Ata do Copom, estreias na Bolsa, IPCA-15 e PMIs agitam semana

Marco Antônio Lopes
Editor. Jornalista desde 1992, trabalhou na revista Playboy, abril.com, revista Homem Vogue, Grandes Guerras, Universo Masculino, jornal Meia Hora (SP e RJ) e no portal R7 (editor em Internacional, Home, Entretenimento, Esportes e Hora 7). Colaborador nas revistas Superinteressante, Nova, Placar e Quatro Rodas. Autor do livro Bruce Lee Definitivo (editora Conrad)
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Crédito: Banco Central (BC)/Divulgação

Uma semana após o Comitê de Política Monetária (o Copom) decidir pela manutenção da taxa Selic em 2%, suspendendo série de cortes consecutivos, qual será a estratégia para a política monetária nos próximos meses? É o que a ata do comitê vai indicar em documento que será divulgado esta semana.

A agenda da semana terá outros termômetros e indicadores da economia do país. O calendário será pontuado pelos anúncios do IPCA-15 e do Relatório Trimestral da Inflação, em tempos imprevisíveis de alta dos preços.

No setor corporativo, IPOs continuam em destaque na bolsa, com a estreia da Cury, subsidiária da Cyrela (CYRE3), e precificações aguardadas como a da incorporadora e construtora Melnick.

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Na agenda externa, PMIs americano, alemão e da zona do euro mostrarão sinais ou não de retomada da atividade econômica em meio a um período de alta da pandemia em vários países europeus e nos EUA.

O presidente do Federal Reserve Jerome Powell falará sobre os próximos passos do país diante da crise, na semana posterior à decisão da instituição de manter as taxas de juros no mesmo patamar até pelo menos 2021.

Bolsa abaixo dos 100 mil

A semana anterior foi a terceira seguida de baixa no Ibovespa, com a perda de 1,81% na sexta-feira (18). A queda de 0,07% na semana ocorreu depois de a bolsa passar a maior parte dela no terreno positivo. O índice acabou em 98.289,71 pontos, número menor que o de sexta passada.

Foi também reflexo da Europa e de Nova York, com os mercados também negativos. Mas fatores internos devem ser considerados no desempenho da bolsa brasileira. Investidores estão apreensivos com a política fiscal, inflação apontando pra cima e a pressão sobre os juros futuros.

O cenário não sugere otimismo. No mês a queda está em 1,09%. No ano, as perdas acumuladas ficaram em 15,01%.

O dólar fechou a semana com alta de 0,87%. Nesta sexta, a moeda norte-americana subiu mais 2,79%, indo a R$ 5,3776.

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Incertezas

As incertezas sobre a economia global, com indicativos de uma segunda onda da Covid-19 na Europa, que pode se estender para o resto do mundo e tornar ainda mais lenta a recuperação nos EUA, derrubaram os mercados, contagiando os ativos domésticos.

A infecção está subindo em exatamente 73 países monitorados.

A Inglaterra discute um novo lockdown – embora o governo negue. Israel entrou em novo lockdown. A Organização Mundial da Saúde (OMS), meses atrás, já havia alertado que esse abre-e-fecha seria prática usual enquanto a vacina não chegasse.

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Para esta semana, esse quadro de instabilidade certamente se repetirá — beirando os 100 mil pontos ou ultrapassando esse patamar.

Vacina contra a Covid-19, esperado e enrolado acordo entre republicanos e democratas sobre um pacote de estímulo para a economia, além de debates e decisões sobre programas sociais do governo e o equilíbrio fiscal, se mantêm na pauta e radar dos investidores.

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Ata do Copom

Na próxima terça (22), o Copom divulga a ata da última reunião – a que anunciou, na última quarta (16), que o BC vai manter a taxa Selic em 2%, após nove cortes consecutivos da taxa de juros.

O último corte da Selic, de 2,25% para 2%, realizado na reunião de agosto, reduziu a taxa ao seu piso histórico.

No comunicado, o comitê reconhece espaço para novos cortes, que dependerão da trajetória fiscal e da inflação.

“O Copom entende que a conjuntura econômica continua a prescrever estímulo monetário extraordinariamente elevado”, diz o comunicado

“Mas admite que, devido a questões prudenciais e de estabilidade financeira, o espaço remanescente para utilização da política monetária, se houver, deve ser pequeno”, prossegue.

“O Copom não pretende reduzir o grau de estímulo monetário, a menos que as expectativas de inflação estejam suficientemente próximas da meta de inflação”, complementa.

Alta dos preços

A alta da inflação, mencionada no último encontro, pode fazer parte das sinalizações do que a instituição prevê para a política monetária.

O Copom informou que a inflação deve se elevar no curto prazo, principalmente por causa do movimento de alta temporária nos preços dos alimentos e a normalização parcial do preço de alguns serviços, no contexto de retomada maior da atividade econômica.

As projeções do Copom para este ano (2,1%) estão mais elevadas do que as da Focus (1,9%), mas mais baixas para 2021 (2,9% contra 3,0%) e para 2022 (3,3% contra 3,5%).

Há outros fatores que vão balizar a ata dessa reunião. É o que o mercado aguarda, como indicativos do que o BC vai apontar sobre os rumos da política monetária.

