BC afirma que pandemia derrubou rentabilidade dos bancos em 2020

Victória Anhesini
Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie
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Crédito: Divulgação/BC

O Banco Central (BC) divulgou nesta segunda-feira (7) o Relatório de Economia Bancária de 2020. De acordo com a pesquisa, a pandemia derrubou a rentabilidade dos bancos ao menor patamar em pelo menos dez anos.

O BC aponta que isso ocorreu por conta das instituições aumentarem suas despesas com provisões. Ainda, destacou que mesmo com o aumento das incertezas, a perspectiva é de melhora este ano.

“A queda da rentabilidade foi generalizada, afetando bancos de diferentes tipos de controle, porte e segmento de atividade”, registrou o relatório.

Em dezembro de 2020, o retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) do sistema bancário foi de 11,5%. O valor foi o menor da série histórica do BC, que começou em dezembro de 2010. Além disso, no ano anterior, o BC havia reportado um ROE de 16,5% para dezembro de 2019.

De acordo com o BC, em 2020, as despesas dos bancos com a Provisão para Crédito de Liquidação Duvidosa saltaram 30% sobre 2019. No mesmo período, as receitas com serviços desaceleraram com a menor atividade econômica, crescendo 2,3% depois de uma alta de 6,7% no ano anterior.

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Conforme o relatório, a rentabilidade dos bancos privados, instituições que tiveram aumento mais expressivo nas despesas com provisões, caiu mais do que a dos públicos no período. Em comparação que leva em conta o porte dos bancos, a queda foi similar entre os bancos grandes e médios. Estes, apesar de serem tradicionalmente mais rentáveis, também tiveram queda similar aos pequenos e micros.

Para 2021, o BC espera uma recuperação da rentabilidade. A estimativa vem apesar do que foi apontado como um “aumento da incerteza decorrente da pandemia”.

Concentração dos bancos

Conforme o relatório, houve uma redução da concentração do Sistema Financeiro Nacional.
A queda da fatia de mercado do Banco do Brasil, Caixa e BNDES a partir de 2019 foi um fator “importante” nesse processo.

Os cinco maiores bancos, Itaú, Bradesco, Santander, BB e Caixa, responderam por 77,6% do total de ativos do sistema financeiro em dezembro de 2020, ante 81% um ano antes.

A concentração dos depósitos totais nessas instituições caiu para 79,1%, ante 83,4% em dezembro de 2019, enquanto no crédito passou a 81,8%, de 83,7%.

BC

De acordo com o BC, a redução da concentração verificada desde 2018 ocorreu “a despeito de, nesse período, ter havido onze atos de concentração envolvendo instituições financeiras. A aquisição de 49,9% da XP Investimentos pelo Itaú-Unibanco é o caso mais relevante”.

Por fim, o BC também chamou a atenção para a redução da parcela de mercado dos bancos públicos. O BB, CEF e BNDES foram de 41,3% dos ativos totais em 2018 para 37,5% em 2020. O movimento pontua que se deu em parte com aumento da participação de instituições que não estão entre as cinco maiores, “o que contribui para o incremento das condições concorrenciais”.

*Com Agência Reuters