O que esperar dos balanços de Vale (VALE3), CSN (CSNA3) e Gerdau (GGBR4)

Felipe Moreira
Especialista em Mercado de Capitais e Derivativos pela PUC - Minas, com mais de 8 anos de vivência no mercado financeiro e de capitais. Certificações: CPA-10, CPA-20 e AAI. Apaixonado por educação financeira e investimentos.
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Crédito: Divulgação vale

Os resultados do quarto trimestre marcam o final do ano de 2020, período desafiador para a indústria global. A pandemia e o isolamento impactaram a capacidade produtiva das principais companhias ao redor do mundo.

As siderúrgicas, como CSN (CSNA3), Usiminas (USIM5) e Gerdau (GGBR4) reduziram sua capacidade produtiva, desligando alguns de seus altos fornos, além de linhas de laminação. O IABR chegou a projetar retração de 12,1% para as vendas de aço no País em 2020 e queda de 13,4% na produção.

No entanto, o que aconteceu foi um contínuo aumento da demanda chinesa, não diminuindo sua produção de aço no período. A elevação na demanda e os cortes de produção reduziram estoques e causaram um aumento de preços no setor.

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O minério de ferro subiu 78% em 2020, a bobina quente subiu 41% e o vergalhão turco se valorizou 44%. No mercado doméstico, segundo a Eleven, o setor de pequenas reformas foi impulsionado por mais pessoas em casa, o que resultou em uma resiliência vista em aços longos e no setor de construção civil.

Para o último triemstre do ano passado, o resultado da mineração deve ser auxiliado por altas do minério de ferro (preço médio de IO 62% de US$ 131/ton), dólares em patamares elevados e um maior volume de vendas.

A China continua com a demanda alta e o descompasso entre produção e vendas se aproxima dos níveis pré-pandemia. As siderúrgicas, como CSN, Gerdau e Usiminas se beneficiaram de um mercado interno em ritmo melhor do que o visto no terceiro trimestre.

Com relação a 2021, a Eleven destaca que o primeiro trimestre deve ser marcado ainda pela recomposição dos
estoques das siderúrgicas, preço do minério de ferro elevado e forte demanda, com spreads ainda em patamares altos.

Minério de ferro

A Eleven projeta o preço do minério de ferro (IO 62%) em 2021 em cerca de R$ 125/ tonelada. Isso em função da dinâmica de oferta e demanda atuais.

Para o longo prazo, com uma maior normalização no cenário mundial a casa de análise projeta o em preço R$ 74/ton.

Para nossas empresas de siderurgia a Eleven também incorporou a recuperação dos spreads tanto para a bobina quente quanto para o vergalhão turco.

Em janeiro deste ano ambos os spreads se aproximaram da negociação de um desvio padrão com relação à média histórica, sendo que para o spread entre rebar e sucata houve um aumento com relação a dezembro de 14%.

Setor

A produção de aço bruto no ano passado totalizou 30,9 milhões de toneladas, uma redução de 4,9% na comparação anual e mostra um resultado acima da previsão revisada do IABr de queda de 6,4%. Aços planos tiveram queda de 6,8% enquanto longos terminaram o ano em linha com o que foi visto em 2019 (0,8% a/a).

As vendas para o mercado doméstico encerraram o ano em 19,249 milhões de toneladas, crescimento de 2,4% na comparação com 2019 bem acima da queda de 3,1% prevista pelo IABR.

Com relação à produção e vendas de automóveis, um dos setores mais afetados durante a pandemia, os dados da ANFAVEA foram melhores do que o que era esperado: o Brasil encerrou 2020 com uma produção de 2,01 milhões de veículos, retração de 32% com relação a 2019, mas acima da revisão de estimativas feitas pela ANFAVEA, que previa uma queda de 35%.

Vale (VALE3)

A Vale (VALE3) teve um forte aumento de vendas sobre o terceiro trimestre de 2020, +26% devido a vendas aquém do esperado no 3T20, onde parte de sua produção foi vendida no 4T20.

Nos demais produtos também houve forte crescimento de volumes vendidos, com exceção de pelotas, onde a falta de pellet feed nos sites da empresa prejudicaram a produção.

“Os preços das matérias-primas vendidas também tiveram alta relevante, contribuindo assim para o forte crescimento de receitas que o 4T20 deve apresentar” disse a Eleven.

