Azul (AZUL4): conheça a terceira maior aérea brasileira

Carla Carvalho
Graduada em Ciências Contábeis pela UFRGS, pós-graduada em Finanças pela UNISINOS/RS. Experiência de 17 anos no mercado financeiro, produtora de conteúdo de finanças e economia.

Crédito: Site Azul

A Azul (AZUL4) é a terceira maior empresa do setor de aviação brasileiro. Antes da pandemia, sua receita líquida crescia, em média, 20% ao ano.

A crise de 2020 fez com que, em março, suas ações atingissem a mínima histórica desde o IPO, em 2017. Entretanto, a retomada de 65% da sua malha até outubro mostra que a recuperação do setor aéreo já está acontecendo.

Na semana passada,  a companhia anunciou uma emissão de debêntures conversíveis em ações. A operação deve resultar em um reforço do caixa na ordem de R$ 1,6 bilhão. A notícia foi de certa forma surpreendente, já que a Azul vinha negociando um socorro com BNDES, o que não será mais necessário depois da captação no mercado.

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A seguir, saiba mais sobre a líder brasileira nos trechos fora dos grandes centros.

Cenário atual da Azul

Assim como todo o setor de aviação, a Azul também sentiu os efeitos desastrosos da pandemia. Nesse sentido, a companhia viu a sua receita cair 85% no segundo trimestre de 2020, e amargou um prejuízo de R$ 2,9 bilhões no período.

No entanto, mesmo no cenário adverso, a companhia deu continuidade aos planos de investimentos. Em maio desse ano, a Azul concluiu a compra da TwoFlex Táxi Aéreo, que possui aeronaves para até 9 passageiros.

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A TwoFlex, sediada em Jundiaí (SP) surgiu em 2013 com a união da Two Táxi Aéreo e Flex Aero. Até então, a empresa operava voos no Rio Grande do Sul em parceria com a Gol. Nesse sentido, as rotas eram entre Porto Alegre e cidades do interior do estado.

Segundo Rodgerson, atual presidente, o investimento de R$ 123 milhões trará flexibilidade para os negócios da Azul. A empresa investirá também no transporte de cargas, e atenderá vários trechos nacionais ainda sem conexão.

Outra ação da Azul foi o compartilhamento de voos domésticos (codeshare) firmado com a Latam em agosto.

Isso significa que, dependendo da rota, o cliente pode comprar a passagem e viajar em qualquer uma das empresas. Essa ação visa a dar folego para ambas as empresas até o restabelecimento do fluxo aéreo.

Perspectivas para a empresa e suas ações

A Guide Investimentos acredita que já esteja na hora de voltar a comprar as ações da Azul. Segundo seus analistas, a retomada gradual da economia e a proximidade do final do ano devem colaborar para a retomada do turismo.

Recentemente, analistas do Goldman Sachs e do Deutsche Bank também se mostraram confiantes quanto à recuperação do setor. Dessa forma, ambas as instituições elevaram a recomendação para as ações das aéreas brasileiras para compra.

Nesse sentido, o Deutsche é ainda mais otimista. Isso porque, em setembro, declarou que as aéreas podem, não só sobreviver, mas também prosperar num ambiente que deverá ser de baixas tarifas por um bom tempo.

Em relação à retomada das operações, a Azul já está operando com 65% de sua malha, o que era previsto apenas para o final deste ano.

Origem da Azul

A história da Azul começa em 2008, época em que o mercado da aviação brasileira era dividido entre TAM e Gol. Essas duas companhias disputavam os grandes centros urbanos do país.

Nesse sentido, a oportunidade encontrada pela Azul foi fora das grandes cidades. Seu principal centro de operações era Campinas, e os primeiros voos ligavam algumas capitais. No entanto, logo passou a focar cidades menores, nas quais não havia demanda suficiente para as grandes aeronaves das concorrentes.

Para isso, a Azul investiu em aeronaves menores, o que fez com que seu custo operacional fosse menor do que o dos grandes players nacionais. A empresa se tornou uma das principais clientes regionais da Embraer, ao adquirir os recém lançados jatos E190 e E195. Essas aeronaves estão entre as principais do mercado de aviação low cost, que são as empresas especializadas em rotas regionais de média densidade de ocupação.

Embora pequenos, esses aviões proporcionam conforto para as viagens de curta duração. Logo, com aeronaves novas, preços promocionais e serviço de bordo diferenciado, em pouco tempo a Azul conquistou a simpatia do mercado.

Após 8 meses de operação, a Azul atingiu a marca de 1 milhão de passageiros transportados, um recorde para o setor. Animada com os resultados, em 2010 a empresa investiu novamente no mercado local.

Dessa forma, adquiriu aviões turbo-hélice para transporte de 70 passageiros – os ATR 72-600. Essas aeronaves voam mais baixo e em velocidade inferior aos jatos. No entanto, são ótimas opções para rotas mais curtas e locais com menor infraestrutura aeroportuária. Ao investir em mercados pouco explorados pela concorrência, em 3 anos de atuação, a Azul já tinha 49 aeronaves e atendia 42 destinos.

Expansão do mercado

Em 2012, a Azul realizou uma fusão com a TRIP Linhas Aéreas, sua principal concorrente na época. A união das operações fez da empresa a terceira maior da aviação brasileira, com mais de 800 voos diários e 96 destinos, todos nacionais.

Finalmente, em 2014, veio a participação no mercado internacional. Para isso, a Azul adquiriu aeronaves Airbus A330-200 e realizou o primeiro voo, de Campinas a Fort Lauderdade/Miami.

Ainda em 2014, a companhia encomendou jatos Airbus A300neo, para ingressar no mercado doméstico de alta densidade. Nos anos seguintes, a empresa passou a voar regularmente para países da América Latina, Europa e outras localidades dos EUA.

No final de 2019, a frota da Azul era de 143 aviões. Nesse ano, a empresa era a que mais possuía destinos no Brasil, com mais de 900 voos diários e 13 mil funcionários.

Acionistas da Azul

David Neeleman é o fundador da Azul e, também, o principal acionista desde o início da companhia.

Atualmente, detém 67% das ações ordinárias da empresa. Os 33% restantes são dos acionistas da Trip, representados pela Trip Participações S.A., Trip Investimentos Ltda e Rio Novo Locações Ltda.

Nascido em São Paulo, David Neeleman mudou-se para os EUA aos cinco anos de idade. Formado em contabilidade, sua trajetória no setor de aviação inicia em 1984, com a Morris Air de Utah. Depois de 10 anos, a empresa foi vendida para a South West.

Entretanto, foi com a JetBlue Airways, em 2000, que veio o reconhecimento no setor. A empresa foi um marco de novidades na aviação, pois oferecia baixos preços sem abrir mão de alguns luxos. Aviões novos e televisores individuais nas poltronas faziam parte da nova experiência.

Finalmente, em 2008, Neeleman  retorna ao Brasil para dar início ao seu novo projeto: uma empresa de aviação com preços competitivos.

Em 2017, Neeleman  deixa a presidência da Azul, que ocupava desde a sua fundação. Em seu lugar, assume John Rodgerson, até então CFO da companhia e que, também, participou de sua criação.