AZUL (AZUL4) fecha com ex-escritório da Avianca para ajudar na reestruturação

Paulo Amaral
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Crédito: Divulgação

A Azul (AZUL4), uma das principais companhias aéreas do Brasil, sacramentou a contratação dos escritórios de consultoria jurídica Galeazzi e TWK.

O acordo foi fechado no último dia 15 de abril, mas acabou anunciado pela grande mídia somente nesta quarta, 3 de junho, em reportagem do jornal Folha de S.Paulo.

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O trabalho mais conhecido da consultoria no ramo da aviação foi no processo de recuperação da Avianca Brasil, que acabou encerrando suas atividades.

De acordo com o portal Aeroin, no entanto, a consultoria da Galeazzi para a Avianca Brasil durou menos de dois meses “por falta de ação da aérea para com relação aos planos de ação acordados”.

Situação diferente

Avianca

A contratação pela Azul, no entanto, parece ter uma finalidade diferente. A empresa tem afirmado que, assim como Gol e Latam, não tem plano de pedir na Justiça brasileira proteção de seus credores.

Até hoje, boa parte das empresas do setor aéreo que tomaram tal atitude acabaram quebrando, tais como Varig, Vasp e Transbrasil.

A Azul tem tentando renegociar dívidas e já aceitou o pacote emergencial de ajuda do governo junto das outras duas principais companhias do País.

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A ideia dos escritórios de consultoria é apresentar um plano de reestruturação da Azul sem que a companhia precise entrar com pedido de recuperação judicial, como ocorreu com a Avianca.

Reestruturação, por sinal, é a especialidade da Galeazzi. Segundo o portal Aeroin, o escritório já auxiliou na reestruturação de grandes empresas do setor de serviços, como as Lojas Americanas e o Grupo Pão de Açúcar.

Além disso, seu fundador foi presidente da Brazil Foods (Sadia e Perdigão).

As características do acordo com a Azul não foram divulgadas, mas é possível que uma parte da remuneração dos consultores seja por “success fee”.

O plano para a linha aérea com a Galeazzi, segundo o portal que antecipou o acordo, é que o escritório foque na renegociação de dívidas e contratos, desafogando o caixa da empresa.

As maiores dívidas da Azul estão com vencimentos concentrados entre 2021 e 2024, segundo informações da companhia aérea.

A dívida da Azul

A empresa viu a dívida líquida aumentar em 47% de dezembro de 2019 a março deste ano, quando o montante chegou a R$ 17,84 bilhões.

Alex Malfitani, diretor-financeiro da Azul, afirmou que este é o “melhor momento” vivido nos últimos 90 dias. E esbanjou confiança na recuperação.

“Chegamos à crise como uma das companhias aéreas mais rentáveis do mundo, e os credores sabem que o modelo de negócio é sustentável”, argumentou, à Folha.

“Criamos um plano de pagar todos os credores à medida que a empresa gera caixa. Poderíamos pagar com o saldo, mas isso vai ser importante no capital de giro”, completou.

Aeronaves

 

A Azul tem 153 aeronaves em sua frota e, segundo informações da companhia para a Folha de S.Paulo, seis empresas de leasing são donas de aproximadamente 80% delas.

A preocupação da empresa, em boa parte, é justamente com o aluguel destas aeronaves que não são efetivamente da Azul.

“Podemos estar em dívida com dois ou três meses de aluguel, mas as empresas de leasing estão mais preocupadas com os cinco anos restantes de contrato, por causa da situação atual”.

Demanda atual

A Azul tem um plano bastante conservador para a retomada de voos após a pandemia quando comparado com as principais rivais.

A empresa prevê que a demanda de voos alcance 40% dos níveis pré-pandemia em dezembro deste ano, enquanto Latam e Gol projetam entre 60% e 80%.

A empresa chegou a reduzir seus voos diários de 1.000 para 70 e, em junho, tem programados 170.

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