A empresa não reportou aumento de custos, que devem ficar estáveis frente ao terceiro trimestre de 2020.

O 4T20 terá o efeito não recorrente do acordo de Brumadinho, que impactará o resultado em US$ 2,7 bilhões, afetando o Ebitda, o lucro da operação e consequentemente os dividendos, que podem ser compensados por uma distribuição extraordinária a ser decidida pelos conselheiros.

A Vale encerrou 2020 com 322 Mt de capacidade, superando a capacidade esperada para o ano, de 320 Mt.

Diante de um plano bem executado e com boas perspectivas para os próximos anos, somado à finalização dos acordos com o governo de Minas Gerais, a Elven mantém recomendação de compra para Vale e Bradespar, com preço-alvo de R$ 127,00 e R$ 89,00, respectivamente.

CSN (CSNA3)

A CSN (CSNA3) também aproveitou o mercado interno aquecido no último trimestre de 2020, direcionando mais
vendas de aço com melhores margens. Os aumentos de preços do aço para o setor automobilístico e demais setores terá maior efeito em 2021.

No entanto, segundo a Eleven, o grande destaque será novamente a unidade de mineração devido ao aumento no preço internacional de minério de ferro e pelo forte volume de vendas.

Com relação à unidade de cimentos, o quarto trimestre deve ser marcado por uma retomada do setor em termos de volumes vendidos e melhora de margens, além de ter um panorama positivo por conta de uma boa perspectiva
para os setores de construção e infraestrutura.

A Eleven vê a mineração com maior potencial de geração de valor para a CSN, principalmente por conta do robusto plano de expansão que visa aumentar a capacidade de 33 Mtpa para 108 Mtpa até 2033 (+227%).

Assim, a Eleven elevou a recomendação de neutra para compra mantendo com preço-alvo em R$ 43,00, como forma de capturar o potencial upside que a companhia apresenta, sobretudo em função de mais um trimestre que deve vir com forte resultado da mineração.

Gerdau (GGBR4)

“A Gerdau (GGBR4) vive seu melhor momento nos últimos cinco anos devido ao grau de utilização de
sua capacidade que se encontra em 80%, diluindo assim custos fixos que, aliado às reduções de descontos e ajustes de tabelas de preços, deve favorecer positivamente a margem da empresa”, escreveu a Eleven.

A casa de análise espera um aumento médio de 10% nos preços de venda do aço frente ao 3T20.

A companhia também está direcionando todo o volume possível para o mercado interno, que vive seu melhor momento histórico, com margens de 30% no Brasil. A venda de volumes no quarto trimestre, sazonalmente mais fraco, deve ser em linha com o 3T20. A companhia continuou se beneficiando do melhor momento da construção civil, que deve continuar em 2021 com uma grande quantidade de lançamentos imobiliários.

Assim, a Eleven espera que a Gerdau apresente excelente resultado para sua operação brasileira, ao mesmo tempo em que a operação da América do Norte se beneficia de boa expectativa para o crescimento do PIB para região. Nas ONs América do Sul e Aços Especiais devemos ver a contínua recuperação de receitas e margens, dado que ambas as unidades foram as mais prejudicadas pelas consequências da pandemia.

A Eleven mantém de compra para Gerdau (GGBR4) e Met. Gerdau (GOAU4) com preço-alvo de R$ 34,00 e R$ 17,00, respectivamente.

Usiminas (USIM5)

Entre as companhias cobertas, a Usiminas (USIM5) já divuglou resultados, reportando um lucro líquido de R$ 1,913 bilhão no quarto trimestre de 2020. Isso representa um crescimento de 613% em relação ao mesmo período do ano passado.

Em 2020, o Lucro foi de R$1,3 bilhão, maior lucro líquido anual desde 2010 e 243% superior ao de 2019.

O volume de vendas atingiu R$ 2,275 milhões de toneladas no período, redução de 9% na comparação ano a ano. Segundo a companhia, foi o maior volume desde o quarto trimestre de 2015.

Diante de um mercado interno aquecido e uma retomada melhor do que a esperada do setor automotivo, a Eleven reitera recomendação de compra para a Usiminas com preço-alvo em R$ 19,00.