 30,7 bilhões (R$ 18,7 bi na primeira e R$ 12 bi na segunda).

Campos Neto pede respeito ao teto de gastos

A participação do presidente do BC no evento online também abordou a preocupação do executivo com o teto de gastos.

Segundo Campos Neto, a manutenção do regime fiscal é fundamental para o equilíbrio e a retomada da economia do País, e isso inclui justamente o respeito ao teto e à trajetória da dívida.

“O teto foi feito para manter a trajetória de dívida equilibrada. Se eu faço de uma forma que atende um e não atende o outro, entendemos que não é coerente”, argumentou.

“Entendíamos que precisávamos passar essa comunicação de que estamos olhando o teto, mas que obviamente qualquer forma criativa de ficar dentro do teto, piorando a trajetória dívida, nós também vamos considerar um rompimento do equilíbrio fiscal”, finalizou.

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