Atriz Regina Duarte é chamada para assumir secretaria da Cultura

Marco Antônio Lopes
Editor. Jornalista desde 1992, trabalhou na revista Playboy, abril.com, revista Homem Vogue, Grandes Guerras, Universo Masculino, jornal Meia Hora (SP e RJ) e no portal R7 (editor em Internacional, Home, Entretenimento, Esportes e Hora 7). Colaborador nas revistas Superinteressante, Nova, Placar e Quatro Rodas. Autor do livro Bruce Lee Definitivo (editora Conrad)

Crédito: Reprodução/Instagram

A atriz Regina Duarte foi chamada nesta sexta (17) pelo governo para assumir o cargo de secretária Nacional de Cultura. Ela disse que vai responder se aceita o convite neste sábado, informa a coluna da jornalista Mônica Bergamo, do jornal Folha de S. Paulo.

Regina foi convidada para substituir o secretário de Cultura Roberto Alvim, demitido nesta sexta depois de causar indignação ao inserir parte de um discurso nazista em pronunciamento oficial do governo.

O que você verá neste artigo:

Dúvida

A atriz ainda não confirmou se irá comandar a pasta. Disse que responderá amanhã. Regina já foi sondada pelo governo Bolsonaro para trabalhar na própria secretaria Nacional de Cultura, mas acabou não aceitando.

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Segundo a coluna de Mônica Bergamo, ela se mostrou “animada” com a proposta. Estaria dividida se vai aceitar o convite do governo.

A assessoria do Ministério do Turismo anunciou em nota que José Paulo Martins vai ocupar interinamente a Secretaria Especial de Cultura. Martins tinha a função de secretário adjunto da secretaria

Demissão

A Secretaria Especial da Cultura informou, por meio de sua assessoria de imprensa, nessa sexta-feira (17), que o secretário Roberto Alvim foi demitido do cargo. A permanência de Alvim se tornou insustentável, depois que parafraseou, em vídeo, o ministro da propagando de Adolf Hitler, Joseph Goebbels.

O vídeo foi divulgado na noite dessa quinta-feira (16), para lançar o Prêmio Nacional das Artes, que o presidente Jair Bolsonaro havia informado antes, na sua tradicional live da quintas-feiras.

O discurso de Alvim cita trecho de discurso de Goebbels sobre as artes.

Discurso nazista

“A arte brasileira da próxima década será heroica e será nacional. Será dotada de grande capacidade de envolvimento emocional e será igualmente imperativa, posto que profundamente vinculada às aspirações urgentes de nosso povo, ou então não será nada”, fala Alvim.

“A arte alemã da próxima década será heroica, será ferramenta romântica, será objetiva e livre de sentimentalismo, será nacional com grande páthos e igualmente imperativa e vinculante, ou então não será nada”, disse o ministro nazista, em 8 de maio de 1933, num pronunciamento para diretores de teatro.

Além dos trechos do pronunciamento, a estética do vídeo, a aparência do secretário, o vocabulário, o tom de voz e a trilha sonora escolhida também remeteram o discurso à propaganda nazista.

Dois dias depois dessa fala, Goebbels promoveu a famosa queima de livros em Berlim.

Forte reação

As redes sociais imediatamente reagiram ao discurso do agora ex-secretário de Cultura. Logo, políticos de todos os espectros ideológicos também se pronunciaram contra a fala.

No Twitter, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), foi categórico: “O secretário da Cultura passou de todos os limites. É inaceitável. O governo brasileiro deveria afastá-lo urgente do cargo”.

O presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre (DEM-AP), também divulgou nota pedindo a demissão de Alvim: “como primeiro presidente judeu do Congresso Nacional, manifesto veementemente meu total repúdio a essa atitude e peço seu afastamento imediato do cargo.

É totalmente inadmissível, nos tempos atuais, termos representantes com esse tipo de pensamento. E, pior ainda: que se valha do cargo que eventualmente ocupa para explicitar simpatia pela ideologia nazista e, absurdo dos absurdos, repita ideias do ministro da Informação e Propaganda de Adolf Hitler, que infligiu o maior flagelo à humanidade”.

Nem mesmo Olavo de Carvalho, mentor ideológico do governo Bolsonaro, a quem Alvim trata como “mestre” e se diz fã, deixou de criticá-lo. No Facebook, foi curto e direto: “é cedo para julgar, mas o Roberto Alvim talvez não esteja muito bem da cabeça. Veremos”. Essa foi a única crítica que “entristeceu” Alvim.