Austeridade e reformas estão suspensas, diz secretário de Guedes

Cláudia Zucare Boscoli
Jornalista formada pela Cásper Líbero, com pós-graduação em Jornalismo Econômico pela PUC-SP, especialização em Marketing Digital pela FGV e extensão em Jornalismo Social pela Universidade de Navarra (Espanha), com passagens por IstoÉ Online, Diário de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e Editora Abril.

Crédito: Reprodução/Agência Brasil

“A austeridade está suspensa, mas a atenção a ela está mantida”, disse o secretário-executivo do Ministério da Economia, Marcelo Guaranys, sobre perspectiva da equipe econômica do governo diante da crise causada pelo novo coronavírus.

A declaração foi feita em entrevista ao vivo realizada nesta quinta-feira (23) pelo Uol.

Questionado sobre como o ministério tem reagido ao aumento de gastos públicos decorrentes das medidas de enfrentamento à pandemia, ele afirmou que o ministério “não é contra o gasto público”. Mas, sim, “contra o mau uso do dinheiro público”.

“Cada real gasto tem que ser bem aplicado”, defendeu.

Segundo ele, o governo irá gastar o que for emergencial relacionado ao coronavírus, mesmo que isso signifique estourar o teto de gastos.

Outro tema tratado na entrevista foi a suspensão temporária da agenda de reformas.

“Por enquanto, as reformas estão suspensas. Mas serão retomadas pós-Covid”, garantiu.

Agenda de reformas pós-coronavírus

Guaranys reafirmou que a agenda de reformas é de extrema importância para a pasta da Economia e para o país.

“No início do ano, a polêmica era se as reformas sairiam antes do meio do ano. Agora veio o coronavírus e tudo parou. Mas vai ser retomado”, garantiu.

Para ele, as reformas são fundamentais para garantir o desenvolvimento sustentável.

“Estávamos preparados para continuar a reforma administrativa, tributária e fiscal e flexibilizar o orçamento público, para que estados e municípios possam se organizar para atender com independência ao que a população precisa”, disse.

“Mas agora é impossível, até porque a agenda do Congresso está complicada. Vamos focar no que a população precisa nesta crise. Mas temos o compromisso de retomar as reformas logo depois”, enfatizou.

Aumento dos gastos públicos é realidade

Guaranys explicou que foi escalado pelo ministro Paulo Guedes como um porta-voz do ministério e, por isso, tem a função de traduzir as resoluções à sociedade.

Neste contexto, garantiu que os gastos públicos necessários serão feitos, mesmo que membros da própria pasta apresentem discurso contraditório.

“Se é emergencial, se é para o coronavírus, tem que fazer. Vamos analisar o pedido e fiscalizar, para garantir que o dinheiro do povo seja gasto no que o povo está precisando”, disse.

“É como um gasto emergencial de saúde no orçamento doméstico. Se precisar, eu vou fazer. Mas depois vou trabalhar para ajustar novamente as contas”, fez a analogia.

Plano Pró-Brasil

Guaranys é também o representante da pasta da Economia no grupo da Casa Civil responsável pelo programa Pró-Brasil anunciado na quarta (22).

Sobre o grupo, ele explicou que não havia um representante do Ministério da Economia durante o lançamento do programa porque não havia necessidade.

“Foi só o pontapé inicial, algo ainda muito incipiente. As discussões mesmo só acontecerão a partir da reunião de sexta-feira (24)”, explicou.

O Pró-Brasil está sob responsabilidade do ministro da Casa Civil, general Walter Souza Braga Netto. E reúne diversos ministérios. A meta é criar 1 milhão de empregos a partir de investimentos públicos de R$ 30 bilhões e R$ 250 bilhões vindos de projetos de concessões e parcerias público-privadas.

O programa tem exposto divergências da Casa Civil com membros do Ministério da Economia, que seguem pregando a contenção dos gastos públicos.

O secretário de Política Econômica, Adolfo Sachsida, por exemplo,  afirmou ontem que o “verdadeiro Plano Mashall é acelerar as privatizações” e que “insistir para o governo gastar mais é um erro”.

Guaranys, no entanto, não enxerga discordância. “Nossa linha é sempre atrair a iniciativa privada, firmar parcerias, fazer privatizações e concessões, porque não temos muitos recursos”.

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Demora nas respostas do ministério

Sobre a possível demora de resposta do ministério à crise do coronavírus, Guaranys ponderou que o vírus pegou o mundo todo desprevenido e que a reação brasileira só teve início mesmo em março.

“Acompanhamos na China, todo mundo achou que não chegaria aqui com tanta força. Tivemos o Carnaval normalmente. Depois vimos o vírus avançando por Irã, Itália, Espanha, França, Estados Unidos. Então conseguimos até nos antecipar um pouquinho. Mas as medidas precisam ser tomadas a partir de um diagnóstico. Crise gera ansiedade e demanda por medidas rápidas”, afirmou.

Possibilidade de troca de ministros

No final da entrevista, a imprensa começou a circular a informação de uma possível demissão do ministro da Justiça, Sergio Moro, e Guaranys foi questionado se existia a possibilidade de Guedes também sair do governo.

O secretário respondeu com elogios ao chefe, que, em sua opinião deve ficar. “Eu estou no ministério há 21 anos. Eu nunca vi alguém com uma estratégia tão completa, tão bem estruturada, para uma mudança da política econômica. A estratégia é ampla e muito ambiciosa”, definiu.

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