BB (BBAS3): José Maurício Coelho renuncia à presidência da Previ; ações caem

Marco Antônio Lopes
Editor. Jornalista desde 1992, trabalhou na revista Playboy, abril.com, revista Homem Vogue, Grandes Guerras, Universo Masculino, jornal Meia Hora (SP e RJ) e no portal R7 (editor em Internacional, Home, Entretenimento, Esportes e Hora 7). Colaborador nas revistas Superinteressante, Nova, Placar e Quatro Rodas. Autor do livro Bruce Lee Definitivo (editora Conrad)

Crédito: Divulgação

A Previ, fundo de previdência do Banco do Brasil (BBAS3), comunicou nesta terça (25) a renúncia do presidente, José Maurício Pereira Coelho. Ele deixará o cargo no próximo dia 14 de junho. Coelho conduziu a Previ nos últimos três anos.

Em nota, a Previ elogiou a gestão de José Maurício mas não explicou as razões da saída do executivo: “Os números comprovam o sólido trabalho na presidência desde os primeiros meses: no final de 2018, seis meses após a sua chegada, o déficit do ano anterior foi revertido. Os anos seguintes foram de superávits para o principal plano da Previ, o Plano 1, que atualmente tem mais de R$ 230 bilhões em ativos.”

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Reação do mercado

O mercado assimilou a notícia como mais um indicativo de ingerência política nas estatais. A renúncia do presidente da Previ, Maurício Coelho, azedou o humor dos mercados esta tarde, por estar relacionada a pressões do Centrão para ocupar postos-chaves no fundo de pensão.

De acordo com o jornalista Lauro Jardim, do jornal O Globo, no domingo, Coelho e o novo presidente do Banco do Brasil, Fausto Ribeiro, “tiveram uma longa e dura conversa”. Jardim escreveu que Ribeiro estava sendo pressionado pelo bolsonarismo raiz e pelo Centrão para ceder alguns cargos-chaves do BB. Hoje, Ribeiro ligou para Coelho e pediu que ele renunciasse, completa Jardim.

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As ações do BB (BBAS3) fecharam em queda de 1,34%, negociadas a R$ 32,44, assim como os papeis de Petrobras, que recuaram  (PETR4, -2,08%, a R$ 25,84, e PETR3, -1,74%, cotadas a R$ 25,22).

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A renúncia ocorre dias depois de a Previ anunciar que diminuiu a participação na BRF (BFRS3) na operação em que foi anunciada a compra de ações da gigante de alimentos pela Marfrig (MRFG3). A participação do Plano 1 da Previ na companhia foi reduzida de 9% para 6,04%.

Previ: crise, mas bons resultados

A nota da Previ menciona outros bons resultados da gestão de José Maurício: “Em 2020, mesmo diante da maior crise dos últimos 100 anos, o resultado acumulado do plano foi positivo em R$ 13,9 bilhões. A prévia até o mês de abril de 2021 mostra um aumento relevante desse superávit, que ultrapassa os R$ 20 bilhões. É o maior superávit acumulado da Previ desde 2013.”

O comunicado do fundo diz também que o “Previ Futuro também teve bons desempenhos enquanto José Maurício esteve à frente da Previ, com rentabilidades positivas e um aumento considerável de patrimônio, que alcançou mais de R$ 22 bilhões em 2021.”

Previ: novo plano

À frente da Previ, José Maurício também liderou, segundo a entidade, a criação de um novo plano, o Previ Família.

“O plano é uma inovação no setor de entidades fechadas de previdência complementar, que oferece a segurança, a excelência e a solidez da Previ aos familiares dos associados e proporciona a possibilidade de poupança previdenciária para um número cada vez maior de pessoas.”

Lançado em março de 2020, na mesma semana em que a pandemia de Covid-19 foi declarada no Brasil, o Previ Família, segundo a estatal, superou as expectativas e alcançou mais de R$ 70 milhões em ativos – um número que traduz a confiança dos participantes. “Esse resultado mostra a oportunidade de abertura para novos mercados, com a excelência que é característica da Previ”, diz a nota do fundo.

“Nos últimos três anos a redução das despesas administrativas foi de mais de R$ 20 milhões de reais por ano, com uma série de projetos desde a otimização da sede, concluída em 2019, que proporcionou uma redução de 38% no espaço ocupado, até a substituição de sistemas – o que resultará em uma economia de custo e ganho de tempo.”

Aumento da alocação em Renda Fixa

A Previ complementou o comunicado com mais comentários exaltando a atuação de José Maurício.

“Realizou outras medidas que proporcionam mais solidez para os planos no longo prazo, como a diminuição do percentual em Renda Variável e aumento da alocação em Renda Fixa no Plano 1. Em dezembro de 2018, a carteira de Renda Fixa representava 40,8% dos investimentos. Em março de 2021, esse percentual aumentou para 46,6%”, lembra.

“A diminuição dessa proporção está sendo realizada com a aquisição de títulos públicos atrelados à inflação. O objetivo é aumentar a segurança sem comprometer a liquidez do pagamento de benefícios, fundamental para um plano que já está com quase a totalidade de seus associados aposentados.”

Por fim, o comunicado acrescenta: “Em seu período na presidência provou a diferença que uma gestão ativa pode fazer. Em 2021, liderou a consolidação em uma frase do propósito da Entidade, que resume perfeitamente seus três anos de trabalho: cuidar do futuro das pessoas. Foi isso que ele fez. Ajudou a cuidar do futuro de quase 200 mil associados. A Previ agradece por tudo o que ele ajudou a entidade a construir.”

*Com BDM Online

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