BB (BBAS3): Conselho da Previ aprova indicação de Daniel Stieler para presidência

Marco Antônio Lopes
Editor. Jornalista desde 1992, trabalhou na revista Playboy, abril.com, revista Homem Vogue, Grandes Guerras, Universo Masculino, jornal Meia Hora (SP e RJ) e no portal R7 (editor em Internacional, Home, Entretenimento, Esportes e Hora 7). Colaborador nas revistas Superinteressante, Nova, Placar e Quatro Rodas. Autor do livro Bruce Lee Definitivo (editora Conrad)
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Foto: Previ mira na Bolsa de olho em negócios sustentáveis

O Conselho Deliberativo da Previ, fundo de previdência do Banco do Brasil (BBAS3), aprovou, nesta quarta (9) a indicação de Daniel André Stieler como novo presidente da entidade.

Segundo a Previ, Daniel é graduado em Ciências Contábeis, pela Universidade Federal de Santa Maria (RS) e possui pós-graduações em Administração Financeira e Auditoria, ambas pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), e MBA em Contabilidade, pela Universidade de São Paulo (USP). Participou de diversos cursos de Governança no Brasil e no exterior e possui certificações no ICSS, com ênfase em Administração, e no IBGC, para conselheiro fiscal.

O novo presidente ingressou no Banco do Brasil na década de 80, como menor aprendiz. Foi assessor, gerente de núcleo e gerente de divisão na Diretoria de Contabilidade. Também foi gerente executivo na Diretoria de Contadoria e diretor de Controladoria do BB.

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Desde janeiro deste ano, Daniel atua como diretor-superintendente do Economus, instituto de seguridade social da Nossa Caixa (banco adquirido pelo BB em 2009). No instituto, Daniel também foi conselheiro fiscal e presidente do Conselho Deliberativo, ou seja, passou por todas as instâncias de governança do Economus.

Daniel ainda atua como conselheiro de administração nas empresas Livelo e Alelo. Foi conselheiro fiscal na Previ, entre 2012 e 2016, e na BBTS. No Banco Votorantim, além de conselheiro fiscal, foi membro do Conselho Consultivo. Também foi membro da Comissão de Assuntos Contábeis de Instituições Financeiras da Febraban durante 10 anos.

Daniel Stieler, ao centro da foto: novo presidente ingressou no Banco do Brasil na década de 80

Substituição

A indicação aguarda agora o atestado de habilitação de dirigente da Superintendência Nacional de Previdência Complementar (Previc) para que seja efetivada a posse.

Desde 2017, o exercício de cargos na Diretoria Executiva e nos Conselhos Deliberativo e Fiscal da Previ está condicionado ao prévio envio de documentação comprobatória e à emissão do atestado de habilitação.

O novo presidente irá substituir José Maurício Pereira Coelho, que deixa a Previ na próxima sexta-feira (11).

Renúncia

A Previ comunicou no último dia 25 de maio a renúncia de Coelho. Ele conduziu a entidade nos últimos três anos.

Em nota, a Previ elogiou a gestão de José Maurício mas não explicou as razões da saída do executivo: “Os números comprovam o sólido trabalho na presidência desde os primeiros meses: no final de 2018, seis meses após a sua chegada, o déficit do ano anterior foi revertido. Os anos seguintes foram de superávits para o principal plano da Previ, o Plano 1, que atualmente tem mais de R$ 230 bilhões em ativos.”

Reação 

O mercado assimilou a notícia, naquele 25 de maio, como mais um indicativo de ingerência política nas estatais. A renúncia do presidente da Previ, azedou o humor dos investidores por estar relacionada a pressões do Centrão ao governo para ocupar postos-chaves no fundo de pensão.

De acordo com o jornalista Lauro Jardim, do jornal O Globo, Coelho e o novo presidente do Banco do Brasil, Fausto Ribeiro, “tiveram uma longa e dura conversa”. Jardim escreveu que Ribeiro estava sendo pressionado pelo bolsonarismo raiz e pelo Centrão para ceder alguns cargos-chaves do BB. Ribeiro teria ligado para Coelho e pediu que ele renunciasse, completa Jardim.

A renúncia ocorreu dias depois de a Previ anunciar que diminuiu a participação na BRF (BFRS3) na operação em que foi anunciada a compra de ações da gigante de alimentos pela Marfrig (MRFG3). A participação do Plano 1 da Previ na companhia foi reduzida de 9% para 6,04%.

Previ: crise, mas bons resultados

A nota da Previ sobre a saída de Coelho mencionou bons resultados de sua gestão: “Em 2020, mesmo diante da maior crise dos últimos 100 anos, o resultado acumulado do plano foi positivo em R$ 13,9 bilhões. A prévia até o mês de abril de 2021 mostra um aumento relevante desse superávit, que ultrapassa os R$ 20 bilhões. É o maior superávit acumulado da Previ desde 2013.”

O comunicado do fundo dizia também que o “Previ Futuro também teve bons desempenhos enquanto José Maurício esteve à frente da Previ, com rentabilidades positivas e um aumento considerável de patrimônio, que alcançou mais de R$ 22 bilhões em 2021.”

Previ: novo plano

À frente da Previ, José Maurício também liderou, segundo a entidade, a criação de um novo plano, o Previ Família.

“O plano é uma inovação no setor de entidades fechadas de previdência complementar, que oferece a segurança, a excelência e a solidez da Previ aos familiares dos associados e proporciona a possibilidade de poupança previdenciária para um número cada vez maior de pessoas.”

Lançado em março de 2020, na mesma semana em que a pandemia de Covid-19 foi declarada no Brasil, o Previ Família, segundo a estatal, superou as expectativas e alcançou mais de R$ 70 milhões em ativos – um número que traduz a confiança dos participantes. “Esse resultado mostra a oportunidade de abertura para novos mercados, com a excelência que é característica da Previ”, diz a nota do fundo.

“Nos últimos três anos a redução das despesas administrativas foi de mais de R$ 20 milhões de reais por ano, com uma série de projetos desde a otimização da sede, concluída em 2019, que proporcionou uma redução de 38% no espaço ocupado, até a substituição de sistemas – o que resultará em uma economia de custo e ganho de tempo.”

Aumento da alocação em Renda Fixa

A Previ complementou o comunicado com mais comentários exaltando a atuação de José Maurício.

“Realizou outras medidas que proporcionam mais solidez para os planos no longo prazo, como a diminuição do percentual em Renda Variável e aumento da alocação em Renda Fixa no Plano 1. Em dezembro de 2018, a carteira de Renda Fixa representava 40,8% dos investimentos. Em março de 2021, esse percentual aumentou para 46,6%”, lembra.

“A diminuição dessa proporção está sendo realizada com a aquisição de títulos públicos atrelados à inflação. O objetivo é aumentar a segurança sem comprometer a liquidez do pagamento de benefícios, fundamental para um plano que já está com quase a totalidade de seus associados aposentados.”

Por fim, o comunicado acrescenta: “Em seu período na presidência provou a diferença que uma gestão ativa pode fazer. Em 2021, liderou a consolidação em uma frase do propósito da Entidade, que resume perfeitamente seus três anos de trabalho: cuidar do futuro das pessoas. Foi isso que ele fez. Ajudou a cuidar do futuro de quase 200 mil associados. A Previ agradece por tudo o que ele ajudou a entidade a construir.”

*Com BDM Online