Lucro de BB (BBAS3), Santander (SANB11), Bradesco (BBDC4) e Itaú (ITUB4) deve cair 24% no terceiro trimestre

Fernando Augusto Lopes
Redator e editor

Crédito: Arte / EQI

O setor de bancos começou a publicar seus lucros nesta semana com dois pesos pesados: Santander (SANB11) na terça-feira (27), e Bradesco (BBDC3 BBDC4), no dia seguinte.

Agora, após o feriado de Finados, serão conhecidos os números dos balanços de Itaú Unibanco (ITUB4), dia 3, e Banco do Brasil (BBAS3), dia 5.

O portal EuQueroInvestir consultou quatro casas (Eleven, Itaú, UBS e XP) para saber quais são as expectativas do mercado quanto aos resultados dos bancos no terceiro trimestre.

Tio Huli, EconoMirna, Natalia Dalat e outros tubarões dos Investimentos.

Não perca!

Lucro: melhora no trimestre, mas piora no ano

De forma geral, os balanços devem apresentar pioras no lucro do terceiro trimestre em comparação ao mesmo período do ano passado, mas melhora na comparação com o segundo trimestre.

É o que aconteceu com o Bradesco. Itaú e Banco do Brasil devem seguir a mesma linha.

O Santander foi ponto fora dessa curva.

Santander no 3T20

O Santander registrou um lucro líquido de R$ 3,902 bilhões no terceiro trimestre, um desempenho 82,68% superior ao reportado no segundo trimestre, de R$ 2,136 bilhões.

Com isso, o resultado ficou acima das expectativas do mercado, que aguardava por um lucro R$ 2,994 bilhões.

No acumulado dos nove primeiro meses de 2020, a Companhia alcançou um lucro gerencial de R$ 9,89 bilhões, queda de 8,6% sobre igual período do ano anterior.

O retorno anualizado sobre patrimônio líquido médio foi de 21,2% no terceiro trimestre, ante 12% no trimestre anterior.

Bradesco no 3T20

O Bradesco reportou um lucro líquido recorrente de R$ 5,031 bilhões referente ao terceiro trimestre deste ano.

O valor equivale a uma queda de 23,1% nos lucros frente a igual período do ano passado.

Com isso, o resultado ficou acima das expectativas do mercado,que aguardava por uma queda nos lucros em 27,8%.

Em relação ao trimestre anterior, o banco registrou avanço de 29,9% nos lucros. Já no acumulado de 2020, o Bradesco atingiu lucro de R$ 19,24 bilhões.

Análise das casas

Essas são as prévias dos resultados individuais das instituições financeiras.

Lembrando que foram consideradas as médias das projeções de Eleven, Itaú BBA, UBS e XP. Apenas no caso do Itaú, foram consideradas as prévias apenas de Eleven, UBS e XP.

Lucro recorrenteSantanderBradescoItaúBB
3TRI20 (realizado)R$ 3,902 biR$ 5,031 binão divulgadonão divulgado
3TRI20 (previsão)R$ 2,994 biR$ 4,723 biR$ 4,728 biR$ 3,730 bi
3TRI19R$ 3,705 biR$ 6,542 biR$ 7,156 biR$ 3,920 bi
2TRI20R$ 2,136 biR$ 3,873 biR$ 4,205 biR$ 3,310 bi
Variação ano (realizado)+5,32%-23,10%não divulgadonão divulgado
Variação ano (previsão)-19,19%-27,80%-33,92%-4,84%
Variação trimestre (realizado)82,68%29,90%não divulgadonão divulgado
Variação trimestre (previsão)40,10%21,94%12,43%12,68%

Menores provisões na comparação trimestral

Parte da melhora do lucro na comparação de julho a setembro ante abril a julho é explicada, sobretudo, pela redução das provisões.

De forma consolidada, sem considerar o BB, as provisões devem ter alta na comparação anual (+72,4%), mas queda (-15,5%) na trimestral.

Provisões consolidadas

3TRI20R$ -6,250 bi
3TRI19R$ -3,625 bi
2TRI20R$ -7,398 bi
Variação ano72,41%
Variação trimestre-15,51%

Por bancos, o maior aumento no provisionamento na comparação anual deve ficar com o Bradesco e o menor com Santander.

