Banco do Brasil (BBAS3): Fitch mantém rating BB- e perspectiva negativa

Marco Antônio Lopes
Editor. Jornalista desde 1992, trabalhou na revista Playboy, abril.com, revista Homem Vogue, Grandes Guerras, Universo Masculino, jornal Meia Hora (SP e RJ) e no portal R7 (editor em Internacional, Home, Entretenimento, Esportes e Hora 7). Colaborador nas revistas Superinteressante, Nova, Placar e Quatro Rodas. Autor do livro Bruce Lee Definitivo (editora Conrad)
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A agência de classificação de riscos Fitch reafirmou o rating BB- do Banco do Brasil (BBAS3), com perspectiva negativa, nesta terça (8).

A Fitch diz que acredita que as constantes mudanças na alta administração do banco — houve três alterações desde a posse do atual governo, em janeiro de 2019 — não afetarão a estratégia de longo prazo da instituição: a linha de reporte nos diversos comitês foi mantida, assim como suas estruturas e objetivos, o que aponta para a manutenção da estratégia.

“Até agora, Fitch não viu sinal de influência que indique má gestão, mas monitora continuamente possíveis interferências políticas e seus efeitos”, diz o relatório da agência.

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Como parte das medidas governamentais para atenuar o impacto econômico da pandemia de Covid-19, o BB renegociou 20% de sua carteira de crédito no final de 2020. “Atualmente, 20% dos créditos renegociados ainda se encontram em período de carência, sendo a maior parte relacionada a estados e municípios, que têm garantias do governo federal”, explica a agência.

Créditos

Os índices de qualidade dos ativos do BB se mantiveram adequados em 2020 e no primeiro trimestre de 2021, prossegue o relatório. Os créditos classificados nas faixas ‘D-H’ totalizaram 8,3% em março de 2021, de 8,8% no final de 2020 e 8,4% em 2019.

Em março de 2021, os créditos em atraso há mais de noventa dias (NPLs), como porcentagem do total de créditos, foram 2,0% (1,9% em 2020 e 2,9% em 2019), enquanto a cobertura de NPLs aumentou de 196% no final de 2019 para 328,2% no primeiro trimestre de 2021, patamar melhor do que o de seus pares.

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O banco também tem reduzido gradativamente as concentrações de sua carteira de crédito. Os vinte maiores clientes caíram de 14,9% do total ao final de 2018 para 13% em março de 2021.

“Apesar da adequada cobertura e da carteira estável, a Fitch acredita que a qualidade dos ativos do BdB continuará sujeita às pressões que podem surgir dos atrasos no processo de reabertura da economia e do programa de vacinação, que provavelmente só se tornará relevante no final de 2021”, observa a agência.

Rentabilidade

A rentabilidade continuou adequada em 2020, apesar do ambiente operacional desafiador. O índice resultado operacional/ativos ponderados pelo risco foi de 1,65% ao final de 2020, de 1,4% um ano antes (ante 2%, em média nos últimos quatro anos).

A rentabilidade é sustentada por uma estratégia de contínua melhoria da eficiência, que tem conseguido compensar parcialmente as despesas com provisões para créditos realizadas em 2020, que foram 16% superiores às de 2019. “No entanto, o índice de eficiência do BB ainda é pior que o dos maiores bancos privados”, pondera o relatório.

A captação do banco é diversificada e baseada no varejo, nota a Fitch. “Em março de 2021, o Banco do Brasil era o maior do país em volume de depósitos a prazo. Depósitos de clientes e letras de crédito, que são muito semelhantes a depósitos, representaram 49,5% da captação total em março de 2021”, pontua.

“Em termos locais, é considerado um porto seguro em momentos de crise. Em 2020, a entidade reportou crescimento de 24% no volume de depósitos de clientes, o que também se traduz em um bom custo de captação. A liquidez continua confortável. Em março de 2021, os índices de cobertura de liquidez e de liquidez de longo prazo foram de 314,8% e 117,9%, de 297,6% e 113,3% respectivamente, um ano antes, enquanto o índice ajustado créditos/depósitos (incluindo produtos semelhantes a depósitos) foi de adequados 94%”, conclui a agência.