Banco Central aponta aumento de 1,8% de crédito ampliado em outubro

Victória Anhesini
Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie
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Crédito: Banco Central (BC)/Divulgação

O Banco Central (BC) divulgou nesta sexta-feira (27) que o crédito ampliado ao setor não financeiro alcançou R$11,7 trilhões (160,9% do PIB) em outubro. Foi um aumento de 1,8% no mês e de 16,8% em doze meses.

A variação mensal decorreu de aumentos nos empréstimos e financiamentos (1,4%, com destaque para o crédito do SFN), nos títulos de dívida (1,7%, notadamente títulos públicos) e na dívida externa (2,3%, impactado pela depreciação cambial de 2,3% no mês).

Conforme o BC, o crédito ampliado a empresas e famílias totalizou R$6,6 trilhões (91,7% do PIB). As elevações foram de 1,2% no mês e de 19,2% em doze meses. Além disso, no mês, os empréstimos e financiamentos cresceram 1,4%. Os títulos de dívida permaneceram estáveis, com aumento no saldo de debêntures e retração no estoque de securitizados. O saldo da dívida externa cresceu 1,4%, percentual inferior ao da depreciação cambial, indicando diminuição do valor em dólar desse saldo.

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Sistema Financeiro Nacional (SFN)

De acordo com o Banco Central, o saldo das operações de crédito do SFN alcançou R$ 3,9 trilhões em outubro. Cresceu 1,4% no mês, com aumentos de 1,7% em pessoas físicas (saldo de R$2,2 trilhões). E de 1% na carteira de pessoas jurídicas (saldo de R$1,7 trilhão). Em doze meses, o crescimento da carteira total acelerou de 13,4% para 14,5%, resultado de expansões nos créditos às empresas (de 18,9% para 21,1%) e às famílias (de 9,4% para 9,8%).

O crédito livre para pessoas jurídicas totalizou R$ 1 trilhão. Houve aumentos de 0,8% no mês e de 25,2% na comparação interanual. Foram destacadas operações de capital de giro acima de um ano, aquisição de veículos e repasses externos, por variação cambial. O saldo do crédito livre a pessoas físicas alcançou R$1,2 trilhão, após elevações de 1,9% no mês. Além disso, cresceram 9,3% em doze meses, com aumentos em crédito pessoal consignado e não consignado, cartão à vista e financiamentos de veículos.

Já no crédito direcionado, a carteira de pessoas jurídicas alcançou R$ 664 bilhões em outubro. Este teve elevação de 1,4% no mês e de 15,2% na comparação interanual. O valor reflete a expansão em outros créditos direcionados (8% no mês e 121% em doze meses), devido aos programas de apoio a micro, pequenas e médias empresas criados para combater os efeitos da pandemia. O saldo com pessoas físicas alcançou R$982 bilhões, aumentos de 1,3% e de 10,4% nas mesmas bases de comparação, prosseguindo as expansões em crédito rural e financiamento imobiliário. 

As concessões totais de crédito somaram R$ 353 bilhões em outubro. Na série com ajuste sazonal, houve redução mensal de 0,6%, com elevação de 3,2% nas concessões às famílias. Por outro lado, houve redução de 4,8% naquelas às empresas. No acumulado do ano, em relação ao mesmo período de 2019, as concessões totais cresceram 5,6%, com elevação em pessoas jurídicas, 13,1%, e contração em pessoas físicas, 0,7%.

Indicador de Custo do Crédito

O Indicador de Custo do Crédito (ICC), referente ao custo médio de todo o crédito do SFN, situou-se em 17,3% a.a. em outubro (-0,1 p.p. no mês e -3,6 p.p. na comparação interanual). O ICC do crédito livre não rotativo situou-se em 22,9% (-0,1 p.p. e -5,2 p.p, nas mesmas bases de comparação). O spread geral atingiu 12,2 p.p. no mês (-0,1 p.p. e -2,5 p.p., nos mesmos períodos).  

Conforme o Banco Central, a taxa média de juros das operações contratadas em outubro alcançou 18,7% a.a., aumento de 0,6 p.p. no mês e redução de 4,8 p.p. em doze meses. O spread geral das taxas de juros das concessões situou-se em 14,6 p.p., elevação mensal de 0,3 p.p. e declínio de 4,1 p.p. na comparação interanual.  

No crédito livre, a taxa média de juros das concessões atingiu 26,5% a.a. Elevação mensal de 0,7 p.p. e redução de 8,8 p.p. na comparação interanual. No segmento de famílias, ocorreu elevação de 0,9 p.p. em outubro, para 38,9% a.a. Houve acréscimos em crédito pessoal não consignado (7,6 p.p.), cartão de crédito rotativo (7,8 p.p.) e cartão parcelado (6,6 p.p.).

Por fim, no crédito livre às empresas, a taxa média de juros situou-se em 12 p.p., com aumento de 0,5 p.p. no mês, destacando-se elevações em capital de giro (0,9 p.p.) e desconto de duplicatas e recebíveis (0,6 p.p.). Excluindo-se as operações rotativas, a taxa média de juros do crédito livre alcançou 20,9% a.a., aumento de 1,1 p.p. no mês e contração de 5,1 p.p. na comparação com o mesmo período do ano anterior.