Ata do Copom: Selic só muda com inflação ou ameaça fiscal

Cláudia Zucare Boscoli
Jornalista formada pela Cásper Líbero, com pós-graduação em Jornalismo Econômico pela PUC-SP, especialização em Marketing Digital pela FGV e extensão em Jornalismo Social pela Universidade de Navarra (Espanha), com passagens por IstoÉ Online, Diário de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e Editora Abril.
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Crédito: Reprodução/Flickr

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central divulgou nesta terça-feira (3) a ata de sua última reunião, quando decidiu pela manutenção da taxa básica de juros (Selic) em 2%.

De acordo com o documento, o Copom julga adequado o nível atual de estímulo monetário e o forward guidance adotado, segundo o qual o Copom não pretende reduzir o grau de estímulo monetário desde que determinadas condições sejam satisfeitas.

As condições são: expectativas de inflação abaixo da meta; regime fiscal mantido; e expectativas de inflação de longo prazo ancoradas.

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Novamente, o comitê voltou a afirmar que novos cortes, se houverem, serão pequenos.

Sobre a evolução da dívida pública e a manutenção do teto de gasto, o comitê afirmou que “condiciona a não elevação dos juros à manutenção do atual regime fiscal”.

“O Comitê refletiu que alterações de política fiscal que afetem a trajetória da dívida pública ou comprometam a âncora fiscal motivariam uma reavaliação, mesmo que o teto dos gastos ainda esteja nominalmente mantido”, afirma o documento.

O Copom salienta ainda que o processo de reformas é essencial para permitir a recuperação sustentável da economia.

Avaliação do cenário econômico

No cenário externo, o Copom entende que a forte retomada em alguns setores produtivos parece sofrer alguma desaceleração, em parte devido ao novo avanço da pandemia.

“Há bastante incerteza sobre a evolução desse cenário, frente a uma possível redução dos estímulos governamentais e à própria evolução da Covid-19. Contudo, a moderação na volatilidade dos ativos financeiros segue resultando em um ambiente relativamente favorável para economias emergentes”, afirma o comitê.

Já em relação à atividade econômica brasileira, o Copom reafirmou que os indicadores sugerem uma recuperação desigual entre setores. Com os segmentos mais afetados pelo distanciamento social ainda deprimidos.

“Prospectivamente, a incerteza sobre o ritmo de crescimento da economia permanece acima da usual, sobretudo para o período a partir do final deste ano, concomitantemente ao esperado arrefecimento dos efeitos dos auxílios emergenciais”.

Inflação monitorada de perto

Segundo o Copom, a alta atual nos preços dos alimentos e bens industriais decorre da desvalorização do real, da alta da commodities e dos programas de transferência de renda. Mas a inflação é pontual e passageira, na visão do comitê, apesar de “acompanhar de perto” a evolução.

Decisão sobre Selic já era aguardada

A decisão de manter a Selic em 2% já era amplamente aguardada pelo mercado.

A taxa encontra-se, atualmente, em seu menor nível desde o início da série histórica do Banco Central, em 1986.

Em julho de 2015, a taxa chegou a 14,25% ao ano.

Em outubro de 2016, o Copom reduziu os juros básicos da economia até que a taxa chegasse a 6,5% ao ano em março de 2018.

Em julho de 2019, a Selic voltou a ser reduzida até alcançar 2% ao ano em agosto deste ano.

No entanto, diante das incertezas fiscais, a expectativa de manutenção dos 2% até meados de 2021 já não se mantém.

Selic deve ficar em 2%, mas a pergunta é: até quando?

Próxima reunião

A última reunião deste ano do Copom será nos dias 8 e 9 de dezembro.

Segundo a pesquisa mais recente do BC ao mercado financeiro (Boletim Focus), a expectativa é de que a Selic se mantenha em 2% ao ano até o final de 2020.

Para o fim de 2021, estima-se que a taxa básica chegue a 2,75% ao ano.

O Copom reúne-se a cada 45 dias. No primeiro dia do encontro são feitas apresentações técnicas sobre a evolução e as perspectivas das economias brasileira e mundial e o comportamento do mercado financeiro.

No segundo dia, os membros do Copom, formado pela diretoria do BC, analisam as possibilidades e definem a Selic.

O que é a Selic?

A Selic, taxa básica de juros, é usada como referência para todo empréstimo ou financiamento no país. Ela é também o principal instrumento de política monetária utilizado pelo Banco Central para controlar a inflação.

Quando o Copom reduz a Selic, a tendência é que o crédito fique mais barato. O que incentiva a produção e o consumo.

Em sentido contrário, quando o Copom aumenta a taxa básica de juros, seu objetivo é conter a demanda aquecida. Isso causa reflexos nos preços, porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança.

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