Batalha de gigantes nos seguros: conheça a BB Seguridade e Caixa Seguridade

Carla Carvalho
Graduada em Ciências Contábeis pela UFRGS, pós-graduada em Finanças pela UNISINOS/RS. Experiência de 17 anos no mercado financeiro, produtora de conteúdo de finanças e economia.
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Não é de hoje que o setor de seguros no Brasil desperta o interesse de investidores, principalmente os que têm foco em dividendos. Por isso, neste artigo, falaremos sobre duas gigantes desse setor: BB Seguridade e Caixa Seguridade.

Atingir um patrimônio de R$ 100 mil é para poucos, o que amplia o desafio de busca pelas melhores aplicações para multiplicá-lo

Mas antes, veremos como está o setor de seguros no Brasil. Além disso, vamos entender quais as vantagens e desvantagens de investir em seguradoras. Confira a seguir!

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Setor de seguros no Brasil

O setor de seguros no Brasil representa cerca de 7% do total do PIB, percentual inferior ao de outras economias ao redor do mundo. Por isso, o mercado enxerga potencial de crescimento desse segmento no país.

Segundo David Legher, presidente da Prudential no Brasil, apesar dos percalços de nossa economia, o Brasil é considerado um dos mercados mais promissores do mundo quando o assunto é seguros. Em entrevista à revista Exame no ano passado, o executivo declarou que “as incertezas com o futuro e a crise da pandemia levaram os brasileiros a uma maturidade sem precedentes. Isso ajudou a incorporar a contratação de seguros como parte da educação financeira”.

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Nesse sentido, as pessoas começaram a incluir o seguro no planejamento financeiro de longo prazo. De forma geral, todos estão mais preocupados com saúde e segurança. E a expectativa é de que essa consciência perdure após a pandemia.

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Apesar de tudo, em 2021 o mercado de seguros ainda se mostra aquecido. Segundo dados da 37° edição da Conjuntura publicada pela Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg), o mercado de seguros arrecadou R$ 273,7 bilhões em 2020. Ou seja, um crescimento de 1,3% em relação a 2019.

De acordo com a entidade, os seguros foram muito importantes para a economia no ano passado. Isso porque protegeram patrimônios ameaçados pela queda da renda e pelo desemprego, acentuados durante a pandemia. Ainda que os seguros tenham crescido menos no ano passado do que em períodos anteriores, a atividade superou o desempenho de alguns outros setores. Por isso, o segmento é considerado um dos mais resilientes durante a crise econômica.

Expectativas para o setor de seguros em 2021

No entanto, ainda é cedo para previsões mais assertivas. Nesse sentido, a CNseg acredita que o desempenho do setor de seguros dependerá do crescimento do PIB até o final do ano. Além disso, ainda há o atraso da vacinação por aqui, o que torna difícil estimar quando a atividade econômica retomará de fato.

Vantagens e desvantagens de investir no setor de seguros

A seguir, veremos algumas características do setor de seguros da bolsa brasileira. Além disso, saberemos as vantagens e desvantagens de investir nesse segmento

Vantagens

Nos últimos anos, o setor de seguros tem chamado a atenção na bolsa brasileira. Além de serem boas pagadoras de dividendos, a atividade das seguradoras está entre os setores considerados perenes no mercado de capitais. Ou seja, trata-se de um segmento com uma certa estabilidade e resiliência em tempos de crises (veremos isso mais adiante).

Além disso, normalmente as seguradoras possuem estrutura operacional enxuta. Pelo fato de utilizarem parceiros comerciais para a venda de seguros, os seus custos acabam sendo reduzidos quando comparados a empresas de outros segmentos.

Por fim, outro ponto importante é a parceria que as grandes seguradoras têm com bancos comerciais. Isso faz com que tenham acesso à base de clientes dessas instituições, o que dá certa estabilidade às vendas.

Desvantagens

Por outro lado, o setor de seguros também apresenta pontos menos favoráveis, para os quais o investidor precisa estar atento. Um dos principais é a dependência que o lucro dessas empresas tem do seu resultado financeiro.

