Ações de bancos seguem descontadas e devem atrair investidores em 2021

Cláudia Zucare Boscoli
Jornalista formada pela Cásper Líbero, com pós-graduação em Jornalismo Econômico pela PUC-SP, especialização em Marketing Digital pela FGV e extensão em Jornalismo Social pela Universidade de Navarra (Espanha), com passagens por IstoÉ Online, Diário de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e Editora Abril.
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Crédito: Reprodução/Pixabay

O setor financeiro está sempre entre os preferidos dos investidores, por reunir empresas que, tradicionalmente, dão lucro. Com situação financeira sólida e atualmente ainda muito descontados em decorrência da crise do coronavírus, os bancos devem voltar a ganhar atenção dos investidores em 2021.

Adeodato Neto, estrategista-chefe da Eleven, apontou, durante live da EQI Investimentos, que alguns setores que seguem defasados desde a pandemia são boas oportunidades. Entre eles estariam varejo de rua, shoppings, empresas de educação e os bancos.

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Essa também é a opinião de Fernando Siqueira, gestor da Infinity Asset. Para ele, os bancos serão favorecidos pela migração de investidores para as ações de valor, ou seja, aquelas que estão com preço abaixo do valor justo.

Ibovespa zera perdas, mas bancos ainda não

Gustavo Cruz, estrategista da RB Investimentos, reforça que, enquanto o Ibovespa zerou suas perdas em 2020, os bancos ainda não conseguiram se recuperar e ponto de suas ações retomarem os preços pré-pandemia.

O Itaú (ITUB4), por exemplo, tem variação negativa de seus papéis, com perda de 18%. O Bradesco (BBDC4), perda de 20%. E o Santander (BCSA34), 5,5%.

Para Cruz, todo o setor deve ser favorecido no ano pela retomada do crescimento econômico e do emprego, que ganham projeções melhores a cada nova notícia sobre avanço das vacinas e indicadores mais favoráveis.

Os grandes bancos, ele diz, têm musculatura para se recuperar bem. As fintechs devem seguir em trajetória crescente. Já os bancos médios ocupam a parte mais arriscada do setor. “Mas depende de cada investidor optar por ter mais segurança e menos rentabilidade, com os grandes bancos. Ou ter mais rentabilidade, mas mais risco com os bancos médios”, afirma.

Siqueira, da Infinity, indica que, apesar do crescimento previsto, a recomendação da casa segue neutra para o setor.

“Os bancos devem ser beneficiados pela recuperação da atividade econômica e do emprego, o que diminui a inadimplência. Mas o impacto não será tão grande”, diz. Ele justifica que o setor vem desempenhando mal não apenas por conta da pandemia, mas desde 2019.

Desafios dos bancos para 2021

Os bancos seguem em 2021 na corrida digital iniciada em 2020. Além de se adaptarem ao novo comportamento do consumidor, cada vez mais digital, eles também precisam se adequar às novas propostas do Banco Central.

O BC tem procurado estimular a competitividade entre as instituições financeiras. A intenção é reduzir os juros praticados, a fim de atrair e incluir financeiramente uma parcela considerável da população que vive à margem do sistema bancário.

Basta dizer que os cinco maiores bancos concentram 83,7% dos empréstimos concedidos, praticando taxas muito acima da básica que é a Selic (2%). Ao aumentar a concorrência, aposta o BC, os bancos serão estimulados a reduzir seus lucros para manter clientes.

Open banking é tema para 2021

Nesse contexto, o open banking será um tema importante em 2021. O novo modelo permite a troca de informações bancárias entre as instituições financeiras, mediante autorização dos clientes.

Na prática, os bancos serão obrigados a compartilhar informações sobre renda e histórico de empréstimo dos clientes. Tais informações viabilizarão uma concorrência na oferta de crédito, gerando taxas de juros mais baratas e tornando o serviço financeiro mais atraente para o consumidor final.

A primeira fase do projeto está prevista para o mês de fevereiro, quando as instituições deverão divulgar informações sobre os produtos e serviços oferecidos, para que os interessados possam consultá-las e compará-las.

A segunda fase, de compartilhamento de dados mediante autorização, está programada para começar no meio do ano.

PIX também terá mais novidades

O open banking vem se juntar ao PIX, meio de pagamento digital e instantâneo lançado em novembro, com foco na bancarização.

Para 2021, o PIX também poderá ter algumas novidades. Um delas pode ser o Saque PIX, que possibilitará ao consumidor sacar dinheiro no comércio. Também está em estudo o QR code off-line. Ele vai permitir o pagamento via código de barras mesmo que a pessoa não esteja conectada. E também o QR code com data agendada para pagamento futuro. O BC trabalha com um prazo de três anos para apresentar ainda outras inovações.

Grandes bancos estão desmembrando operações

Outra tendência que deve se confirmar em 2021 é o desmembramento dos grandes bancos em empresas menores. O Santander revelou recentemente que estuda separar a credenciadora de cartões Getnet em uma empresa à parte. E há possibilidade de listá-la na bolsa de valores.

O Bradesco já fez o desmembramento do banco digital Next. Os demais bancos podem seguir pelo mesmo caminho. A estratégia serviria para capturar um possível “valor oculto” nestes “braços” das empresas. Hoje eles estariam subestimados nos preços das ações.

Se você quer saber mais sobre o mercado de ações e como investir, preencha o formulário abaixo que um assessor da EQI Investimentos entrará em contato.

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