Bancos devem ter queda de 38% no lucro do 2ºTRI, diz BTG Pactual

Felipe Alves
Jornalista com experiência em reportagem e edição em política, economia, geral e cultura, com passagens pelos principais veículos impressos e online de Santa Catarina: Diário Catarinense, jornal Notícias do Dia (Grupo ND) e Grupo RBS (NSC).
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Crédito: Itaú - Bancos

Os principais bancos do Brasil devem amargar uma queda de 38,7% do lucro consolidado no segundo trimestre de 2020. Os dados são relativos ao comparativo com o mesmo período de 2019 e foram consolidados pelo BTG Pactual.

No segundo trimestre de 2019 o lucro líquido dos bancos foi de R$ 21,6 bilhões. Mas no mesmo período deste ano o resultado deve ser de R$ 13,2 bilhões.

Os dados do BTG incluem sete bancos: Itaú (ITUB4), Bradesco (BBDC4), Santander (BCSA34), Banco do Brasil (BBAS3), Banrisul (BRSR6), Banco ABC (ABCB4) e Inter (BIDI11).

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“Embora o segundo trimestre seja quase certamente o mais fraco do ano do ponto de vista do PIB, no geral, acreditamos que os números dos grandes bancos devem apresentar algumas tendências de melhoria quando comparados ao primeiro trimestre”, afirmam os analistas do BTG, Eduardo Rosman e Thomas Peredo.

Segundo a análise, devido a grandes negociações de períodos de carência, um melhor processo operacional e empréstimos sob controle os índices poderão ser melhores.

Os analistas sinalizam que, se o segundo trimestre for melhor e o PIB continuar surpreendendo de forma positiva, poderá surgir um cenário otimista para os números até o fim do ano.

“Em geral, com uma lenta recuperação do PIB e mais pressão de concorrência, regulamentação e uma taxa de juros Selic muito baixa, relutamos para ver os ganhos dos quatro grandes bancos voltando aos níveis de 2019 antes de 2022 (talvez 2023)”, dizem os analistas.

 

Projeções para os bancos

Os balanços dos bancos do segundo trimestre deverão ser divulgados entre o fim de julho e o início de agosto.

Segundo as projeções do BTG, o Itaú deve apresentar o maior lucro líquido no segundo trimestre. Ou seja, R$ 3,69 bilhões. O valor é 5,7% menor do que o do primeiro trimestre (R$ 3,91 bilhões). Mas também é 47,5% menor do que o registrado pelo banco no segundo trimestre de 2019 (R$ 7 bilhões).

Já o Bradesco deve ter um lucro líquido de R$ 3,44 bilhões. Uma queda de 8,2% no comparativo com o primeiro trimestre. E 46,7% menor do que o mesmo período do segundo trimestre de 2019.

O Banco do Brasil deve ter uma queda menor no comparativo com 2019: 19,7%. O banco deve registrar lucro de R$ 3,38 bilhões no segundo trimestre de 2020. Ou seja, queda de 0,5% em comparação com os três primeiros meses deste ano.

 

Estimativas para Santander e BB

A expectativa do BTG é de que os números do Santander sejam melhores no segundo semestre, mas que o ROE não caia a menos de 11% (vs. 20% pré-Covid) vistos no Itaú e Bradesco.

A análise prevê lucros líquidos de R$ 2,5 bilhões para o Santander (13,5% do ROE).

“Para o BB, estimamos receita líquida de R$ 3,4 bilhões, mas nossa percepção é de que o resultado também pode ser um pouco acima do que estamos modelando”, afirmam os analistas.

 

Tá, e aí?

Por fim, devido às perspectivas positivas, o BTG aumentou o preço-alvo de todos os bancos analisados.

Confira abaixo a recomendação de preço-alvo e de compra ou neutralidade para cada ativo, segundo o BTG.

Recomendação de compra:

Itaú (ITUB4): de R$ 27 a R$ 34

Bradesco (BBDC4): de R$ 23 a R$ 28)

ABC Brasil (ABCB4): de R$ 16,5 a R$ 20)

Banco Inter (BIDI11): de R$ 36 a R$ 57

 

Neutralidade:

Banco do Brasil (BBAS3): de R$ 36 a R$ 44

Santander (BCSA34): de R$ 30 a R$ 37

Banrisul (BRSR6): de R$ 14 a R$ 18.