Azul (AZUL4) se organiza para retomada pós-pandemia

Felipe Moreira
Felipe Moreira é Graduado em Administração de empresas e pós-graduado em Mercado de Capitais e Derivativos pela PUC - Minas, com mais de 6 anos de vivência no mercado financeiro e de capitais. Apaixonado por educação financeira e investimentos.
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Crédito: Reprodução/Wikipedia

A Azul (AZUL4) informou nesta semana a contratação de uma equipe de consultores para minimizar o impacto da crise do coronavírus, e que também irão auxiliar a empresa a se fortalecer e se preparar para o novo ambiente econômico após o fim da pandemia.

As operadoras aéreas brasileiras estão trabalhando com menos de 10% da capacidade para voos domésticos. Os internacionais estão totalmente paralisados. Com informações da Exame.

“Estamos no auge da incerteza. Só sabemos que em algum momento do curto prazo voltaremos a operar. Mas ninguém sabe exatamente quando e nem com que velocidade as coisas vão voltar à normalidade”, afirmou  ao EXAME IN o vice-presidente financeiro e de relações com investidores da Azul, Alexandre Malfitani.

“Nosso dever, nesse momento, é colocar a companhia para hibernar.” A Azul contratou a consultoria Plane View Partners para auxiliar na estratégia do plano de frota da empresa e no relacionamento com fabricante e companhias de arrendamento de aeronaves. E os escritórios de advocacia Pinheiro Neto e TWK ajudaram a companhia nas negociações comerciais.

Já a Galeazzi & Associados, uma empresa líder em consultoria empresarial, trabalhará no desenvolvimento de um plano estratégico para a Azul.

Segundo Malfitani, quando a companhia tiver clareza do cenário levará um plano aos credores, com cronograma “realista” de pagamentos.

Em abril, a operadora reduziu a folha de pagamento em 65%, por meio da adoção de licença não-remunerada para 7,5 mil dos 16 mil funcionários. Também diminuiu em 50% o salário de diretores e em 25% o de gerentes.

De acordo com o executivo, ainda não é possível dizer que tamanho o negócio ficará e quais os objetivos finais da Azul.

Assim como outras operadoras aéreas, a Azul interrompeu os pagamentos dos contratos de leasing de aviões. Em dezembro, o balanço da empresa registrava R$ 15 bilhões em compromissos, sendo 11,1 bilhões relativos à leasing. A companhia detinha R$ 3,1 bilhões livres em caixa.

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Para Malfitani não existe medo de perder aeronaves para os arrendadores, os “lessores”, como são conhecidos no mercado. Isso porque a situação é ruim para todo o segmento. “Não há um temor específico em relação à Azul. O lessor vai tirar a aeronave de mim e entregar para quem operar? Onde tem alguém operando hoje? Ele prefere deixar comigo, para quando o mercado retomar.”

A Azul, Gol e Latam esperam um pacote governamental de ajuda para setor. Inicialmente, o plano de auxílio do governo previa a injeção de R$ 3 bilhões para cada companhia, através da emissão de de debêntures conversíveis em ações das operadoras, que seriam subscritas pelo BNDES.

No entanto, aéreas e o banco de desenvolvimento não chegaram a um acordo sobre o valor dos títulos.

O executivo reforçou que o objetivo é preparar a Azul, para todos desafios perante o novo cenário de maneira que possa voltar a gerar receita.

“Continuamos acreditando no potencial do mercado brasileiro. Aqui, enquanto o PIB cresceu 1,5%, o setor teve expansão de 7,5%. A alavancagem com a economia é muito alta”, disse Malfitani.

O coronavírus atingiu a operadora área em fase de expansão. A Azul recebeu 13 novos aviões no último trimestre de 2019, acreditando na expansão do setor neste ano. Não houve tempo sequer de iniciar a retorno desse investimento.

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