BC descarta quebradeira de bancos em meio à crise da pandemia

Marcello Sigwalt
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Crédito: Site Folha SP

Está descartada, até o momento, a possibilidade de quebra dos bancos no Brasil, garantiu, nesta segunda-feira (23), o presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, ao comentar os efeitos econômicos da pandemia global no país.

Palavra ‘tranquilizadora’

Para tranquilizar o mercado, durante entrevista coletiva virtual, Campos Neto argumentou que a crise atual é “diferente daquela ocorrida em 2008 e 2009, quando dezenas de instituições financeiras quebraram ou foram absorvidas por outras em todo o mundo”.

O  presidente do BC disse, ainda, que “em 2008, a incerteza era se o banco ia quebrar ou não. Agora, não falamos disso”.

Índice de Basileia

Ao citar o chamado Índice de Basileia (quanto de capital o banco possui em relação aos recursos empregados), Campos Neto avalia que “as instituições financeiras brasileiras têm ‘bastante folga’”.

Também criado para inibir a chamada “alavancagem bancária”, o índice citado estabelece um mínimo de 8% – de cada R$ 100 emprestados, o banco deve ter R$ 8.

De acordo com o BC, na média, o índice do sistema financeiro nacional era de 17,12% em março desse ano, ao passo que em igual mês de 2009, este ficou em 18,13%.

Capital ‘sobrando’

Campos Neto observa, também, que o sistema financeiro do país encontra-se “bem provisionado, com boa liquidez e capital sobrando”.

FGC

No entanto, para garantir a liquidez existente, a autarquia anunciou, também nesta segunda-feira, a possibilidade de captação de recursos, pelos bancos, de depósito a prazo com garantia especial do Fundo Garantidor de Crédito (FGC).

Formado por contribuições obrigatórias das instituições financeiras, o FGV tem limite de captação de R$ 20 milhões por operação, em que o valor captado correspondente ao patrimônio líquido pode ir até R$ 2 bilhões, por conglomerado.

Instrumento preventivo

“Trata-se de um instrumento preventivo que atende aos pequenos e médios bancos”, justifica Campos Neto, ao acrescentar que o BC estuda uma alternativa de direcionar crédito a setores específicos, sem citá-los.

Acompanhando o presidente da autarquia, o diretor de Política Monetária da instituição, Bruno Serra, garante que “vai haver liquidez para todo o sistema”.


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