Embraer (EMBR3) pode ter bancos privados no plano de aporte do BNDES

Marcelo Hailer Sanchez
Jornalista, Doutor em Ciências Sociais (PUC-SP) e Mestre em Comunicação e Semiótica (PUC-SP). Pesquisador em Inanna (NIP-PUC-SP). Trabalhei nas redações do Mix Brasil, Revista Junior, Revista A Capa e Revista Fórum. Também tenho trabalhos publicados no Observatório da Imprensa e revista Caros Amigos. Sou co-autor do livro "O rosa, o azul e as mil cores do arco-íris: Gêneros, corpos e sexualidades na formação docente" (AnnaBlume).

Crédito: Site Mercado e Eventos

As propostas para capitalização da Embraer pelo BNDES irão seguir o modelo de outros aportes em avaliação elo banco, informa o Valor Econômico.

De acordo com levantamento feito pelo Valor, há uma negociação para que a empresa receba US$ 1 bilhão. Cabe destacar que a revelação dessa operação fez com que as ações da empresa despencassem mais de 10% no pregão desta segunda-feira (4).

Segundo fontes ouvidas pelo Valor, trata-se de uma operação sindicalizada, com a participação de bancos privados e empréstimos de longo prazo, debêntures conversíveis e emissão de derivativos com bônus de subscrição.

O banco estatal já deu início a tratativas com Itaú, Bradesco e Santander, que demonstraram interesse.

Em nota, Embraer afirma que ainda não definiu fontes de financiamento

Por meio de uma nota, posteriormente a ser questionada pela B3, a Embraer afirmou que “avalia o acesso a fontes complementares de financiamento, tanto no mercado brasileiro como no mercado internacional”.

A companhia também informou que avalia financiamentos, entre eles o do BNDES, porém, não há uma definição sobre qual caminho a empresa vai seguir.

Relembre o caso

Durante teleconferência para divulgar os resultados do 1º trimestre deste ano, o presidente da Boeing, Davi Calhoun, afirmou que a tratativa com a Embraer foi rescindida porque a companhia brasileira não cumpriu determinadas condições previstas em contrato.

“Depois de muitas, muita negociação e dois anos de trabalho, sabíamos que essas condições não podiam ser atendidas. Portanto, nosso acordo não era um acordo”, disse Calhoun em teleconferência

A notificação da Boeing sobre o encerramento das tratativas com a Embraer ocorreu no sábado (25). Na última segunda-feira (27), a Embraer iniciou uma arbitragem contra a Boeing, onde a acusa de ter fabricados falas alegações para não ter de pagar US$ 4,2 bilhões para firmar a operação, informa o Valor.

Acordo bilionário

Com o rompimento do acordo bilionário entre Embraer (EMBR3) e Boeing (BOEI34) novas medidas deverão ser tomadas para tentar minimizar os impactos do fracasso comercial.

A Embraer alega que a Boeing produziu falsas alegações para evitar o pagamento de US$ 4,2 bilhões previsto na operação.

Segundo o Valor Econômico, só com a cisão da unidade de aviação comercial, a companhia já desembolsou R$ 485 milhões no ano passado. O caso deverá parar na Justiça por iniciativa da Embraer.

O acordo avaliava a Embraer em US$ 5,3 bilhões.

Sem a operação, há incertezas sobre o futuro das duas empresas.

A Boeing se beneficiaria com a ampliação do portfólio e a oferta de jatos regionais. Já a estatal brasileira ganharia força para enfrentar a concorrência.