B3 (B3SA3): por que o mercado está otimista com a bolsa?

Carla Carvalho
Graduada em Ciências Contábeis pela UFRGS, pós-graduada em Finanças pela UNISINOS/RS. Experiência de 17 anos no mercado financeiro, produtora de conteúdo de finanças e economia.
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Crédito: Divulgação/B3

A B3 (B3SA3) é uma das maiores bolsas de valores do mundo e a única em operação no Brasil.  Foi criada em 2017 a partir da fusão da Cetip (Central de Custódia e de Liquidação Financeira de Títulos) com a BM&F Bovespa (Bolsa de Valores, Mercadorias e Futuros de São Paulo).

Em 2020, até setembro, a B3, que também é uma companhia de capital aberto com ações negociadas no mercado, sobe mais de 30%, enquanto seu principal índice, o Ibovespa, acumula queda de 15%.

O bom desempenho da B3 se explica, em grande parte, pelo aumento do volume financeiro e da presença de investidores pessoas físicas  no mercado de capitais brasileiro. Até agosto eram quase 3 milhões de CPFs cadastrados, um crescimento de 120% só em 2020, em meio à pandemia.

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Para analistas, as ações da B3 podem subir 20% mais até o final do ano, mesmo que o Ibovespa não se recupere.

  • Entenda o motivo do otimismo do mercado com a B3, detalhes de sua operação, estratégia e perspectivas para as ações

Histórico da B3

A união da Cetip com a BM&F Bovespa em 2017 deu origem à maior bolsa da América do Sul, e à quinta em valor de mercado do mundo.

Isso porque a BM&F Bovespa era referência na negociação de ativos e derivativos. Por outro lado, a Cetip, que atuava no mercado de balcão (veremos a seguir), tinha a liderança da custódia e sistemas de registros.

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Dessa forma, a união das duas companhias faz surgir a B3, cujo nome faz alusão à Brasil, bolsa e balcão.

A Cetip nasceu em 1986. Já a BM&FBovespa surgiu em 2008 a partir de outra grande fusão que mexeu com o mercado. Naquele ano, a Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F) se uniu à Bovespa Holding.

A B3 não tem um acionista controlador. Isso porque 82% de seu capital está pulverizado no mercado. A americana Capital World Investors tem a maior participação atualmente, com 7,23%. O BlackRock tem 4,49%.

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O que é mercado de balcão?

Conforme vimos, até 2017 o mercado de balcão era o ambiente de atuação da Cetip. Nesse mercado, os participantes podem negociar diretamente entre si ou com a mediação da bolsa de valores.

Uma das principais diferenças entre negociar no mercado de balcão e na bolsa de valores diz respeito ao rigor das operações. Isso porque a bolsa exige muito mais das empresas em termos de práticas contábeis e governança corporativa.

Diferentemente do que muitos pensam, na bolsa de valores não se negociam apenas ações. Títulos de renda fixa e variável, cotas de fundos, derivativos, ouro e câmbio são alguns exemplos de ativos negociados na B3.

Importância da B3

Um dos principais papéis das bolsas é oferecer segurança e liquidez ao mercado.

Isso significa mais tranquilidade no momento de negociar ativos. Ou seja, o investidor sabe que, se precisar dos recursos, existe um ambiente no qual pode transformar seu investimento em dinheiro.

Além disso, como já vimos, existem diversas regras que as empresas precisam cumprir para que possam negociar na bolsa. Dessa maneira, as transações acabam sendo mais transparentes, o que faz com que o investidor tenha seu patrimônio mais resguardado.

A bolsa de valores também possui grande importância para a economia do país.

Por um lado, seu ambiente permite que investidores diversifiquem seu patrimônio. Em contrapartida, oferece a diversas empresas a oportunidade de captarem recursos, que fomentarão suas atividades.

Perspectivas para as ações

Como vimos, o número de investidores na bolsa de valores brasileira cresce a cada ano. O principal motivo é a queda da taxa básica de juros, que, atualmente, está no mínimo patamar desde sua origem.

Desse modo, os investidores que desejam uma rentabilidade melhor migram seus recursos para a renda variável. Logo, a bolsa acaba atraindo grande parte desse público.

Em agosto, a B3 teve um volume financeiro médio diário de R$ 31,4 bilhões. Isso corresponde a um aumento de 59% em relação ao mesmo mês de 2019. Quanto a julho, o avanço foi de 6,9%.

A Guide Investimentos acredita que os números operacionais da B3 continuem mais fortes em 2020, especialmente em ações e futuros. Segundo relatório de setembro, os preços mais baixos das ações podem beneficiar as companhias nos volumes negociados.

O UBS também se mantém otimista quanto às ações da B3. Em agosto, seus analistas reiteraram expectativas de que os juros baixos continuem atraindo investidores de varejo.

Além disso, o banco lembrou que a B3 adiou a aplicação de tarifas mais baixas para pequenos investidores. Logo, isso deverá beneficiar sua receita no curto prazo.

Outro ponto considerado pelo UBS são as novas normas dos BDRs. Segundo o banco, quando o novo regulamento entrar em vigor, as negociações desses ativos poderão ser impulsionadas.

Por fim, os analistas do UBS afirmam que a B3 é negociada atualmente a 28 vezes o preço/lucro estimado para 2021. Na opinião do banco, a proporção está em linha com os pares globais, que variam de 17 a 42 vezes.