Balanços, política e PIB dos EUA são destaque da semana

Rodrigo Petry
Editor-chefe, com 18 anos de atuação em veículos, como Estadão/Broadcast, InfoMoney, Capital Aberto e DCI; e na área de comunicação corporativa, consultoria e setor público; e-mail: rodrigo.petry@euqueroinvestir.com.
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Crédito: Reprodução/Flickr

A última semana do mês de abril vai ser agitada no Brasil, seja pela divulgação dos balanços do primeiro trimestre das empresas brasileiras ou pela crise política instaurada.

Após uma saída conturbada do agora ex-ministro da Justiça Sergio Moro, os investidores vão ficar atentos à sequência dos desdobramentos do mundo político – o que poderá causar mais ruídos.

Na sexta-feira, o procurador-geral da República, Augusto Aras, solicitou ao STF a abertura de um inquérito para apurar as declarações feitas por Moro contra o presidente Jair Bolsonaro.

Já no final de semana, o Twitter foi a ferramenta usada para que Moro e Bolsonaro discutissem – e criassem uma guerra de versões.

Adicionalmente, a saída de Moro do governo foi avaliada como negativa por 67% dos entrevistados, segundo pesquisa realizada pela XP Investimentos.

Política

Para o mercado, essa nova crise não poderia ter vindo em pior hora.

O Brasil e o mundo lutam contra as consequências econômicas e à saúde pública desencadeadas pela pandemia do novo coronavírus.

O governo já sofreu muito desgaste pelo desalinhamento na comunicação referente ao isolamento social, o que culminou na troca do comando no Ministério da Saúde.

Entretanto, um golpe ainda maior poderia vir caso o ministro da Economia, Paulo Guedes, perca força.

Segundo o jornal O Estado de S. Paulo, Guedes se mostrou contrário ao programa Pró-Brasil, anunciado na semana passada.

Conforme a publicação, houve um mal-estar entre Guedes e o ministro do Desenvolvimento Regional, Roberto Marinho, horas antes da fala de Bolsonaro sobre a demissão de Moro.

Guedes vem sendo “frito” pelos aliados do presidente por se mostrar contrário ao programa que tem por meta gerar 1 milhão de empregos com obras públicas financiadas pelo governo.

Veja o comportamento dos mercados na sexta:

Em meio a todos os ruídos desencadeados, a bolsa chegou a tocar, na mínima, os 72 mil pontos, enquanto o dólar chegou a superar os R$ 5,74.

O auge do estresse foi após as falas de Moro no final da manhã.

Ibovespa

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Fonte: TradingView

Dólar

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Fonte: TradingView

Balanços

Fora da política, os investidores vão se deparar com o início da safra de resultados do primeiro trimestre.

Mais do que os resultados em si, o principal a se acompanhar são as declarações durante as teleconferências sobre os impactos da quarentena e da pandemia no restante do ano.

Como a crise do Covid-19 se intensificou a partir de março, as consequências do vírus ainda não estarão totalmente reportadas.

Nesta segunda-feira, às 11h, a Hypera – que reportou lucro de R$ 238,2 milhões, queda de 25,8% na comparação anual – realiza teleconferência.

No mesmo dia, após o fechamento do mercado, a Neoenergia informa resultados.

Na terça-feira (28), saem os balanços de Minerva, Vale, Raia Drogasil, Banco Santander e Cielo.

No dia seguinte, na quarta (29), será a vez dos resultados de Isa Cteep, Multiplan, Weg, Petro Rio, Gol e Cesp.

Fechando a semana, na quinta (30), será a vez de Hering e Bradesco.

Indicadores

Entre os indicadores, destaque para o tradicional Focus, nesta segunda-feira (27), quando o mercado poderá fazer novas estimativas para o PIB.

Semana passada, o Focus ampliou a estimativa de queda do PIB para 2,96%.

Já na terça (28), sai a prévia da inflação oficial do governo de abril, com a divulgação do IPCA-15.

Para quinta-feira (30), estão previstos ainda indicadores de desemprego do IBGE e das contas do governo.

Exterior

No exterior, acontece a reunião do Federal Open Market Committee (Fomc), na quarta-feira (29).

Dia seguinte, os investidores vão acompanhar mais uma rodada de pedidos de auxílio-desemprego nos EUA, que na última semana acumulou mais de 25 milhões, desde o início da crise do Covid-19.

E, para finalizar, serão conhecidos os PIB’s do primeiro trimestre dos EUA, na quarta-feira, e da zona do euro, na quinta-feira.