Banco Pan (BPAN4) registra alta de 22% no lucro líquido do 2TRI20

Felipe Moreira
Especialista em Mercado de Capitais e Derivativos pela PUC - Minas, com mais de 7 anos de vivência no mercado financeiro e de capitais. Apaixonado por educação financeira e investimentos.

Crédito: Divulgação

O Banco Pan (BPAN4) apresentou um lucro líquido de R$ 143,9 milhões no segundo trimestre de 2020.

Isso representa um crescimento de 22% frente ao lucro do segundo trimestre de 2019 e uma redução de 16% em relação ao primeiro trimestre de 2020.

No semestre, o lucro líquido foi de R$ 314 milhões, crescimento de 47% em relação aos primeiros seis meses de 2019.

O retorno anualizado sobre patrimônio líquido médio foi de 11,4%, frente ao retorno de 13,7% no primeiro trimestre de 2020 e de 11,2% no segundo trimestre de 2019.

O ROE ajustado (não auditado) foi de 19,9% a.a. no segundo trimestre e de 21,5% a.a. no semestre.

Em relação ao resultado ajustado, ele reflete dois legados:

  • O excesso de despesa financeira de CDB pré-fixados emitidos entre 2005 e 2008 (com vencimento médio em 2023), comparado ao que o PAN paga atualmente para o mesmo prazo no mercado; e
  • o excedente de crédito tributário de prejuízo fiscal, em relação ao mercado bancário, advindo das inconsistências contábeis encontradas em 2010.

Assim, o índice de Basileia do Banco Pan avançou para 15,9%, integralmente composto por capital principal, e o patrimônio líquido encerrou o trimestre em R$ 5,1 bilhões.

Segundo a empresa, a originação média mensal de varejo atingiu R$ 2 bilhões no segundo trimestre, 11% superior no trimestre e 23% acima no ano.

Isso reflete o avanço relevante da contratação digital, alavancando os canais B2B e B2C.

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De abril a junho, mais de 60% da produção de consignado foi formalizada digitalmente e, em junho, esse percentual chegou a 66%.

Em financiamento de veículos e motos, a produção contratada digitalmente alcançou 90% no trimestre e 94% em junho.

“A maturidade da nossa digitalização foi essencial para a boa performance nesse trimestre. Conseguimos aumentar de forma relevante nossa originação e obtivemos bons resultados na cobrança, mesmo com o distanciamento social” explica Carlos Eduardo Guimarães (Cadu), CEO do Banco PAN.

BPAN4 versus Ibov em seis meses

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Fonte: TradingView

Crédito

A carteira de crédito expandida do banco encerrou o segundo trimestre com saldo de R$ 24,730 bilhões, apresentando redução de 1% em relação ao primeiro trimestre de 2020.

Entretanto, houve crescimento de 10% em relação ao saldo de R$ 22,536 bilhões de um ano antes.

A carteira core – composta pelas carteiras de crédito consignado, financiamento de veículos e cartões de crédito – apresentou crescimento de 19% nos últimos 12 meses.

Já a carteira de empréstimos consignados encerrou o trimestre com saldo de R$ 10,981 bilhões, apresentando uma redução de 4% no trimestre e crescimento de 3% na comparação anual.

Nesse trimestre, o banco superou a marca de 5,7 milhões de clientes sob gestão.

Inadimplência

Em razão do momento econômico, o indicador de inadimplência acima de 90 dias passou de 5,7% no primeiro trimestre, para 7% no segundo trimestre.

“Cabe ressaltar que neste segundo trimestre foram prorrogadas apenas 2 parcelas de 11 mil contratos, representando menos de 1% da carteira total”, informou a empresa no comunicado de imprensa.

Desta maneira, acrescentou, os números de inadimplência acima já refletem o real impacto da crise na carteira do PAN.

Além disso, o indicador mais curto, de 15 a 90 dias de atraso, apresentou uma redução importante de 10,8% em abril para 8,9% em junho.

“Nossa carteira é bem resiliente, sendo 95% composta por crédito consignado e créditos com garantia. Ao longo do segundo trimestre, houve uma tendência clara de melhora no recebimento de crédito”, afirmou Cadu.

Segundo ele, em veículos, no mês de junho, já observado o mesmo patamar do primeiro trimestre.

“Mesmo assim, continuaremos gerindo crédito, liquidez e capital de forma conservadora”, reforçou o executivo.

Captação

O saldo de recursos captados totalizou R$ 24,2 bilhões final do trimestre, apresentando a seguinte composição:

  • R$ 11,3 bilhões em depósitos a prazo, representando 47% do total;
  • R$ 8,5 bilhões em depósitos interfinanceiros, ou 35% do total;
  • R$ 3,8 bilhões referente a emissões de letras financeiras, ou 16% do total;
  • R$ 366 milhões de letras de crédito imobiliário, ou 2% do total;
  • R$ 201 milhões outras fontes de financiamento, equivalentes a 1% das captações totais.

Despesas

As despesas administrativas e de pessoal totalizaram R$ 369 milhões no período, frente aos R$ 371 milhões no 1º trimestre de 2020 e aos R$ 293 milhões do 2º trimestre de 2019.

A margem financeira gerencial foi de 19,1% a.a. frente aos 18,3% a.a. do 1º trimestre de 2020 e aos 18,9% a.a. do 2º trimestre de 2019.

De acordo com o Banco Pan, o desempenho está relacionado aos spreads robustos das operações de crédito e aos ganhos na cessão de carteira.

Conta Digital

A conta digital segue crescendo em linha com as expectativas do Banco e tem sido um instrumento relevante para engajar os clientes e parceiros, otimizando oportunidades de cross sell e upsell, além de incrementar o portfólio de produtos e serviços. No 2T20, foram lançadas novas features, como a portabilidade de salário, e nos próximos meses serão acrescentadas a oferta de autocontratação no consignado, investimentos em renda fixa e ferramentas de educação financeira.

O Banco também anunciou parcerias com empresas de diferentes setores da economia com o objetivo de diversificar canais de distribuição, acelerar o processo de inovação e oferecer a melhor experiência ao cliente. No segundo trimestre, o PAN assinou acordos com a operadora de telefonia Claro, as fintechs Mobills e Celcoin, e a health tech Avus.

“Nossa estratégia permanece a mesma: oferta completa de créditos e serviços financeiros para os nossos clientes, intensa digitalização e diversificação de produtos e canais”, conclui o executivo.

Quem é o Banco Pan?

Controlado conjuntamente pelo Banco BTG Pactual e pela Caixa Participações, conta com 2.434 colaboradores, possui patrimônio líquido de R$ 5,1 bilhões e atua com foco em pessoas físicas (classes C-D-E).

Entre suas ofertas está crédito consignado (empréstimo e cartão de crédito), financiamento de veículos usados e motos novas, além de conta corrente digital completa, cartões de crédito e venda de seguros.

Opera com uma rede de 12,2 mil lojas e concessionárias parceiras e mais de 670 correspondentes bancários, além de 60 pontos de atendimento próprios.