Banco Mundial estima retração de 5% no PIB do Brasil em 2020

Felipe Moreira
Felipe Moreira é Graduado em Administração de empresas e pós-graduado em Mercado de Capitais e Derivativos pela PUC - Minas, com mais de 6 anos de vivência no mercado financeiro e de capitais. Apaixonado por educação financeira e investimentos.
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Crédito: Shutterstock

O Produto Interno Produto (PIB) do Brasil deve cair 5% em 2020, em reflexo dos impactos econômicos do coronavírus, segundo relatório divulgado neste domingo (12) pelo Banco Mundial. O estudo analisou os efeitos da pandemia na economia da América Latina e Caribe.

De acordo com o relatório, o PIB na região da América Latina e Caribe (excluindo Venezuela) deverá cair 4.6% em 2020. E para o próximo ano, é esperado um retorno ao crescimento de 2.6%.

Para Paulo Filipe, assessor de investimentos da EQI, a queda do PIB brasileiro é mais acentuada porque enquanto Brasil vinha se recuperando da crise, o mundo estava em crescimento forte por muitos anos. Por isso, o impacto no Brasil é mais severo que no resto do mundo.

“A recessão já está em curso, o que mercado está avaliando agora como vai ser a retomada. Se ela vai ser rápida em “V”, ou se ela vai ser demorada, uma curva em “U”, mais lenta”, disse Filipe.

Na semana passada o presidente do FED informou que acredita que a retomada da economia aconteça já no segundo semestre deste ano. Mas, Paulo acrescenta que ainda é cedo para prever ao certo quanto levará para que a economia volte ao eixo.

Os países da América Latina e Caribe devem sofrer um grande choque do lado da oferta causado pela pandemia de coronavírus. Isso porque a demanda da China e dos países do G7 deverá cair drasticamente, afetando os exportadores de matérias-primas da América do Sul e os exportadores de serviços e bens manufaturados da América Central e Caribe. O colapso do turismo terá impacto severo em alguns países do Caribe, informou o relatório.

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Enfrentamento

Segundo o relatório, os programas de assistência as pessoas mais vulneráveis devem ser rapidamente ampliados e estendidos para enfrentamento da perda de renda.

Em paralelo, os governos precisam apoiar as instituições do setor financeiro e as principais fontes de emprego.

“Precisamos ajudar as pessoas a enfrentar esses enormes desafios e garantir que os mercados financeiros e os empregadores sobrevivam à tempestade,” disse Humberto López, Vice-Presidente Interino do Banco Mundial para a região da América Latina e Caribe. “Para tal, é preciso limitar os danos e lançar as bases para a recuperação o mais rapidamente possível.”

Os governos precisarão arcar com grande parte dos prejuízos. Isso pode exigir a aquisição de participação em instituições do setor financeiro e empregadores estratégicos por meio de recapitalização. Esse apoio será essencial para preservar os empregos e possibilitar a recuperação.

“Os governos da América Latina e do Caribe enfrentam o enorme desafio de proteger vidas e ao mesmo tempo limitar o impacto das consequências econômicas,” disse Martin Rama, Economista-Chefe do Banco Mundial para a região da América Latina e Caribe. “Isso exigirá políticas coerentes e direcionadas em uma escala raramente vista antes”.

Brasil

Segundo Paulo, o governo brasileiro tem adotado medidas para injetar dinheiro na economia visando liberar crédito e evitar demissões. Na tentativa de salvar empresas e salários porque o desemprego alto acaba fazendo com que a crise se estenda por mais tempo.

O mercado considerou boas as medidas anunciadas em comparação com 2008 elas foram muito maiores. Em 2008, foi liberado algo em torno de R$ 110 bilhões ante mais de R$ 1 trilhão neste ano, disse o Assessor.

“No entanto, o mercado ainda enxerga como necessário algumas medidas, principalmente diretamente para empresas. Foram realizadas muitas medidas para salvar o mercado financeiro, dar liquidez ao mercado”.

“Mas faltam ainda medidas concretas para empresas, principalmente, para micro e pequenas empresas, onde se concentra grande parte dos empregos e geralmente essas empresas não têm caixa”, ressaltou Paulo.

“Além disso, a gente tem a atuação do Banco Central que com mais queda da taxa de juros pode ajudar na recuperação a médio e longo prazo do mercado” finalizou.

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