Aurora interrompe vendas de frango à China; Brasil tem 7 frigoríficos suspensos

Osni Alves
Jornalista (2007); Especializado em Comunicação Corporativa e RP (INPG, 2011); Extensão em Economia (UFRJ, 2013); Passou por redações de SC, RJ e BH (oalvesj@gmail.com).
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A Aurora Alimentos, fabricante catarinense de proteína, optou por suspender suas exportações para a China até que se esclareça a acusação de que um de seus lotes foi identificado como “contaminado pelo novo coronavírus”.

Com mais este caso de suspensão de vendas para a China, o Brasil tem agora sete frigoríficos que estão com as exportações interrompidas para o mercado chinês por conta de preocupações com a Covid-19.

São eles: JBS, de Passo Fundo (RS) – carne de frango; Minuano, de Lajeado (RS) – carne de frango; BRF, de Dourados (MS) – carne de frango; BRF, de Lajeado (RS) – carne suína; JBS, de Três Passos (RS) – carne suína; Marfrig, de Várzea Grande (MT) – carne bovina; Aurora, de Xaxim (SC) – carne de frango.

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Desde o início da pandemia, oito frigoríficos ficaram com as exportações suspensas, mas uma unidade de carne bovina em Mato Grosso teve a autorização restabelecida.

Aurora suspende vendas à China e Brasil passa a sete frigoríficos interrompidos

Movimentação em Shenzhen

Adidos agrícolas em Pequim reuniram-se ontem (26) na cidade de Shenzhen, província chinesa de Guangdong, com autoridades sanitárias e de comércio locais para obter detalhes sobre a suposta detecção do vírus da Covid-19 em carne de frango brasileiro.

A informação foi confirmada pelo ministério da Agricultura, conforme o Estadão.

O governo chinês não conseguir informar se os achados se referiam apenas à detecção do material genético do vírus ou ao vírus ativo.

O governo brasileiro tenta obter, por meio dos adidos agrícolas que atuam na China, cópia do laudo laboratorial das três amostras que apresentaram resultado positivo.

Já os chineses dizem que o laudo está sob responsabilidade das autoridades sanitárias da província de Guangdong, as quais não participaram da reunião com os adidos.

Entenda o caso

Há duas semanas o governo chinês informou que o frango importado do Brasil testou positivo para o Covid-19. Na ocasião, não havia sido identificada de imediato a companhia produtora.

O fato repercutiu negativamente no mercado interno, visto que boa parte das fabricantes de proteína nacionais tem como principal cliente internacional o país de Xí Jìnpíng.

Entretanto, horas depois a acusação recaiu sobre a catarinense Aurora, um dos principais players do mercado.

Na última terça-feira (25) a empresa de Chapecó, no oeste catarinense, suspendeu as vendas de frango para a China,  apesar de ter “absoluta confiança” de que o seu “processo produtivo é isento da presença do vírus”.

Conforme fato relevante, a interrupção da comercialização diz respeito à unidade fabril localizada em Xaxim, região de Chapecó.

A companhia diz pretender aguardar esclarecimentos acerca do episodio de Shenzhen, cidade onde se diz ter registrado o novo coronavírus em lotes do produto.

Porém, a Aurora reforça a qualidade de seus produtos. Ou seja, a companhia não reconhece que um lote possa ter sido exposto ao Covid-19.

 

Associações pedem investigação tranquila

A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) afirmou que apoia a medida da cooperativa, já que, com essa atitude, tanto o Brasil quanto a China poderão fazer as investigações “com mais tranquilidade”.

Na nota, a ABPA diz que “não há evidências científicas de que a carne seja transmissora do vírus”, de acordo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO), a Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).