B2W (BTOW3): o que você precisa saber antes de comprar

Carla Carvalho
Graduada em Ciências Contábeis pela UFRGS, pós-graduada em Finanças pela UNISINOS/RS. Experiência de 17 anos no mercado financeiro, produtora de conteúdo de finanças e economia.
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Crédito: Divulgação B2W

Resultado da fusão entre dois gigantes do varejo, a B2W (BTOW3) é uma das principais empresas do e-commerce brasileiro. Em 2020, as ações da companhia subiram mais de 50%.

A alta dos papéis se deve, principalmente, ao incremento do comércio digital ocorrido durante a pandemia. Além disso, o follow-on (colocação de mais ações no mercado) de R$ 7,8 bilhões anunciado em julho pela controladora Lojas Americanas também contribuiu para a valorização da marca.

A B2W é proprietária de algumas das mais importantes plataformas de comércio online do Brasil e da América Latina. Dentre elas estão Americanas.com, Submarino, Shoptime e Sou Barato.

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Através de suas diferentes marcas, a B2W atua no segmento de vendas digitais e marketplace. Além disso, oferece também serviços financeiros e de tecnologia para logística, distribuição e atendimento ao cliente.

A companhia possui 8 mil colaboradores e 32 milhões de produtos à venda.  Hoje, seu valor de mercado é de R$ 61 bilhões.

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Início da B2W

A empresa foi criada em 2006 com a fusão das Americanas.com e Submarino. Logo após, em 2007, foi a vez do Shoptime ser incorporado à companhia.

Naquele ano, a união das três marcas conferiu à B2W a liderança absoluta no e-commerce brasileiro, com participação de 51% no mercado. Atualmente, com a concorrência, a empresa detém cerca de 15% do segmento.

A B2W é controlada pelas Lojas Americanas que, por sua vez, tem a 3G Capital como sócia majoritária. A gestora de investimentos 3G, fundada por Jorge Paulo Lemman, é também dona de empresas como Burger King, Ambev e Kraft-Heinz.

Marcas da B2W

Como vimos, são 4 as marcas da B2W:

Americanas.com

Atualmente é a maior loja online brasileira. Os clientes podem comprar pelo site, app ou em quiosques instalados nas lojas e receber seus produtos em casa ou nas mais de 1.700 Lojas Americanas, espalhadas por todo o país.

Submarino

O Submarino é uma marca digital, referência em livros, games, tecnologia e entretenimento.

Shoptime

É o maior canal de home shopping da América Latina. O Shoptime possui as marcas próprias Casa & Conforto (cama, mesa e banho), Fun Kitchen (eletroportáteis), La Cuisine (utilidades domésticas) e Life Zone (esporte e lazer).

Sou Barato

É o outlet da Americanas.com. Isso porque a marca oferece produtos que foram devolvidos e e/ou tiveram a embalagem danificada.

São mais de 22 mil itens divididos entre 20 departamentos, com descontos de até 60%. Além disso, Todos os produtos possuem garantia.

Estratégias de crescimento da B2W

As estratégias de crescimento da B2W envolvem aquisições e desenvolvimento de novas plataformas. Para isso, diversos aportes de capital foram realizados pelos sócios nos últimos anos.

Desde 2011 já foram injetados R$ 11 bilhões pela controladora 3G nos negócios da B2W. Além de darem suportes a investimentos, esses recursos também foram utilizados para reforço de caixa da companhia.

A última grande aquisição do grupo foi o Supermercado Now, um marketplace de venda de alimentos, em janeiro de  2020. O Now reúne 30 redes de supermercados com mais de 200 mil usuários ativos.

Entre todos os investimentos do grupo, o que mais vem se destacando é a Ame Digital, uma plataforma de produtos financeiros. Desde a sua criação, em 2018, o aplicativo já teve mais de 10 milhões de downloads.

Pelo app da Ame, é possível pagar compras nas lojas parceiras, cobrar e pagar contas via QR Code e transferir valores entre contas. O aplicativo é gratuito e permite também receber cashback nas compras feitas através dele.

Resultados da B2W

De forma geral, as operações 100% online foram beneficiadas com o isolamento. Nesse sentido, a B2W encerrou o segundo semestre com vendas totais de R$ 5,1 bilhões, um aumento de 48% em relação aos primeiros 6 meses de 2019.

