Banco do Brasil (BBAS3) tem queda de 20,1% no lucro no 1TRI20

Felipe Moreira
Especialista em Mercado de Capitais e Derivativos pela PUC - Minas, com mais de 7 anos de vivência no mercado financeiro e de capitais. Apaixonado por educação financeira e investimentos.
1

Crédito: Reprodução/Wikimedia

O Banco do Brasil (BBAS3) reportou um lucro líquido ajustado de R$ 3,395 bilhões no primeiro trimestre de 2020, uma redução de 20,1% em comparação com o mesmo trimestre do ano passado.

A provisão para créditos de liquidação duvidosa (PCLD) ampliada atingiu R$ 5,539 bilhões no primeiro trimestre, alta de 57,1% em comparação com primeiro trimestre de 2019.

O aumento significativo das provisões foi um movimento experimentado pelos grandes bancos brasileiros em meio a pandemia de coronavírus. Essa decisão teve impacto negativo nos resultado do Banco do Brasil e demais bancos.

BDRs| Confira os papéis disponíveis para Investimentos

A margem financeira líquida atingiu R$ 8,466 bilhões, queda de 9,5%.

O retorno sobre o patrimônio líquido (RSPL) foi de 12,5% no período.

O banco explica que “em virtude do cenário desafiador para todo o sistema, o resultado do trimestre foi impactado pela antecipação prudencial que resultou no reforço de provisões em R$ 2,0 bilhões”.

A geração de negócios cresceu 15,4% no primeiro trimestre.

Segundo o Banco do Brasil, esse avanço foi influenciado principalmente pelo crescimento da carteira de crédito e o incremento nas rendas com prestação de serviços.

Fonte: Banco do Brasil

Receita avança 4%

A receita com prestação de serviços atingiu R$ 7,1 bilhões, aumento de 4%.

O banco atribuiu o resultado “a evolução da estratégia digital e melhor experiência docliente, com a oferta de produtos e serviços modernos e adequados ao perfile necessidades de cada cliente”.

A margem financeira bruta cresceu 9,9%, para 14 bilhões.

As despesas administrativas somaram R$ 7,770 bilhões no período, um aumento de 2,7%.

De acordo com o Banco do Brasil, a redução é fruto da melhora da eficiência operacional e produtividade.

A margem de contribuição foi de R$ 14,445 bilhões, uma redução de 3,5%.

Carteira de crédito sobe 4,2%

A carteira de crédito somou R$ 619 bilhões no trimestre, um aumento de 4,2% em relação ao mesmo período de 2019.

A carteira de crédito negócios varejo cresceu 10,5% no mesmo período, para R$ 26,5 bilhões, fruto do desempenho positivo do segmento PF (R$ 19,4 bilhões), com destaque para crédito consignado (R$ 11,9 bilhões) e dos negócios com clientes MPME (R$ 7,1 bilhões), com destaque para capital de giro (+R$ 6,3 bilhões).

A carteira rural totalizou R$ 173,3 bilhões, desempenho superior em 2,5% na comparação com o primeiro trimestre do ano passado. Destaque para o investimento agropecuário que cresceu 23,9%, para R$ 3,6 bilhões.

Fonte: Banco do Brasil

BB suspende projeções

O Banco do Brasil suspendeu as projeções para este ano, divulgada por meio de fato relevante em 13 de março.

Segundo o banco, a suspensão aconteceu por causa da alta volatilidade e incertezas derivadas do coronavírus, que tem demandado atualizações frequentes de cenários e de premissas, dificultando a formulação de estimativas acuradas.

No pregão de ontem (6), a ação do Banco do Brasil (BBAS3) recuou 2,91%, fechando a R$ 26,99.

TÁ E AÍ

De acordo com a XP Investimentos, o resultAdo reportado pelo Banco do Brasil veio 21% abaixo das estimativas da gestora, e 25% abaixo das estimativas de mercado e com um retorno sob patrimônio líquido de 12,3% frente os 16,9% em 2019.

A queda foi principalmente derivada de maiores custos de crédito que vieram em R$ 5,5 bilhões ante os R$ 3 bilhões no 4T19 e os R$ 3,1 bilhões no 1T19, além de uma maior taxa efetiva de imposto em 25%, ante os cerca de 16% no 4T19 e 1T19.

Conforme a gestora, o resultado, desconsiderando imposto e provisões, veio 16% maior anualmente e 10% maior trimestralmente em R$ 12 bilhões.

Porém, a XO destaca que o maior nível de provisionamento não foi prospectivo, uma vez que a cobertura permaneceu inalterada trimestralmente em cerca de 200%.

Não obstante, os administradores suspenderam o guidance devido às incertezas causadas pela pandemia da Covid-19.

O balanço

Para a XP, embora o lucro tenha desapontado, a gestora diz acreditar que o Banco do Brasil está reforçado para os eventuais desafios criados pela pandemia.

A instituição mantém cobertura sob inadimplência de 200%, maior índice de capital nível I entre os bancos incumbentes em 13,9% e uma carteira de crédito defendida, com 40% entre crédito consignado e rural.

Por fim, a XP mantém a recomendação de compra e top pick no Banco do Brasil e um preço-alvo de R$ 43 devido a posição defensiva do banco e múltiplos atrativos.

Carteira de crédito

Para a XP, o banco expandiu sua carteira em 5% anualmente para R$ 662 bilhões, principalmente devido à expansão do crédito corporativo em 12% no trimestre para R$ 222 bilhões, uma vez que empresas demandaram liquidez e o mercado de dívida privada não tem apresentado demanda.

Outra carteira que cresceu exponencialmente foi a de crédito no exterior, que pode ser parcialmente explicada pela desvalorização do real no trimestre.

Já a margem financeira líquida veio 2% acima do esperado em R$ 14 bilhões, com a margem sob ativos crescendo 24 bps anualmente para 4,3%, influenciado pelos menores custos de captação de depósitos judiciais.

Quanto às receitas e serviços, embora tenham vindo em linha com as estimativas em R$ 7,1 bilhões, houve surpresa nas receitas de gestão de recursos que vieram 7% maior trimestralmente em R$ 1,6 bilhões, uma vez que o banco diminuiu suas taxas e a performance do mercado não foi positiva no período, com os ativos sob gestão inclusive baixando R$ 75 bilhões no trimestre pra R$ 1 trilhão.