ProvisõesSantanderBradescoItaú
3TRI20R$ -4,505 biR$ -7,246 biR$ -7,00 bi
3TRI19R$ -3,125 biR$ -3,336 biR$ -4,495 bi
2TRI20R$ -5,534 biR$ -8,890 biR$ -7,770 bi
Variação ano44,16%117,20%55,72%
Variação trimestre-18,59%-18,49%-9,90%

Apenas para o Itaú foram consideradas duas casas (UBS e Eleven), os demais bancos tiveram a média de três casas (UBS, Eleven e Itaú BBA).

Bancos: fôlego para retomada

De acordo com relatório produzido pela Eleven, “o terceiro trimestre deve representar um fôlego para a retomada de rentabilidade dos bancos”.

Além disso, “o rígido controle de custos e ganhos de eficiência também devem ajudar os resultados do terceiro trimestre”, diz a Eleven.

Apesar da comparação ano a ano apresentar recuos, é preciso reforçar que o efeito pandemia não pode ser desprezado. E que há, sim, uma recuperação.

Menor risco

O Itaú BBA espera “melhores sinais de receitas de tarifas e despesas operacionais controladas”, o que pode ajudar a impulsionar os resultados.

Após o pico perdas com empréstimos, o terceiro trimestre provavelmente marcará uma queda sequencial no custo do risco dos bancos.

“Nosso acompanhamento dos dados de crédito do Banco Central do Brasil mostra uma queda sequencial nos inadimplentes de maio a agosto e não esperamos grandes preocupações dos bancos”, diz relatório do Itaú BBA.

A casa acredita que os bancos “serão menos conservadores com as provisões a partir do quarto trimestre deste ano”, visto que a recuperação da economia surpreendeu positivamente.

Essa é também a visão do UBS, que observa “uma forte contração do custo de risco dos bancos no terceiro trimestre, principalmente para o Bradesco e o Santander Brasil”.

Menor custo de risco e melhor receita de taxas de serviço provavelmente serão os principais impulsionadores dos ganhos dos bancos e da expansão do retorno sobre patrimônio líquido (ROAE).

Margens pressionadas

O UBS também calcula alguma contração sequencial no NII (receita líquida de juros), com queda de 6% no trimestre, em média.

No caso do Itaú Unibanco, essa contração deve ser ocasionada por margens de crédito pressionadas, que já impactaram os seus resultados no segundo trimestre.

Já Santander Brasil e Bradesco os registraram resultados comerciais anormalmente fortes, que deve se normalizar no terceiro trimestre, causando uma contração sequencial do NII.

Veja o lucro dos bancos no segundo trimestre na comparação anual:

bancos

Bancos devem ter piora no balanço no ano, mas melhora no trimestre

Bancos: inadimplência

Em relação à inadimplência, já deve haver alguma deterioração no terceiro trimestre. Dados do Banco Central do Brasil mostram um aumento no índice de inadimplência das famílias em agosto, embora nenhuma deterioração tenha sido detectada na tradicional métrica de 90 dias.

É uma observação de destaque no relatório da Eleven: “O ciclo de inadimplência a frente, que deverá se iniciar no primeiro semestre de 2021, será menos intenso”.

Por outro lado, diz a Eleven, os números atuais de inadimplência não representam a realidade, tornando mais difícil a análise dos balanços.

A melhoria das taxas provavelmente está ligada aos pacotes de assistência dos bancos e dos governos federal e estaduais.

As medidas emergenciais oferecidas pelo governo federal não devem permanecer sustentáveis por muito mais tempo.

Assim, o pico de inadimplência deve surgir entre o primeiro e segundo trimestres de 2021.

Conclusão

O Itaú BBA explica que a visão de baixa dos investidores sobre os bancos é explicada por resultados de curto prazo pressionados; aumento da competição; mudanças regulatórias; e a valorização deprimida dos pares globais.

“Esperamos que os resultados do terceiro trimestre mitiguem a primeira preocupação, à medida que as perspectivas para os resultados de 2020 e 2021 começam a entrar em foco”, diz.

“Mesmo assim, os investidores provavelmente continuarão céticos quanto aos três pontos finais. Reconhecemos essas preocupações, mas reafirmamos nossa classificação de desempenho superior para os nomes do setor”, conclui.

Se você quer investir no mercado de renda variável preencha o formulário abaixo que um assessor da EQI Investimentos vai entrar em contato.