Até quando vai a liquidez do BC para acalmar o mercado brasileiro?

Paulo Filipe de Souza
Colaborador do Torcedores
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Crédito: Reprodução/Pixabay

As injeções de liquidez do Banco Central na economia já soma uma quantia equivalente a 16,7% do Produto Interno Bruto do país – cerca de R$ 1,2 trilhão. O BC seguiu um movimento também feito pelo Federal Reserve e o Banco Central Europeu, mas até quando vai o grande volume de liquidez nos mercados?

Em 2008, durante a crise que atingiu boa parte do mundo, o Banco Central injetou cerca de 3% do PIB em ações – na época, foi a maior injeção do BC. Desta vez, o Banco Central está dizendo que pode ir ainda mais além.

O pacote de ações anunciado é para manter o fluxo de crédito no sistema bancário, dar suporte ao mercado de títulos privados e garantir liquidez aos fundos de investimentos.

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Com a injeção de liquidez, o dólar, que estava em R$ 5,30, alcançou os R$ 5,16. O Banco Central também começou no início do mês, a rolar 98 mil contratos de swap cambial com vencimento para maio.

Aumento do poder de fogo

Se aprovada no Senado, a PEC do Orçamento de Guerra, pode dar uma maior autoridade para o Banco Central. Com aprovação do projeto o BC poderia fazer maiores flexibilizações monetárias como as feitas pelo Federal Reserve.

O Projeto de Emenda Constitucional garante que um instrumento que impede que os gastos emergenciais gerados em virtude do estado de calamidade pública sejam misturados ao Orçamento da União. Assim, facilita por exemplo as contratações e compras do governo durante a crise.

Em outro trecho do texto também fica autorizado o Banco Central a negociar títulos privados, como debêntures, carteiras de créditos e certificados de depósitos bancários. Assim, a medida pode aumentar a liquidez de empresas.

Uma das críticas do projeto é que o Tesouro Nacional poderia ficar exposto a ativos com alto risco. Hoje, o Banco Central no Brasil não pode fazer a compra de títulos privados.

Caso seja aprovado pelo Senado, o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, já tem como alvo R$ 972,9 bilhões em títulos privados.

Como muitas projeções já contam com um corte na taxa selic, ainda não se tem certeza como uma queda na taxa de juros iria funcionar na economia brasileira.

Com um corte, reduz mais ainda a diferença de juros do Brasil e dos Estados Unidos, o que pode provocar uma saída ainda maior de dólares do país.

De toda forma, o que com certeza tem se destacado é uma atuação forte e histórica do Banco Central para conter os efeitos do coronavírus na economia brasileira.