Banco do Brasil (BBAS3): fechamento de agências pode impactar FIIs

Regiane Medeiros
Economista formada pela UFSC. Produz conteúdo na área de mercado de capitais, finanças pessoais e atualidades.
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Crédito: Divulgação

O Banco do Brasil (BBAS3) aprovou em 11 de janeiro uma série de medidas de reestruturação da organização, que devem ocorrer ainda no primeiro semestre de 2021.

As mudanças contemplam desativação de unidades, conversão de agências em postos de atendimento, transformação de negócios em lojas BB, entre outras.

Segundo o Banco do Brasil, a reorganização objetiva a adequação ao novo perfil e comportamento dos clientes e compreende, além das medidas de otimização de estrutura descritas acima, outros movimentos de revisão e redimensionamento nas diretorias, áreas de apoio e rede, privilegiando a especialização do atendimento e a ampliação da oferta de soluções digitais.

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Reflexos no BBPO11 e GTWR11

No mercado de Fundos Imobiliários a notícia assustou os cotistas de dois fundos: BB Progressivo II (BBPO11) e Green Towers (GTWR11).

Isso porque esses FIIs investem em prédios de escritórios e agências bancárias exclusivamente locados para o Banco do Brasil.

O BBPO11 foi criado em 2012 e conta com 64 agências e centros administrativos espalhados pelo país. Este Fundo é focado em gerar renda por meio de aluguel, de modo que não tem como objetivo a venda dos imóveis. O prazo inicial dos aluguéis foi de 10 anos, com vencimento em novembro de 2022.

Já o Green Towers (GTWR11) é um fundo com três torres na Asa Sul de Brasília, onde atualmente fica a sede do Banco do Brasil.

Segundo o professor Arthur Vieira de Moraes, o BBPO11 é considerado um dos FIIs mais importantes na consolidação do mercado de Fundos de Imóveis no Brasil.

“O mercado de FIIs tinha apenas 50 mil investidores antes de esse fundo surgir em 2012. O BBPO11 sozinho atraiu outros 50 mil cotistas: o mercado dobrou de tamanho por causa dele”, disse Moraes.

Como o contrato do BBPO11 chega ao fim em 2022, muitos cotistas estão apreensivos com o futuro do Fundo, mesmo com a possibilidade de renovação por mais 10 anos.

Já o GTWR11 tem a possibilidade de ser renovado, ou não, em 2023. Vale lembrar que, ainda em 2021, está prevista uma revisão no valor do aluguel, o que deve levar a mudanças do valor de locação.

Em live apresentada na última sexta-feira (15) o professor Moraes recebeu  Luiz Sedrani, CIO da BV Asset, e Silvia Benvenuti, head de produtos alternativos da gestora, para esclarecer sobre os possíveis rumos dos dois fundos.

A BV Asset, responsável pelo BBPO11 e GTWR11, declarou, por meio de Sedrani e Benvenuti, que a gestora está em negociação com o Banco do Brasil no intuito de renovar todos os contratos de alugueis.

“O BB está disposto a conversar conosco, mas queremos estar preparados caso eles decidam não renovar o contrato. Por isso, vamos fazer um estudo de locação para cada imóvel e entender os seus potenciais de uso. O objetivo é não deixar o fundo sem renda por nem um dia”, disse Benvenuti.

No entanto, caso o BB não renove o contrato de aluguel, Sedrani fala sobre um plano alternativo para os imóveis. “Agências bancárias normalmente estão em locais de fácil acesso e grande circulação, o que proporciona outras oportunidades para o fundo. A meta é abrir a cabeça e diversificar”.

Entre os segmentos, varejo e de saúde são algumas das apostas para o futuro do fundo.

“Ao mesmo tempo em que você desconstrói uma coisa, você constrói outra…Tem gente desocupando e tem gente ocupando”, pontuou Benvenuti.

Desse modo, ainda que o contrato de aluguel com o BB não seja renovado, os imóveis não ficarão vagos, tendo em vista que o mercado é dinâmico e novas oportunidades surgem a todo o momento.