BC revisa projeção de inflação de 2020 para 4,3% em relatório de inflação

Marcia Furlan
Jornalista com mais de 30 anos de experiência. Trabalhou na Editora Abril e Agência Estado, do Grupo Estado, como repórter e editora de Economia, Política, Negócios e Mercado de Capitais. Possui MBA em Mercado de Derivativos pela FIA.
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Crédito: Divulgação/Banco Central

O Banco Central (BC) revisou as projeções para a inflação em 2020, 2021 e 2022 no Relatório Trimestral de Inflação (RTI), divulgado nesta quinta-feira (17).

O IPCA esperado para o fechamento de 2020 ficou em 4,3%. E para 2021 e 2022, 3,4%. As projeções consideram uma taxa de juros Selic de 2% ao ano nesse ano, subindo para 3% ao ano em 2021 e 4,5% em 2022.

No último RTI, de setembro, as projeções eram de 2,1% em 2020; 3% em 2021 e 3,80% em 2022.

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Os dados levam em conta uma projeção de inflação pelo IPCA em dezembro de 1,09%. Para janeiro a estimativa é de 0,27% e em fevereiro, 0,36%.

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Segundo o documento, a alta da inflação esperada para dezembro reflete “fatores idiossincráticos”, como a bandeira tarifária de energia e a coleta extraordinária de preços de mensalidades escolares. Esses itens se somam ao fator sazonal do mês e à pressão que persiste em alguns alimentos e bens industriais.

Já para o início do ano, o BC acha que a inflação perde força em razão do patamar mais favorável de bandeira tarifária e acomodação dos preços dos alimentos, ainda que em patamar elevado.

O relatório afirma que indicadores de alta frequência já mostram recuo de diversos preços agropecuários ao produtor e continuidade da pressão sobre bens industriais no curto prazo. Também prevê alta mais forte em preços administrados, como os derivados de petróleo e planos de saúde.

Segundo o BC, a inflação ao consumidor surpreendeu no trimestre encerrado em novembro, ao ficar 1,44 p.p. acima do cenário básico apresentado no RTI de setembro. A “surpresa inflacionária” no período foi concentrada, principalmente, em alimentação no domicílio, refletindo choque que se mostrou mais forte, persistente e abrangente do que se via em setembro.

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Houve também altas mais fortes que as antecipadas para bens industriais, em particular artigos de residência e de vestuário, e para preços administrados, com destaque para gasolina.

Além disso, os preços de commodities foram maiores que os considerados no cenário e o real, em média, se mostrou mais depreciado.

Apesar dessa alta, o BC diz que “diversas medidas de inflação subjacente estão em níveis compatíveis com o cumprimento da meta para a inflação no horizonte relevante para a política monetária”.

PIB

Com relação às previsões para o PIB, o RTI revisou a contração esperada para 2020 de 5% em setembro para 4,4% agora. Para 2021, crescimento do PIB passou de 3,9% para 3,8%. Segundo o documento, “a perspectiva está condicionada à continuidade do processo de reformas e ajustes necessários na economia brasileira, condição essencial para permitir a recuperação sustentável da economia”.

A revisão de 2020, segundo o Banco Central, leva em conta a continuidade da recuperação da atividade econômica no quarto trimestre, em ritmo mais alto que o previsto anteriormente.

No âmbito da oferta, a previsão para a variação anual da agropecuária passou de 1,3% para 2,3%; a projeção para o desempenho da atividade industrial passou de -4,7% para -3,6%; a variação da atividade do setor de serviços foi revisada de -5,2% para -4,8%; e a estimativa para a variação do consumo das famílias passou de -4,6% para -6,0%.

Crédito

Para o crédito, a projeção de crescimento do saldo das operações do SFN em 2020 foi elevada de 11,5%, do relatório do BC de setembro para 15,6%. O aumento decorre tanto da demanda acentuada de crédito das empresas como pela recuperação do crédito às famílias, em especial no segmento com recursos livres.

Nos financiamentos às empresas com recursos livres, o ajuste na projeção de 2020 para 23,0% – ante 20% anteriormente – decorreu das condições mais acessíveis de financiamento, com destaque para os baixos níveis das taxas de juros.

Nos empréstimos com recursos direcionados, projeta-se expansão de 22,0% no ano (ante 11%), refletindo o desempenho acima do esperado dos programas emergenciais de crédito a empresas.

No segmento de pessoas físicas com recursos livres, a projeção para a expansão foi para 10,0% (6,5% antes).

Para 2021, a projeção de crescimento do estoque de crédito foi elevada de 7,3% para 7,8%, ajustando-se os crescimentos esperados para os segmentos, considerando a evolução da atividade econômica e o fim dos programas emergenciais de crédito.

 

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