Batalha de gigantes: no varejo, Magalu e Via Varejo disputam mercado digital

Carla Carvalho
Graduada em Ciências Contábeis pela UFRGS, pós-graduada em Finanças pela UNISINOS/RS. Experiência de 17 anos no mercado financeiro, produtora de conteúdo de finanças e economia.

Crédito: Freepik

Em plena pandemia, Magalu e Via Varejo foram grandes destaques na bolsa brasileira, principalmente em função do e-commerce.

Atualmente, a performance das gigantes do varejo está abaixo do Ibovespa, que acumula alta de 6% até maio de 2021. No entanto, especialistas atribuem isso principalmente ao movimento de rotação na bolsa, iniciado em novembro do ano passado. Isso porque ambas apresentaram bons números no encerramento de 2020 e no primeiro trimestre de 2021.

Magalu e Via Varejo: o que esperar daqui para frente?

Mas quem leva vantagem nessa batalha de gigantes? Afinal, o que acontecerá com o varejo em 2021? Será que dá para esperar o mesmo desempenho do ano passado, ou o e-commerce pode retrair ou continuar a crescer de forma mais lenta? A seguir, saiba mais sobre as perspectivas para o varejo e sobre o desempenho das duas empresas.

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Crescimento do e-commerce

O e-commerce no Brasil registrou um crescimento de 91% no primeiro trimestre de 2021 em relação ao mesmo período do ano passado. Nesse sentido, o destaque ficou com os setores de eletroeletrônicos, que cresceu 134%, e farmácia, com aumento de 102,4%.

O levantamento é da Mastercard SpendingPulse, que mede as vendas físicas e online no país. Segundo Estanislau Bassols, gerente geral da Mastercard Brasil, esses números reforçam a crescente preferência dos consumidores por novas tecnologias e consumo online.

Já as vendas físicas registraram queda de 4,4% no trimestre. No entanto, a pesquisa chama atenção para o fato de que março de 2020 registrou consumo atípico, pois muitas pessoas se estocaram no início da pandemia. Logo, isso pode ter afetado o comparativo dos dois períodos.

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Diferenciais de Magalu e Via Varejo

Historicamente, o varejo brasileiro é um setor de alta volatilidade. Quem acompanha o mercado há mais tempo certamente lembra de grandes players que fecharam nos anos 90, como Mesbla, Arapuã, Lojas Brasileiras, entre outros.

E a pandemia agravou ainda mais esse quadro. Segundo estudo da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), o comércio perdeu 75,2 mil pontos de venda em 2020. Nesse sentido, o resultado só perde para 2016, quando foram fechadas 105,3 mil lojas por causa da crise.

Por outro lado, empresas que fortaleceram canais de e-commerce acabaram absorvendo o espaço deixado pelos varejistas tradicionais na pandemia. É o caso da Magalu e da Via, que investiram pesadamente nos meios digitais nos últimos anos.

Nesse sentido, ambas adquiriram fintechs, fortaleceram o marketplace e inovaram de outras formas nos meios digitais. A Magalu, por exemplo, adquiriu canais de tecnologia, moda e cultura geek no YouTube. Alguns exemplos são Canaltech, Steal The Look e Jovem Nerd. Dessa forma, a empresa aposta em estratégias de vendas para públicos direcionados para aumentar a sua base de clientes.

Por sua vez, a Via, que saiu mais atrasada no processo de digitalização, também fez o dever de casa. Nesse sentido, também está adquirindo fintechs e crescendo no mercado online. Por fim, cabe destacar a velocidade com que a companhia conseguiu fazer as mudança necessárias desde que a nova gestão assumiu, há menos de dois anos.

Riscos para as varejistas brasileiras

Apesar de as perspectivas permanecerem boas para o varejo em 2021, o mercado não será tão tranquilo para os gigantes do mercado. Isso porque grandes players internacionais, como Amazon (AMZO34) e Mercado Livre (MELI34) já mostraram interesse em ampliar sua participação no mercado brasileiro.

Dessa forma, recomenda-se cautela ao avaliar investimentos no setor por aqui. Inclusive, segundo analistas, a concorrência já está mais forte desde o segundo semestre de 2020, e isso existe que o investidor fique alerta para o comportamento das empresas daqui para frente.

E quanto às ações de Magalu e Via?

Outro ponto para o qual analistas chamam a atenção é em relação ao preço das ações de cada uma das empresas. Nesse sentido, há quem pense que, considerando o bom resultado da Magalu e Via Varejo, as ações da Via estão descontadas frente às da Magalu. Por outro lado, alguns analistas sustentam que isso faz sentido, já que considerando que Magalu é uma empresa consolidada há mais tempo do que Via.

Destaques Magalu no balanço do 1º trimestre

  • 63% de crescimento nas vendas totais, mesmo com fechamento parcial das lojas no ano;
  • Lucro líquido ajustado de R$ 81,5 milhões, revertendo o prejuízo de R$ 8 milhões do 1T20;
  • 114% de crescimento no e-commerce;
  • 70% de representatividade do e-commerce no total de vendas;
  • 4% de crescimento nas lojas físicas;
  • Lançamento de cartão de crédito com cashback e sem anuidade.

Destaques Via Varejo no balanço do 1º trimestre

  • GMV (ou volume bruto de mercadoria vendida) totalizou R$ 10,3 bilhões, aumento de 27%;
  • 56% do GMV total referentes a vendas digitais;
  • Lucro líquido 13,8 vezes superior ao do 1T20;
  • 30% de crescimento na carteira de crediário;
  • 130% de crescimento no e-commerce;
  • 123% de crescimento no marketplace;
  • Lucro líquido ajustado 4,84 vezes superior ao do 1T20.

Principais números da Magalu (MGLU3) e Via (VVAR3)

Por fim, veja como as empresas se saíram na divulgação do começo do ano.

                                                 Magalu                                  Via                                                      

1T2120201T212020
Receita Líquida8.25229.178*7.54728.901
Lucro Bruto2.0707.5202.3699.466
EBITDA Ajustado4271.5065842.917
Endividamento Bruto1.6691.6864.0994.449
Caixa Líquido Ajustado4.2217.3122.4294.047
Lucro Líquido258**3911801.004
Patrimônio Líquido7.2707.3256.1635.979

 

*Vendas totais 2020 (incluindo marketplace): R$ 43,5 bilhões
**Lucro líquido ajustado: R$ 81 milhões