Azul (AZUL4): fundador se desfez de ações por execução de garantia

Rodrigo Petry
Editor-chefe, com 18 anos de atuação em veículos, como Estadão/Broadcast, InfoMoney, Capital Aberto e DCI; e na área de comunicação corporativa, consultoria e setor público; e-mail: rodrigo.petry@euqueroinvestir.com.
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Crédito: Divulgação

A Azul (AZUL4) informou nesta terça-feira (14) que o fundador e acionista controlador da companhia, David Neeleman, teve parte de suas ações executadas por bancos custodiantes que executaram garantias.

Segundo o comunicado ao mercado, Neeleman havia feito um empréstimo pessoal em 2019 no valor de US$ 30 milhões, usando como garantia parte de suas ações da Azul, “dado que ele não tinha intenção de vender suas ações da Azul por acreditar em seu potencial”.

Entretanto, o impacto da pandemia do Covid19 no mercado de ações ocasionou uma chamada de margem no empréstimo.

Adicionalmente, devido à velocidade do movimento de desvalorização das ações e ao fato de ele ter outros investimentos no setor sem liquidez como TAP e Breeze, “não houve tempo para levantar a liquidez adequada”.

Conforme o comunicado, Neeleman “não vendeu de maneira ativa nenhuma ação da Azul”.

Redução

De acordo com a Azul, o seu acionista Controlador teve sua participação em ações sem direito à voto reduzida de 11.432.352 ações preferenciais, correspondentes a 3,34% dessa espécie de ações, para 2.116.004 ações preferenciais durante o mês de março de 2020.

A companhia esclarece que não houve alteração na posição de ações votantes detidas pelo acionista controlador, totalizando 622.406.638 ações ordinárias.

Venda

Em reportagem, o Brazil Journal ouviu a avaliação de três gestores sobre a venda da fatia de Neeleman na Azul.

Entre as explicações: “ou Neeleman acredita que a empresa não vai sobreviver, ou teme ser diluído no pacote de ajuda do BNDES, ou ainda pode ter tido problema de liquidez na pessoa física”.

Conforme o Brazil Journal, as vendas aconteceram entre os dias 12 e 18 de março – e começaram a ocorrer quando a ação da empresa já havia caído 50% do nível de R$ 60 em que negociava antes do estouro da crise.

A primeira venda, em menor lote, foi quando o papel estava a R$ 20,29 e, a última, a R$ 10,60.

Tráfego

A Azul anunciou no último dia 7 os resultados preliminares de março. Segundo a empresa, o tráfego de passageiros consolidado (RPKs) caiu 24,6% em comparação com março de 2019.

Já a capacidade (ASKs) teve uma diminuição de 17,2%, resultando em uma taxa de ocupação de 73,5%, 7,3 pontos percentuais abaixo que o mesmo período de 2019.

“Durante as duas primeiras semanas de março, nós vimos tendências saudáveis de demanda, com o tráfego de passageiros aumentando 20% na comparação anual”, escreveu John Rodgerson, CEO da Azul.

Segundo Rodgerson, desde então, a empresa reagiu rapidamente às mudanças no mercado decorrentes da pandemia do Covid-19, com a capacidade total caindo mais de 50% ano contra ano nas últimas duas semanas do mês.

“De 25 de março a 30 de abril, esperamos operar 70 voos diretos por dia para 25 cidades, o que representa uma redução de 90% da capacidade total em relação ao ano passado”, afirmou.

No primeiro trimestre, o tráfego de passageiros consolidado (RPKs) subiu 10,8%, já a capacidade (ASKs) cresceu 12%, o que resultou numa redução da taxa de ocupação em 0,9 p.p..

Ações

Os papéis das companhias aéreas estão entre os mais penalizados com a crise do Covid-19.

Veja o desempenho de AZUL4 vs Ibovespa em 2020

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Fonte TradingView

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Para a analista da XP Investimentos, Bruna Pezzin, apesar do esclarecimento, o fato pode levantar preocupações em relação à situação financeira da companhia.

“Mantemos uma visão cautelosa para o setor no curto prazo, mas também mantemos nossa preferência relativa pelas ações da Azul”, reforçou em análise publicada no site da XP.

A preferência à Azul reflete:

  • Crescimento potencialmente maior no longo prazo;
  • Rentabilidade superior com a incorporação de jatos de nova geração à frota;
  • Menor risco de competição considerando a malha mais “exclusiva”.

“Focamos em 2021, mas reconhecemos que a profundidade dessa crise será fundamental para definir a liquidez da companhia e também a definição de seu plano de crescimento”, finalizou.