Banco Safra renova carteira para maio e exclui RENT3

Osni Alves
Jornalista | osni.alves@euqueroinvestir.com
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Crédito: Banco Safra renova carteira para maio ao excluir RENT3

O Banco Safra decidiu seguir uma linha mais defensiva em sua carteira por conta da crise do coronavírus. Por conta disso, excluiu a Localiza (RENT3) do pacote.

Para a instituição, abril foi de forte recuperação nos preços dos papéis negociados em Bolsa, embora permaneçam em níveis bastante inferiores aos observados no início do ano.

Nesse cenário, a carteira do Safra apresentou ganhos de 13,30% no mês passado. Como comparação, o principal índice de ações do mercado, o Ibovespa, avançou 10,25%.

Conforme os analistas do banco, o movimento positivo também foi visto nos mercados internacionais. Eles promoveram uma live na tarde desta terça-feira (5).

Brasil

De acordo com os analistas, o banco projeta uma queda no PIB (Produto Interno Bruto) de 4,4% neste ano.

Também, um ambiente bastante deflacionário, com IPCA indo a 2% ou até abaixo disso, e taxa de juros em torno de 3% até o final do ano.

Para eles, a severidade da crise vai ser bastante impactante nas ações. Inclusive, o rebalanceamento na carteira desse mês se pauta em visão de curto prazo e otimismo moderado. “Não temos previsão de retomada da economia”, disseram.

E acrescentaram: “entretanto, sabemos que a crise não vai ser para sempre.”

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Exterior

Conforme os analistas, o exterior mostrou alguma recuperação no preço dos ativos, reagindo às trajetórias de declínio no crescimento do número de novos casos de Covid-19.

A expectativa pelo surgimento de algum tratamento para combater a doença também influenciou positivamente os preços.

Entretanto, isso não significa que o cenário econômico seja benigno. Para eles, todos os dados sobre a atividade econômica revelaram fortes quedas e apontam para um cenário de forte recessão global.

Em razão de todo esse panorama, a instituição promoveu pequenos ajustes de peso dos ativos na carteira. Os estrategistas ajustaram para cima a exposição em B3, de 5% para 7%.

Também a Hapvida passou de 4% para 6%, a Raia Drogasil passou de 2% para 3%, e o Iguatemi passou de 4% para 5%.

Já o Bradesco foi reduzido de 12% para 11%, a Petrobras caiu de 13% para 11%, e o Pão de Açúcar diminuiu de 5% para 4%.

LOCALIZA (RENT3)

O Banco afirma gostar bastante da empresa, entretanto optou por retirar do portfólio.

A companhia está fazendo promoções para manter os motoristas de Uber com os carros e deve postergar a renovação da frota para se beneficiar da esperada retomada da economia no segundo semestre.

Além disso, 40% do seu serviço de Rent a Car é composto pelos aluguéis mensais, produto que tem se mostrado bastante resiliente na crise, pois a maioria dos clientes é PJ.

A companhia elaborou um plano agressivo de corte de custos e pode voltar a renegociar contratos com aeroportos, com potencial melhora da rentabilidade desses canais de venda no futuro.

B3 (B3SA3)

O Safra mantém a B3 na carteira recomendada por conta de earnigs momentum.

A companhia vem apresentando uma sequência de fortes volumes de negociação em sua divisão de ações, o que, somado com a pequena estrutura de custos, deve garantir um bom resultado, com EBITDA e Lucro crescendo dois dígitos.

Dito isto, o banco espera bom resultado do 1T20.

HAPVIDA (HAPV3)

A Hapvida tem um modelo de negócios oportuno, oferecendo planos de saúde a um custo altamente acessível devido à sua estrutura verticalmente integrada, com um enorme foco em processos, protocolos e prevenção.

O risco de um colapso no sistema de saúde brasileiro, e mais especificamente da Hapvida, diminuiu com a companhia mostrando uma utilização de leitos sob controle e se preparando para um aumento de demanda por pacientes com Covid-19.

Dessa forma, o Safra diz acreditar que o múltiplo atual (38,7x) para os próximos 12 meses ainda oferece potencial de upside atrativo, de 34% até o final de 2020, devido à perspectiva de forte crescimento para a ação.

IGUATEMI (IGTA3)

O banco aumentou a exposição ao Iguatemi. O setor de shoppings tem um perfil defensivo e a empresa possui portfólio resiliente, voltado para classes mais altas de renda, e com maior exposição ao estado de São Paulo, que tem a economia mais dinâmica do país.

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RAIA DROGASIL (RADL3)

RaiaDrogasil combina a resiliência do setor de farma com uma execução exemplar, que tem resultado em ganhos consistentes para os acionistas.

O banco incluiu RADL3 na carteira como um ativo defensivo, mas com potencial de crescimento sustentado em meio a um ambiente competitivo mais benéfico.

No médio prazo, o Safra diz enxergar aumento de possibilidades de aquisições como uma forma de alavancar a geração de valor para os acionistas.

BRADESCO (BBDC4)

O banco mantém o Bradesco na carteira recomendada do mês, apesar de ter divulgado um resultado fraco, com significativo aumento de provisões para fazer frente a um cenário mais desafiador e sinais de deterioração de carteira.

O Safra considera o papel do Bradesco ainda atrativo, dado o atual patamar de valuation.

PÃO DE AÇÚCAR (PCAR4)

O varejo alimentar tem sido o mais resiliente num cenário macro afetado pelo coronavírus, e o Safra diz acreditar que o GPA é o melhor ativo para se posicionar nesse segmento.

