Bancos: os desafios e cenários para as instituições financeiras

Matheus Gagliano
Colaborador do Torcedores
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Crédito: Reprodução/Pixabay

Em um ano desafiador como é 2021, os bancos, assim como outro segmento, possuem desafios a cumprir. Ainda mais em um contexto de crescente descentralização do consumo de serviços bancários, que estão cada vez mais diversificados, graças às instituições digitais. Por isso, os desafios têm sido intensos para as instituições tradicionais.

Como reflexo desse ano desafiador, o Banco Inter (BIDI11) divulgou um relatório no qual tem revisto os preços-alvo para o próximo ano. O documento mostra que o restante do ano deve ser marcado pela contínua recuperação. Porém, a competitividade deverá ser a tônica pela qual eles devem passar.

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Entre as quatro principais instituições do país, Itaú-Unibanco (ITUB4) e Santander (SANB11) receberam classificação neutra. A classificação de compra ficou para Banco do Brasil (BBAS3) e Bradesco (BBDC4).

Com relação ao Itaú, o preço-alvo é projetado em R$ 32 frente a R$ 30,94 atual. No caso do Santander, a projeção é preço-alvo em R$ 46 contra o atual nível de aproximadamente R$ 41,94.

Já com relação ao Banco do Brasil, o documento prevê preço-alvo em R$ 38. O patamar atual está em torno de R$ 30,34. Por fim, o Bradesco tem preço-alvo em R$ 28, ante R$ 23,15 do momento atual.

Bancos:  open banking ainda é um desafio

Novidades tem surgido no mercado financeiro. E um deles é a adoção de usos como o Open Banking e o Pix. O primeiro ainda tem se mostrado desafiador. Isto porque, mesmo depois de algumas semanas anunciado, ele ainda é uma dúvida para os consumidores.

A próxima fase do Open Banking começa no dia 15 de dezembro. De acordo com o Banco Central, instituições participantes deverão tornar públicas as informações sobre os produtos e serviços. Etapa abrange dados sobre câmbio, serviço de credenciamento, investimento, seguros e previdência.

“Com isso será possível comparar, por exemplo, taxa de câmbio, termos e condições e taxas de ativos financeiros. E ainda seguros e previdência aberta. Bem como taxas e tarifas referentes a atividade de credenciamento de cartão de crédito e de débito”, explica Mardilson Fernandes Queiroz, consultor do Departamento de Regulação do Sistema Financeiro (Denor).

Mas ainda persistem dúvidas no Open Banking. Mesmo entre funcionários. Pesquisa divulgada pela revista Forbes, mostrou que entre 1.021 funcionários entrevistados, 84% já ouviu falar sobre o tema. Porém, 44% admitiram ter dificuldades quando há uma tentativa de aprofundar o assunto.

Além disso, o levantamento mostrou ainda que somente uma em cada três empresas, aderiram ao processo.

Com relação ao Pix, o BC irá implementar mudanças a partir de 29 de novembro. o Pix Saque e o Pix Troco. O Pix Saque permitirá que todos os clientes realizem saque em um dos pontos que ofertar o serviço. Já o Pix Troco, a dinâmica é praticamente idêntica. A diferença é que o saque de recursos em espécie pode ser realizado durante o pagamento de uma compra ao estabelecimento.

Concorrência

Além do ambiente de transformação que as instituições têm à sua frente, há ainda o aumento da concorrência. A chegada dos bancos digitais e a digitalização dos serviços bancários é um caminho sem volta. Um sinal disto é que a demanda por atendimento presencial vem caindo.

Outro sintoma dos novos tempos é o fechamento de milhares de agências por parte dos quatro grandes bancos tradicionais do país. A inclusão de outros serviços, além do que o banco pode oferecer, como investimentos e seguros, é outro atrativo

A gestora da EQI Asset acrescentou ainda que os bancos digitais têm um crescimento maior do que os tradicionais. No entanto, eles ainda possuem uma dificuldade: ainda buscam uma maneira ideal de monetizar sua base de clientes.

Isto porque estes não cobram muitas tarifas com relação aos tradicionais. Para isso, tentam compensar a fidelização com a criação de marketplaces de produtos e serviços como é o caso do Inter (BIDI11).

Já outros, como o Nubank e o Banco Pan, estão ampliando a oferta em cartões de crédito, crédito pessoal e seguros. Ela cita que o caso do Banco Pan (BPAN4) é diferenciado porque este foca em uma parcela da população que é pouco bancarizada. E usam parceiros como Meliuz (CASH3), Dafiti, Getninjas e Guia bolso.

Queda do custo da mudança

Esse cenário de ampliação da concorrência com os digitais são refletidos em dados do BC. O Relatório de Economia Bancária, divulgado anualmente, mostra que o custo de mudança de banco tem sido cada vez menor, com relação ao crédito.

“Nos últimos anos há uma queda no custo para os dois tipos de tomadores de crédito. E que a média do custo de mudança é maior para pessoas físicas”, diz trecho do relatório mais recente, de 2020.

O documento conclui que é observada uma redução do chamado efeito de lock-in. Isto é, uma redução da habilidade de “captura e extração de renda” na relação entre bancos e clientes. O que acaba beneficiando os clientes.

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