Bancos médios: riscos e oportunidades traçados pela XP

Osni Alves
Jornalista | osni.alves@euqueroinvestir.com

Crédito: Crédito da imagem: Banco de Imagens EnvatoElements/By Rawpixel

A retração econômica prevista para este ano, por conta do coronavírus, atingirá todos os setores, bem como o segmento de bancos grandes e médios, avalia a XP Investimentos.

Para a gestora, os bancos são a coluna dorsal da economia e diversas medidas têm sido anunciadas para atenuar impactos nesse setor.

De acordo com a XP, toda crise gera oportunidades. No caso dos bancos, significa taxas de ativos mais atraentes.

O isolamento social e a suspensão de atividades fizeram pessoas e empresas necessitarem dos serviços bancários, começando por linhas de crédito fáceis e mais baratas que o convencional.

“Num momento em que uma crise econômica como esta ocorre, uma das primeiras preocupações é com uma potencial crise de crédito. Basicamente, se empresas e pessoas não têm mais capacidade de honrar dívidas, o impacto é direto”, avaliou.

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O governo e o tranco

Para tentar segurar o tranco, o governo fomentou linhas de crédito emergencial para financiamento da folha de pagamentos, no valor de R$ 40 bilhões.

Esse montante está disponível às empresas com faturamento anual entre R$ 360 mil e R$ 10 milhões. Deste total, 85% do risco será assumido pelo Tesouro e os outros 15% pelos bancos.

Essas linhas estão prefixadas em 3,75% a.a, bastante inferior às taxas normalmente praticadas, e prazo de até 30 meses. Em contrapartida, as empresas não podem demitir por dois meses.

Conforme a XP, o objetivo é garantir que pequenas e médias empresas tenham capital de giro evitando, assim, onda de falências e demissões em massa.

Em linha com o governo central, o Bndes (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) anunciou aportes em debêntures conversíveis em ações, iniciando pelo setor aéreo.

Banco Central

O Banco Central também injetou liquidez no mercado. Em conjunto, todas as medidas representam o maior pacote já feito pela instituição, cerca de R$ 2 trilhões.

Parte desse montante é direcionada a atuações específicas, como por exemplo, aumentar a liquidez no mercado secundário de debêntures.

“Enxergamos essas medida como positivas, principalmente para os fundos de investimento”, disse a XP.

Já o Conselho Monetário Nacional (CMN), juntamente com o BC, injetaram liquidez no sistema financeiro. Isso porque eles dizem entender que a retomada econômica passará por essas instituições, onde as empresas buscam recursos para se alavancarem.

Em contrapartida, há dispensa por seis meses da obrigatoriedade de aumento do provisionamento em caso de repactuação de operações de crédito.

“Desta forma, estimulará renegociações com os devedores sem que isso afete o resultado das instituições financeiras”, frisou a XP.

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Adicional de Conservação de Capital

Também promoveram a Redução do Adicional de Conservação de Capital Principal (ACP Conservação) de 2,5% para 1,25% pelo prazo de um ano, reduzindo a Basileia mínima de 10,5% para 9,25%.

“Esta medida expande a capacidade dos bancos de realizar concessões e renegociações, aliviando parcialmente a desaceleração”, explicou.

O Banco Central estima que essas medidas sejam capazes de injetar quase R$ 4 trilhões na economia.

Outra medida importante foi quanto à redução do teto de juros do crédito consignado de 2,08% ao mês para 1,80% ao mês, assim como o alongamento do prazo de pagamento das operações.

Margem de empréstimo

O governo quer ainda ampliar a margem de comprometimento com o empréstimo, que hoje é de 35%, incluindo cartão.

“Avaliamos como positiva, mas limitada, uma vez que a regra se aplica apenas ao consignado federal, ou seja, pensionistas do INSS, que são uma pequena parcela da população. Destacamos, porém, que esta medida auxiliará os bancos que trabalham com este produto.”

E segue: “outro ponto relevante foi a redução da taxa básica de juros (Selic) para 3,75%, o que traz um impacto positivo para os bancos na diminuição do custo de captação.”

Porém, para a XP essa redução pode também fechar os spreads, aumentando a competição pelos bons clientes, o que pode prejudicar os bancos médios que trabalham com empresas.

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Riscos diferentes para cada segmento

Para a XP, os riscos são diferentes para cada segmento bancário. A relação empréstimo pessoal com CDC e cartão, por exemplo, é uma delas.

