Ata do Copom sinaliza novo corte ‘residual’ da taxa Selic

Cláudia Zucare Boscoli
Jornalista formada pela Cásper Líbero, com pós-graduação em Jornalismo Econômico pela PUC-SP, especialização em Marketing Digital pela FGV e extensão em Jornalismo Social pela Universidade de Navarra (Espanha), com passagens por IstoÉ Online, Diário de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e Editora Abril.
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Crédito: Reprodução/Flickr

A ata da reunião do Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) foi divulgada nesta terça-feira (23) e trouxe o que o mercado já aguardava: a confirmação de que um novo corte na taxa Selic ainda este ano será apenas residual.

A cautela, justifica o comitê, se dá porque a “magnitude do estímulo monetário já implementado parece compatível com os impactos econômicos da pandemia da Covid-19”.

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Nas próximas reuniões, os focos serão os impactos da pandemia e o conjunto de medidas de incentivo ao crédito e recomposição de renda. “Um eventual ajuste futuro no grau de estímulo monetário será residual”, reiteram.

Na última reunião, dias 16 e 17 de junho, o comitê optou, por unanimidade, pela redução da Selic de 3% para 2,25%. Agora, a expectativa é que o corte residual aconteça ainda na reunião de agosto, com a taxa de juros chegando a 2%. O encontro acontece nos dias 3 e 4.

O Copom salienta, no entanto, que novas informações sobre a evolução da pandemia e a diminuição das incertezas no âmbito fiscal serão essenciais para definir próximos passos da política monetária.

Limites para a Selic

O comitê voltou a discutir um eventual limite efetivo mínimo para a taxa básica de juros brasileira. E, para a maioria dos membros, este limite deve ser maior para as economias emergentes do que para países desenvolvidos. Estes últimos trabalham, atualmente, juros perto de 0% ou abaixo disto. Foi ressaltado que o prêmio de risco tende a ser maior no Brasil. Isto devido à “relativa fragilidade fiscal”.

Recuperação a partir do terceiro trimestre

Na avaliação do Copom, o segundo trimestre será de forte contração do Produto Interno Bruto (PIB). Abril foi o mês que atingiu o menor patamar de crescimento. E maio e junho demonstraram recuperações parciais.

O cenário básico considerado pelo Copom considera uma queda forte do PIB na primeira metade deste ano, seguida de uma recuperação gradual a partir do terceiro trimestre.

Cenário desinflacionário

A ata reafirma ainda a preocupação com a inflação. Para os membros do comitê, o impacto da pandemia sobre a economia brasileira será desinflacionário. E associado a um forte aumento do nível de ociosidade dos fatores de produção e a uma redução significativa da demanda.

“Diversas medidas se encontram abaixo dos níveis compatíveis com o cumprimento da meta relevante para a política monetária”, afirmam.

As expectativas de inflação para 2020, 2021 e 2022 apuradas pelo Boletim Focus encontram-se em torno de 1,6%, 3,0% e 3,5%, respectivamente.

A curto prazo, no entanto, a inflação pode sofrer altas. Isto devido aos ajustes nos preços do petróleo e nos preços de itens específicos com baixa demanda na quarentena.

O risco de alta da inflação é possível caso a pandemia se prolongue. E provoque aumento de incerteza e de poupança. É uma possibilidade com que o Copom trabalha, apesar de acreditar no cenário desinflacionário.

Reação global à crise

O comitê ponderou que a reação dos governos e bancos centrais das principais economias tem apresentado coordenação e dimensão inéditas. E isto tem mitigado parcialmente os impactos econômicos da crise.

 

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