Azul (AZUL4) negocia com governo e fornecedores para manter a saúde financeira

Felipe Moreira
Felipe Moreira é Graduado em Administração de empresas e pós-graduado em Mercado de Capitais e Derivativos pela PUC - Minas, com mais de 6 anos de vivência no mercado financeiro e de capitais. Apaixonado por educação financeira e investimentos.
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Crédito: Reprodução/Pixabay

Com o duro impacto no tráfego aéreo causado pela pandemia de coronavírus, a Azul (AZUL4) está conversando com fornecedores, credores e governo para promover alívio financeiro. A companhia interrompeu o pagamento de arrendamentos de aeronaves e renegocia acordos com fabricantes, conforme informou o Valor.

A companhia está negociando as condições para liberação de empréstimo junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Além disso, solicitou medidas de apoio do governo federal para enfrentamento da crise.

“Estamos em conversas com o governo desde o início de março, quando vimos os primeiros sinais da crise na Europa e nos Estados Unidos. O que o governo americano fez para as empresas é o melhor modelo de auxílio para o setor aéreo. Se Trump está dando benefícios para a indústria aérea dele, o Bolsonaro deveria fazer o mesmo no Brasil, para nos mantermos competitivos no mercado global”, afirmou John Rodgerson, presidente da Azul, em videoconferência promovida pela Eleven Financial.

Rodgerson disse que não recebeu uma proposta oficial do BNDES de aporte de capital na operadora. O banco de desenvolvimento negocia com Azul, Gol e Latam um empréstimo de R$ 10 bilhões.

O plano previa a injeção de R$ 3 bilhões para cada companhia, através da emissão de de debêntures conversíveis em ações das operadoras, que seriam subscritas pelo BNDES.

Segundo o Valor, aéreas e o banco de desenvolvimento não chegaram a um acordo sobre o valor dos títulos. Pois o BNDES pretendia vincular o preço das debêntures as cotações atuais das ações em bolsa, que perderam mais de 50% com o coronavírus.

“Estamos falando diariamente com o BNDES. Não temos ainda uma proposta formal porque eles querem entender melhor o nosso negócio”, disse Rodgerson. “Pediram que a gente faça tudo para ser mais eficiente após a crise. Eles querem investir numa empresa que vai ser mais saudável depois.”

O presidente da Azul afirmou que o BNDES enxergou positivamente o fato da consultoria Galeazzi e Associados trabalhar com a operadora para encontrar maneiras de melhorar o desempenho da companhia.

De acordo com o jornal Valor, a operadora aérea suspendeu os pagamentos a empresas de arrendamento de aeronaves e motores. “A gente quer ter certeza de quando voltará a gerar receita para pagar os arrendadores. Não adianta fechar agora uma data que depois a empresa não terá condição de cumprir. Estamos no auge da fase de incertezas”, afirmou Alex Malfitani, vice-presidente de finanças da Azul.

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A Azul diminui em 90% a sua capacidade voos no Brasil desde 25 de março, como medida de adequação à forte baixa na demanda por causa do coronavírus. O presidente da companhia afirmou que a Azul está negociando a flexibilização de pagamentos com os fabricantes de aviões.

Em abril, a companhia reduziu a folha de pagamento em 65%, por meio da adoção de licença não-remunerada para 7,5 mil dos 16 mil funcionários. Também diminuiu em 50% o salário de diretores e em 25% o de gerentes.

Além disso, a Azul fez um hedge de curto prazo devido a grande valorização do dólar nas últimas semanas.

Azul contrata consultores

A operadora aérea anunciou nesta quinta-feira (16) a contratação de uma equipe de consultores para ajudar suas iniciativas para minimizar o impacto da crise do coronavírus, e que também irão auxiliar a empresa a se fortalecer e se preparar para o novo ambiente econômico após o fim da pandemia.

A Azul contratou a consultoria Plane View Partners para auxiliar na estratégia do plano de frota da empresa e no relacionamento com fabricante e companhias de arrendamento de aeronaves. E os escritórios de advocacia Pinheiro Neto e TWK ajudaram a companhia nas negociações comerciais.

Já a Galeazzi & Associados, uma empresa líder em consultoria empresarial, trabalhará no desenvolvimento de um plano estratégico para a Azul.

“Nosso foco agora é aproveitar ao máximo essa vantagem competitiva e otimizá-la para o mundo pós-COVID-19, para que sejamos ainda mais eficientes, flexíveis e bem posicionados para aproveitar as oportunidades futuras. Para nos ajudar nesse processo de maneira construtiva e benéfica para a Azul e seus parceiros, contratamos uma equipe de consultores especializados” disse Alex Malfitani, CFO da Azul.

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