Acontece que a redução da atividade econômica e o isolamento social deverão afetar gravemente o consumo e, consequentemente, a originação de empréstimos neste segmento.

Além disso, a redução de turnos e do quadro de funcionários nas empresas terá impacto sobre a renda das famílias, o que deverá levar a um aumento da inadimplência.

No segmento de financiamento de veículos já se observa certa inadimplência. Além disso, a originação de novos créditos para aquisição de veículos deve cair substancialmente.

“Menor confiança do consumidor e adoção de critérios mais rígidos por parte dos bancos dificultarão a concessão desses créditos”, frisou.

Empresas médias e pequenas (Middle market)

Com o cenário que se desenha, muitas empresas pequenas e médias já apresentam e devem continuar sofrendo com a queda das vendas e a falta de crédito para capital de giro.

A principal garantia que elas podem oferecer são duplicatas de vendas performadas, ativo que já está ficando escasso, uma vez que há diminuição na atividade das empresas.

“Os impactos já devem ser sentidos no próximo trimestre.”

Crédito consignado

Segundo a XP, o maior volume de crédito consignado existente foi concedido para funcionários públicos, aposentados e pensionistas, que contam com estabilidade de renda.

Além disso, a cobrança dos empréstimos é realizada através do desconto diretamente na folha de pagamentos. Desta forma, não é esperado um aumento da inadimplência.

Por outro lado, assim como no caso dos empréstimos pessoais comuns, dependendo da duração da quarentena, a originação, ou seja, o aumento da carteira de crédito poderá ser prejudicada, uma vez que depende, em sua maioria, da presença do tomador em lojas físicas.

“Também destacamos que bancos menos eficientes podem ser prejudicados com a redução da taxa-teto de juros do consignado.”

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Empresas grandes (Corporate/Large corporate)

Já a expectativa é que empresas mais alavancadas e com dívidas em dólar tenham que renegociar linhas de crédito neste contexto.

Desta forma, o resultado dos bancos pode ser penalizado por menores receitas e maior provisão para devedores duvidosos (PDD).

Entretanto, empresas maiores e com melhor situação creditícia devem postergar investimentos, mitigando o risco de necessidade de renegociações.

Atenuantes para os riscos

Os bancos em geral estão bem capitalizados e com bastante caixa, com curvas de vencimento alongadas.

Um dos maiores pontos de sensibilidade, a capitalização, foi atenuado pela redução da Basileia mínima para 9,25%.

Adicionalmente, a crise passada fez com que a maioria das instituições adequasse melhor suas carteiras, pulverizando riscos e enrijecendo critérios de concessão de crédito, o que reduz possível inadimplência futura.

“Ainda que aumentem os spreads bancários, o atual patamar da taxa de juros permite que a taxa do tomador final seja mais baixa que a média histórica, podendo manter ativo o mercado de crédito”, avaliou.

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CDB ou poupança

Bancos e plataformas de investimento

De acordo com a XP, as emissões bancárias (CDBs, LCIs, LCAs, LCs) são boa opção de ativo seguro, por contar com garantia do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) para investimentos de até R$ 250 mil.

Com a abertura da curva de juros, existem atualmente opções de títulos de prazo mais curto com rentabilidades melhores, em média, do que no começo do ano.

Além disso, para quem busca opções indexadas ao IPCA ou prefixados, há alternativas de prazos mais longos a taxas mais elevadas em relação ao início do ano.

Apesar de haver atualmente maior incerteza no segmento, esses ativos oferecem segurança ao investidor que busca rentabilidade mais elevada e pode permanecer dentro dos limites de garantia do FGC.

No entanto, é importante ter em mente que, em caso de falência do banco emissor, o FGC leva, em média, cerca de 90 dias para ressarcir o investidor, de acordo com dados históricos.

Por este motivo, ao investir em bancos com maior risco de crédito, sugere-se não aplicar a reserva de emergência e ter disponibilidade de manter o valor aplicado até o prazo de vencimento.

Momento de oportunidades

Para a XP, não há motivos para resgate antecipado, caso não haja necessidade. Pelo contrário, esse é um bom momento para aproveitar oportunidades com taxas mais elevadas.

Lembrando que emissões bancárias têm o mesmo risco da poupança (garantia do FGC), mas rende mais, de forma geral.

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