A companhia reportou bons resultados de vendas para o 1T20 e deve continuar apresentando bom momento quando divulgar o resultado para o trimestre no dia 13 de maio, com ganho de margem devido ao aumento das vendas e à redução de promoções.

PETROBRAS (PETR4)

O banco manteve as ações da Petrobras (PETR4) na carteira, apesar da crise do mercado internacional de petróleo e o contexto desfavorável no curto prazo.

Entretanto, a empresa segue oferecendo valuation atrativo e adotou medidas de preservação de caixa frente à crise, como postergação de investimentos, corte de custos e medidas de ganho de eficiência.

A empresa segue focada no segmento de exploração e produção de petróleo, seguindo com planos de desinvestimento em atividades não-core.

Além disso, as ações da Petrobras seguem negociando com desconto em relação a seus pares globais.

BANCO DO BRASIL (BBAS3)

O Safra manteve o Banco do Brasil na carteira e considera que a instituição divulgue resultados ligeiramente positivo neste primeiro trimestre, com crescimento de lucro, mesmo com um nível de provisionamento acima do normal e elevação de impostos.

Para o Safra, o Banco do Brasil ainda é um dos nomes preferidos no setor bancário, dado seu atrativo valuation.

BRADESPAR (BRAP4)

O Safra afirma que tem predileção pelo Bradespar em contraponto à Vale. Eles estimam que o valor de mercado atual da empresa represente um desconto de 24% em relação ao valor da sua participação na mineradora.

BRF (BRFS3)

O Safra diz acreditar que a BRF deva se beneficiar de uma demanda doméstica de alimentos resiliente e do efeito positivo de um real mais desvalorizado nas suas exportações.

CPFL (CPFE3)

Para o banco, CPFL é uma empresa de qualidade comprovada pelo mercado. Apesar de no curto prazo a demanda ser impactada pelo confinamento, a agência reguladora do setor (ANEEL) já anunciou medidas de socorro às distribuidoras de energia.

A CPFL oferece alguns pontos de atratividade para investidores como crescimento via aquisições no segmento de distribuição e geração e distribuição de dividendos.

ENERGISA (ENGI3)

O Safra manteve a Energisa como parte da estratégia de mitigação de riscos aos impactos do Covid-19 no contexto macroeconômico.

Energisa conta com uma gestão familiar com mais de 100 anos de experiência no setor, com potencial de crescimento vindo da recuperação das distribuidoras adquiridas da Eletrobras.

Apesar de no curto prazo a demanda ser impactada pelo confinamento, a agência reguladora do setor (ANEEL) já anunciou medidas de socorro às distribuidoras de energia.

ENGIE (EGIE3)

Já a Engie, conforme o banco, permanece na carteira como estratégia de mitigação de riscos contra os impactos do Covid-19 no contexto macroeconômico, uma vez que os preços atuais oferecem um bom ponto de entrada.

Engie é uma empresa que atua nos segmentos de geração e transmissão de energia elétrica, contando com um portfólio bem diversificado.

No ano passado, a empresa adquiriu da Petrobras a transportadora de gás TAG, abrindo uma via de oportunidades no futuro.

Além disso, Engie distribui bons dividendos recorrentemente, aumentando a atratividade das ações.

MAGAZINE LUIZA (MGLU3)

Para o Safra, o Magazine Luiza continuará entregando resultados bem acima do mercado, com seu modelo de vendas omnichannel que se beneficia da rede de lojas para ter um serviço diferenciado no segmento de ecommerce e marketplace.

O lançamento da carteira digital em março deve aumentar ainda mais a visibilidade da companhia e ajudar no desempenho da ação.

O banco escolheu MGLU3 como o melhor ativo para alavancar os ganhos no caso de uma recuperação mais rápida que o esperado.

MOVIDA (MOVI3)

O Safra optou por manter a Movida apesar dos impactos negativos esperados em alguns de seus segmentos de negócio.

Mesmo com a queda da taxa de ocupação para 60%, a companhia conseguiu manter o volume de clientes do Uber devido à sua característica de contratos pré-pagos e mensais.

Para o banco, as menores tarifas e os descontos concedidos aos motoristas de aplicativo serão compensados quando a retomada da economia acontecer, pois os veículos já estarão rodando nas ruas.

No segmento de seminovos, a companhia não irá abaixar o preço dos carros e não fará renovação de frota no curto prazo, pois preferem esperar algum tempo para vender os veículos posteriormente sem descontos.

SANTANDER BRASIL (SANB11)

O Safra afirma gostar do Santander, principalmente agora pelo resultado do 1T20. O lucro do banco cresceu em um digito alto, 10,5% a.a.

Além disso, a carteira de crédito do banco manteve um crescimento forte, de cerca de 21,8% a.a, com nível de despesas sob controle.

O lado negativo do trimestre foi o aumento de 19.3% a.a em provisões e o resultado de serviços mais fraco, sendo menos 1,0% YoY.

TIM (TIMP3)

O Safra diz esperar resultados positivos quanto ao primeiro trimestre da operadora.

Apesar de a receita crescer em um ritmo mais fraco nesse trimestre, o banco espera que a boa gestão de custos e despesas da empresa garanta crescimento de EBITDA para o trimestre.

VALE (VALE3)

O Safra manteve a Vale na carteira por acreditar que irá se beneficiar da retomada da atividade econômica na China, com a manutenção na demanda por minério de ferro, do aumento na sua produção, que deve ocorrer de forma gradual sem pressionar os preços de minério, e da esperada tendência de diminuição de custos ao longo do ano.

A situação financeira da empresa permanece sólida e a intenção é retomar o pagamento de dividendos após a diminuição das incertezas trazidas pela pandemia de Covid-19.