Bancos digitais ainda tem lucros pressionados, mas número de usuários avança

José Azevedo
Jornalista especializado em economia.
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Crédito: Crédito da imagem: Banco de Imagens Pixabay/By nattanan-kanchanaprat.

Os bancos digitais listados na B3 registraram no segundo trimestre de 2021 um padrão em comum: lucros ainda pressionados, mas crescimento do número de usuários. 

O Inter (BIDI11), maior instituição financeira deste tipo da bolsa, foi destaque. Apesar de o lucro de R$ 18,2 milhões ainda ser visto como uma “baixa rentabilidade”, esse número foi muito maior do que os R$ 2,7 milhões registrados no mesmo período de 2020. Ao mesmo tempo, o número de usuários cresceu mais do que 100% na mesma base, chegando a 12 milhões no final de junho. 

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“No geral, e conforme antecipado pelos KPIs (indicadores-chave de desempenho) há um mês, a receita líquida foi um destaque positivo com todas as verticais indo muito bem”, comentou o BTG Pactual sobre a performance do Inter. 

Esse banco digital, além de aumentar a sua base de clientes, conseguiu também aumentar a sua receita média por usuário. A receita total do Inter ficou em R$ 638,7 milhões, alta de 119% na base anual. 

Lucro do Inter é impactado por gastos para atrair clientes

“O crescimento vem com uma penalidade pelo menos no curto prazo. O lucro líquido ainda foi baixo, impactado pelas despesas com cashback, com processamento de dadores e maiores provisões para créditos de liquidação duvidosa”, contrapôs o BTG Pactual. Os gastos com despesas operacionais do Inter superaram em quase 50% o consenso do BTG.

No BMG (BMGB3), o lucro foi de R$ 85 milhões, queda de 15% na base anual, enquanto que a base de contas digitais avançou 240% na mesma base, para 4,6 milhões, e o número de clientes ativos 28,2%, para 5,8 milhões. 

Diferentemente  do Inter, porém, a rentabilidade deste se deteriorou. “O BMG segue o caminho inverso de recuperação de rentabilidade que temos observado nos outros bancos. Mais uma vez, revisou seu guidance”, afirmou a Genial Investimentos em relatório. 

BMG vê receita de crédito diminuir

Segundo os analistas da casa, o BMG foi, principalmente, impactado pela alta da Selic, que diminuiu a sua receita com empréstimos – o que deve se acentuar até o final de 2021. O banco ainda optou por mudar o seu mix de produtos, focando, por exemplo, no crédito consignado, que oferece margens menores. 

O Inter aumentou a sua linha de crédito com foco no cartão de crédito e pequenas e médias de empresa, que oferecem mais ganhos – mas, como já mencionado, viu seu lucro ser impactado pelas maiores provisões para pagadores duvidosos. O BGM, pelo contrário, segundo a Genial tem “as inadimplências das maiorias das linhas de negócio comportadas, apresentando queda média de 0,25 pontos percentuais no ano, para 4,5%”.

O Pine (PINE4), outro banco digital, foi no mesmo caminho que o Inter e conseguiu aumentar a sua carteira de crédito em 8,5%, chegando a R$ 4,3 bilhões, a despeito da alta do juros. Este banco digital conseguiu conciliar o crescimento da sua carteira com a diminuição do número de devedores dos níveis E e H, com inadimplência maior do que 180 dias, de 7% para 6%. 

Mesmo assim, o Pine viu seu lucro líquido recuar 34,9% na base anual. Os comentários do mercado são que, apesar do crescimento das receitas de crédito recorrente, a rentabilidade caiu  em razão dos menores ganhos com tesouraria e maior custo de funding. 

Oferta de serviços do Inter é diferencial

A verdade é que o Inter, apesar de ter crescido em sua carteira de crédito, viu seu resultado ser também muito impulsionado pelos demais serviços que oferece. O Inter Shop, por exemplo, registrou um volume bruto de mercadorias de R$ 774 milhões, crescendo 531% ao ano. O braço de seguros, por sua vez, atingiu 532 mil clientes, alta de 342% no ano. 

“Embora a lucratividade permaneça baixa, a maioria dos KPIs do Inter que gostamos de acompanhar aumentam nossa confiança na tese de investimento”, afirmou o BTG Pactual. 

A Genial também apontou que o BMG conseguiu um bom desempenho no seu braço de seguros, que teve a sua carteira crescendo 34% no ano, bem como a subsidiária de adquirência de cartão (na qual o Inter tem 45% de participação), ou maquininhas, que viu o seu volume financeiro transacionado aumentar cinco vezes em relação ao segundo trimestre de 2020, chegando a R$ 1,2 bilhão – o que, porém, não mudou a frustração com o lucro. 

O BMG, então, se diferencia das demais principalmente por não ter conseguido aumentar a sua carteira de crédito. Inter e Pine, a despeito da alta do juros, estão conseguindo avançar neste setor, expandindo suas carteiras. O primeiro, em geral, é visto como um dos tops picks do BTG para o Brasil.

“O maior apetite para aumentar a carteira de empréstimos, a parceria com a Stone e o recente follow-on aumentam nossa confiança na tese de investimento. Continuamos otimistas com a tese e reiteramos o Inter como um dos nossos top picks no Brasil”, afirmaram os analistas.

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