Atraso na vacina traz risco a recuperação econômica brasileira, de acordo com a Moody’s

Karin Barros
Colaborador do Torcedores

Crédito: Divulgação/Sada

A Moody’s, agência de classificação de risco, afirmou nesta quarta-feira (13) por meio da sua principal analista para o Brasil, Samar Maziad, que os atrasos contínuos do país na distribuição da vacina contra o Covid-19 irão aumentar os riscos negativos para a recuperação econômica projetada para este ano.

De acordo com a Reuters, o governo brasileiro está sob pressão em meio ao ritmo lento do lançamento de vacinas no país.

A imunização ainda não foi iniciada no maior país da América Latina, e a agência reguladora de saúde Anvisa ainda não aprovou nenhuma vacina para uso.

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Em uma entrevista à imprensa abordando as perspectivas econômicas do Brasil, Maziad disse que a vacinação em todo o país limitará o escopo de medidas adicionais de distanciamento social e fechamento de negócios, apoiando assim a economia.

“À medida que vemos atrasos, isso aumentará o risco negativo para a recuperação”, disse Maziad.

Melhora na economia em 2021

A Moody’s espera que a economia do Brasil cresça 3,3% este ano, após uma contração esperada de 5,7% em 2020, com a maior parte da recuperação atribuída à base fraca de comparação e não a um processo autossustentável de retomada.

Maziad disse ainda que o fim do auxílio emergencial pago a milhões de famílias no ano passado, no valor de quase R$ 300 bilhões – um dos programas de transferência de renda mais generosos do mundo como proporção do tamanho economia -, pode desacelerar a recuperação e talvez fomentar a agitação social.

“A retirada da ajuda representa algum risco para a agitação social … (e) com o alto desemprego, há alguns riscos (para a economia). Mas não um risco elevado”, disse ela. “Os (principais) riscos continuam do lado fiscal.”

Teto de gastos federal

Maziad, segundo a Reuters, disse que o abandono do teto de gastos do governo, principal âncora fiscal do país, teria implicações negativas para o perfil de crédito soberano do Brasil.

Os gastos para combater a crise no ano passado abriram um buraco recorde nas finanças públicas, ameaçando a regra que limita o crescimento dos gastos à taxa de inflação.

Muitos analistas dizem que uma violação em algum momento do futuro próximo é ​​altamente provável.

A Moody’s tem um rating de Ba2 para o crédito soberano do Brasil, abaixo do chamado grau de investimento, com perspectiva estável.