Banco do Brasil: plano de privatização está fora das prioridades do governo e é adiado

Fernando Augusto Lopes
Redator e editor

Crédito: Fernando Bizerra/Agência Senado

O presidente Jair Bolsonaro negou publicamente a intenção de privatizar o Banco do Brasil. O jornal O Globo havia destacado que a equipe econômica do governo estudava vender o controle da estatal até 2020. Porém, ainda faltava convencer o presidente.

Nessa quinta-feira (5), Bolsonaro afirmou: “Vi na capa no Globo de ontem, que (…) diz que pessoal começa a estudar privatização do Banco do Brasil. Servidor de terceiro escalão fala aquilo, eu não tenho nada a ver com isso. Eu não tenho como controlar centenas de milhares de servidores no Brasil. Da minha parte, não existe qualquer intenção de pensar em privatizar Banco do Brasil ou Caixa Econômica. Zero”.

A visão de Paulo Guedes

Ao contrário do chefe, o ministro da Economia, Paulo Guedes, nunca negou que, se dependesse unicamente de sua vontade, venderia todos os bancos e empresas cujo controle é do governo.

Mas Bolsonaro, desde a transição, tem resistido a incluir o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal na lista de empresas que podem ser privatizadas.

Mercado vê privatização como positiva

Conforme destaca o Bradesco BBI, através de sua equipe de análise, a privatização do Banco do Brasil e de outras estatais provavelmente seria vista como positiva pelo mercado: “Para o banco, provavelmente proporcionaria maior agilidade e tempo de colocação no mercado (o tempo que leva para que um produto seja concebido até estar disponível para venda) mais rápido, pois não estaria mais sujeito aos obstáculos e requisitos que as instituições controladas pelo estado precisam seguir”.

Assim, na visão da análise, a diferença entre o Banco do Brasil e os seus concorrentes tenderia a encolher de forma significativa. A alternativa vista mais razoável pelo banco, ainda que não seja a mais provável, é o governo vender a sua participação no mercado para uma posição abaixo de 50%, entregando o controle.

O Bradesco BBI segue com a observação: “Uma estrutura com golden shares (ações detidas pelo poder público quando se desfaz do controle acionário de alguma sociedade e que pode conferir poderes especiais ao estado) poderia existir, mas teria que ser discutida no escopo dos níveis de governança corporativa da bolsa (o BB é negociado no Novo Mercado da B3 e poderia ter esse nível de negociação na bolsa revisto)”.

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Os analistas destacam que não importa o caminho a ser escolhido: provavelmente exigiria tempo e discussões. Com tudo isso, mais a concorrida agenda do governo, e um quadro que inclui as eleições em 2020 e a negativa do presidente, privatizar o Banco do Brasil não parece estar na lista de prioridades.