Entretanto, nesse período, a empresa apresentou resultado negativo de R$ 182,5 milhões, valor 31% superior ao prejuízo do semestre do ano passado. Para isso, contribuíram os custos administrativos e financeiros, que sofreram aumento por causa da pandemia.

Por outro lado, no final do semestre a empresa anunciou aumento de capital no valor de R$ 4 bilhões. Dessa forma, a companhia dará mais fôlego à operação, e poderá dar continuidade ao plano de crescimento, que inclui expansão orgânica, parcerias e novas aquisições.

Cabe ressaltar também que, nos últimos anos, anos a empresa exigiu aportes altos de seus acionistas para enfrentar a concorrência. Com o propósito de investir em sistemas de vendas, novas tecnologias e marketing, foram investidos valores em torno de R$ 2,4 bilhões pelos sócios.

Perspectivas da companhia

Por fim, destacamos alguns pontos favoráveis e outros que merecem maior atenção quanto às perspectivas da empresa

Pontos favoráveis

A princípio, merece destaque a forte capitalização dos sócios nos últimos anos. Além disso, o modelo 100% e-commerce se mostrou muito eficiente durante a pandemia.

Outro ponto positivo é o modelo “ship from store” da B2W, que utiliza uma loja física das Americanas como centro de distribuição. Desse modo, quando a venda é feita, o sistema já identifica qual a loja mais próxima do cliente.

A sinergia entre a BW2 e sua controladora também é uma vantagem. Embora os sistemas não estejam integrados (você não pode comprar no Submarino e retirar nas Americanas), as vendas não são prejudicadas. Isso foi comprovado pelo crescimento das vendas em 2020, principalmente durante a pandemia.

Por fim, para o terceiro trimestre, a empresa espera maior expansão do comercio eletrônico com a integração da plataforma de produtos de supermercado. Isso por causa da compra do Supermercado Now no início do ano, cujos reflexos já são sentidos no aumento das vendas online.

Desafios

A incerteza da retomada econômica é o primeiro ponto de alerta quando se fala do setor de varejo. Segundo o banco UBS, a economia mais fraca no segundo semestre terá que ser gerenciada. Isso porque o desemprego alto e a queda na renda logicamente afetarão o varejo.

Por outro lado, os custos operacionais pesados também são desafios para a empresa. Nesse sentido, nos últimos anos a B2W exigiu aportes altos de seus acionistas para enfrentar a concorrência. Ou seja, a atualização do sistema de vendas, novas tecnologias e marketing demandaram valores em torno de R$ 2,4 bilhões.

Para finalizar, a forte concorrência também merece atenção. Além de grandes players como Magazine Luiza, Amazon e Mercado Livre, o setor conta com vários outros concorrentes menores.

O que mexe com a ação?

Ainda que algumas empresas do setor tenham apresentado resultados negativos em 2020, o mercado permanece confiante quanto ao futuro dessas companhias. Isso por causa da forte aceleração do volume bruto de mercadorias (GVM) no ano.

O GMV, sigla para Gross Merchandise Volume, é a métrica para cálculo das vendas dentro das plataformas de e-commerce. No caso da B2W,o GMV atingiu R$ 6,7 bilhões no último trimestre, o que corresponde a um crescimento de 72% ao ano.

Segundo o Goldman Sachs, a B2W, ao lado de Magazine Luiza e Mercado Livre, é uma das melhores opções de ações do e-commerce. A visão de seus analistas é de que, no segundo semestre, ocorra desaceleração do digital em relação à primeira metade do ano. Todavia o GMV ainda mostrará forte avanço.

Recentemente, o banco aumentou a projeção de crescimento para o e-commerce brasileiro em 2020, de 38% para 44%. Sob essa ótica, a B2W cresceria 42%.

Sobre o resultado da empresa, o Goldman Sachs aponta que os ganhos de margem da alavancagem operacional ficaram aquém das expectativas em 2020. Entretanto o GMV está em linha como esperado até agora. Logo, continuam recomendando a compra dos papéis da empresa.

Dessa forma, o preço-alvo em 12 meses da ação seria de R$ 143, e o respectivo potencial de alta em relação ao preço atual, de 40%.