Para entender isso, é preciso saber como funciona o operacional de uma seguradora. Essas companhias precisam manter expressivo volume de dinheiro em aplicações de liquidez imediata para que possam cobrir sinistros. Por isso, esses recursos (chamados de “float”) ficam normalmente aplicados rendendo o CDI ou a Selic, o que não é vantajoso em tempos de juros baixos.

Isso significa que, para obter bom resultado financeiro, as seguradoras precisam ter um float grande, o que é mais viável nas maiores empresas. quanto mais recursos disponíveis uma seguradora tiver, mais ela conseguirá diversificar os investimentos em modalidades mais rentáveis. Por sua vez, as seguradoras menos capitalizadas terão mais dificuldade para rentabilizar o float, e ficarão mais dependentes do rendimento das aplicações de curto prazo tradicionais.

Isso nos leva a uma segunda desvantagem do setor de seguros: a dependência que o seu resultado tem da taxa de juros da economia. Quanto mais alta estiver a Selic, mais isso beneficiará o resultado financeiro dessas empresas. Já em períodos de juros baixos, menos espaço haverá para as seguradoras rentabilizarem o float, o que torna o segmento cíclico e suscetível às políticas monetárias.

BB Seguridade (BBSE3)

A BB Seguridade é uma holding responsável pela carteira de seguros do Banco do Brasil. Essa holding congrega cinco empresas: Brasilprev, BB Corretora, Brasilcap, Brasildental e Brasilseg. Além de seguros, a BB Seguridade comercializa também capitalização e previdência privada.

Trata-se de uma das empresas mais conhecidas do setor de seguros no Brasil. Nesse sentido, uma de suas vantagens é justamente contar com a base de clientes do próprio BB. Mesmo com esse benefício, a empresa declarou que uma das prioridades para os próximos anos é diversificar os canais de vendas. Isso ajudará a reduzir a dependência do BB.

O IPO da empresa foi em 2012 e, pouco tempo depois, ela já passou a fazer parte do IDIV (índice que contempla as maiores pagadoras de dividendos da bolsa). Atualmente, o payout (porcentagem do lucro distribuído aos acionistas) é de 70%.

Destaques do 1T21

  • Lucro líquido de R$ 977 milhões, crescimento de 10,7% em relação ao mesmo período de 2020;
  • Crescimento de 33% do resultado financeiro consolidado;
  • Retorno sobre o PL (ROE) de 55%;
  • R$ 341 milhões em sinistros pagos no trimestre;
  • R$ 2,2 bilhões pagos em planos de previdência após morte do titular.

Caixa Seguridade (CXSE3)

A Caixa Seguridade, controlada pela Caixa Econômica Federal (que detém 82% de participação na empresa) é a segunda maior seguradora do Brasil. Atualmente, a sua participação é de quase 15% no mercado total e de 24% nas vendas de seguros feitas pelas instituições financeiras.

Algumas das principais participações societárias da Caixa Seguridade estão a Caixa Holding, CNP Seguros, XS3 Seguros, PAN Corretora, entre outras.

De forma geral, o mercado tem boas expectativas quanto ao desempenho da Caixa Seguridade em 2021. Segundo analistas, os novos acordos de parcerias firmados para distribuição dos seguros deverão garantir resultados maiores do que os do ano passado. Além disso, há mais apetite por crédito de parte da CEF nesse ano, o que também contribuirá para o resultado.

Destaques do 1T21

  • Lucro líquido de R$ 432 milhões, crescimento de 4,3% face 1T20;
  • IPO levantou R$ 5 bilhões, sendo 17,5% free float e 109 mil novos acionistas;
  • Retorno sobre o PL (ROE) de 43%, contra 34,3% no 1T20;
  • Margem operacional 5,8% superior ao mesmo período do ano passado. Destaque para seguros (72%) e previdência (20%).

Confira os principais números da BB Seguridade e Caixa Seguridade do 1T21

BBSE3CXSE3
Lucro LíquidoR$ 977mmR$ 882,7 mm
Lucro por açãoR$ 0,49R$ 0,14
Quantidade de ações2 bilhões3 bilhões
ROE55%42,9%
Retorno s/ PL59,5%22,9%
Retorno s/ Ativo35,8%21,7%
Preço/Lucro12,5520,04
Preço/VPA6,913,57

 

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