Aviação mundial teve 2,4% crescimento em janeiro, o menor aumento em 10 anos

Fernando Augusto Lopes
Redator e editor
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O setor de aviação civil no mundo registrou um aumento de demanda de 2,4% em janeiro de 2020, em comparação com o mesmo mês do ano anterior. Apesar do crescimento, o mercado vê com preocupação o resultado, já que é o menor aumento desde abril de 2010.

Naquela época, um vulcão de nome impronunciável, Eyjafjallajökull, entrou em erupção e tornou os céus da Europa impraticáveis para o voo, provocando centenas de cancelamentos de voos. A Associação Internacional de Transportes Aéreos (IATA), então, estimou que a indústria aérea mundial perdeu € 148 milhões por dia durante a interrupção.

Agora, o problema é o novo coronavírus, conhecido como Covid-19.

Alexandre de Juniac, francês diretor-geral e CEO da IATA, explicou que a situação para o setor pode piorar nos próximos meses: “janeiro foi apenas a ponta do iceberg em termos de impactos sobre o tráfego, dado que as maiores restrições de viagens na China começaram após 23 de janeiro”.

A Associação estima que o Covid-19 pode custar às aéreas algo em torno de US$ 113 bilhões em 2020. Duas semanas atrás, a IATA previa uma perda de “apenas” US$ 29,3 bilhões.

Primeira baixa

O surto de coronavírus deu ao mundo, nesta quinta-feira (5), sua primeira vítima na aviação civil. A companhia regional Flybe entrou com pedido de falência. Era a maior companhia aérea regional independente na Europa, operando 180 rotas em 65 aeroportos, com sede em Exeter, na Inglaterra.

O colapso da Flybe deixou os passageiros chateados e a equipe devastada. A companhia aérea, responsável por até 90% dos voos em alguns aeroportos regionais, acabou deixando sem rum 2.000 empregados.

A BBC falou com a aeromoça Katherine Densham, que foi trabalhar no aeroporto de Exeter, na manhã dessa quinta-feira, mesmo sabendo da notícia: “pensei que seríamos salvos, mas não foi desta vez”, disse ela.

A empresa foi salva pelo governo inglês em janeiro, com liquidação de impostos, mas não durou muito. Ela entrou em colapso depois que o governo recusou um empréstimo de resgate por £ 100 milhões.

Problemas na aviação em todo o mundo

Não é só a Flybe que passa por dificuldades. A alemã Lufthansa teve que cancelar todos os voos também para Israel até 28 de março, por conta da situação com o o coronavírus no Oriente Médio.

A Turkish Airlines, por exemplo, tem voado de volta com aviões vazios, por falta de passageiros. O caso mais recente aconteceu em Singapura.

A aérea de baixo custo norueguesa Norwegian Air mudou sua orientação de ganhos para perdas. Antes da epidemia, a empresa esperava reverter anos de prejuízo com um ano finalmente de lucro, mas teve que revisar.

As “perspectivas do setor em grande parte do mundo deram uma guinada dramática para pior”, disse de Juniac. Ele apelou aos governos que apoiassem o setor de aviação civil.

“As companhias aéreas estão fazendo o possível para se manter vivas”, disse ele. “À medida que os governos buscam medidas de estímulo, o setor de transporte aéreo precisará de consideração quanto a impostos, taxas e alocação de slots. Estes são tempos extraordinários”, implorou.

A empresa de análise de viagens ForwardKeys disse que o número de novas reservas de voos para a Europa caiu 79% no final de fevereiro devido ao surto.

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