Na ata da última reunião, no início de agosto, o Comitê já sinalizava manter a Selic em 2% até o final do ano. Novo corte, se houver, será pequeno, dizia o documento.

IPCA-15

A inflação é outro ponto de atenção da semana com o anúncio do IPCA-15 de setembro na próxima quarta (23).

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) variou 0,23% em agosto.

O resultado, divulgado em 25 de agosto pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), veio praticamente em linha com o que o mercado aguardava (0,24%).

O indicador é considerado uma prévia do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), medida oficial de inflação no país. Em julho, o IPCA-15 registou variação de 0,30%.

No ano, o IPCA-15 acumula alta de 0,90% e, em 12 meses, atingiu 2,28%.

Prévias do IPC, divulgado pela Fipe na sexta (25), e do IPC-S (pela FGV na quarta) reforçam a agenda de indicadores da inflação.

Relatório Trimestral de Inflação

Ainda no quesito da apuração de preços e análise da economia, a semana inclui ainda o Relatório Trimestral de Inflação, divulgado na quinta (24) pelo Banco Central.

No último RTI, em junho, o BC apontou que haverá “recuperação gradual nos dois últimos trimestres do ano”.

De acordo com o Banco Central, o consumo das famílias brasileiras deve recuar 7,4% em 2020, ante +0,8% em março. Já os investimentos devem cair 13,8%.

A estimativa para o Produto Interno Bruto (PIB), no RTI de junho, indicava retração de 6,4%.

A projeção foi derivada da pandemia do coronavírus, e os impactos na atividade econômica. Dado que deve ser levado em conta, claro, no próximo documento.

O RTI vai avaliar o efeito da flexibilização e reabertura da economia.

IPOs

No setor corporativo, prossegue a temporada de estreias na bolsa.

A Cury,  construtora e Incorporadora que é subsidiária da Cyrela (CYRE3, estreia na segunda (21).

Há um forte movimento em curso de abertura de capital de empresas do mercado imobiliário.

Para se ter ideia, só a Cyrela (CYRE3) abre o capital de três subsidiárias em 2020. A Cury é uma delas. Mas há ainda a Lavvi Empreendimentos e a Plano & Plano Desenvolvimento Imobiliário.

Precificação

A Cyrela (CYRE3) informou na sexta-feira (18) que aprovou o preço por ação no valor de R$ 9,35, referente ao IPO da Cury.

Segundo o comunicado, o aumento do capital social da Cury será no montante de R$ 169.999.998,30. Serão emitidas 18.181.818 de novas ações.

Ainda no âmbito da oferta, será realizada a distribuição secundária de ações ordinárias de emissão da Cury e de titularidade de seus acionistas controladores, sem alteração de controle.

O IPO da Cury estava previsto para ocorrer no primeiro semestre. Mas, como muitos outros, foi adiado devido à pandemia. No fim de julho, a empresa retomou o pedido junto à CVM (Comissão de Valores Mobiliários).

A oferta será coordenada por BTG Pactual, Itaú BBA, Bank of America e Caixa Econômica Federal.

A Cury informou que usará os recursos da oferta primária para a compra de terrenos e expansão de seus projetos em São Paulo e Rio de Janeiro.

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Mais IPOs

Nesta semana outras empresas anunciam como vão precificar sua ações para o IPO.

Na quinta (24), por exemplo, a incorporadora e construtora Melnick anuncia sua precificação.

A construtora gaúcha é controlada pela Even Construtora e Incorporadora (EVEN3) e quer captar recursos para comprar terrenos, reforçar o caixa e ampliar sua atuação no segmento imobiliário.

Na quarta sairá a precificação das ações da Hidrovias do Brasil (HBSA3) e BR Partners. Na quinta será a vez de a Santos Brasil, que pode levantar mais de R$ 1,3 bilhão.

A Hidrovias do Brasil (HBSA3) estabeleceu faixa indicativa de preço entre R$ 7,56 e R$ 8,88 para seu IPO.

Segundo a Hidrovias, serão ofertados inicialmente de 399.426.570 ações ordinárias.

As ações da companhia iniciam as negociações na B3 em 25 de setembro de 2020.

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Agenda externa terá PMIs e Powell

O calendário no exterior inclui a divulgação de PMIs dos EUA, Alemanha e da Zona do Euro, todos na quarta, com os números preliminares de setembro.

Os indicadores devem indicar como as economias estão se recuperando da crise sanitária – se vão sugerir mesmo um quadro de retomada consistente ou um crescimento ainda instável.

O Índice dos Gerentes de Compras (PMI na sigla em inglês) industrial dos Estados Unidos apontou avanço da atividade econômica em agosto perante julho.

O indicador registrou 53,1 pontos, ante 50,9 pontos do mês anterior. A projeção do mercado era por resultado um pouco melhor: 53,6 pontos.

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A divulgação foi feita em 1º de setembro pela IHS Markit. Números de PMI acima dos 50 pontos indicam crescimento da economia. Ao passo que números inferiores indicam retração.

Na Europa, o PMI de agosto veio em linha com o aguardado: ficou em 51,7 pontos, ante 51,8 do mês anterior.

A Alemanha, que tem a economia mais forte da região, teve leitura de 52,2, acima dos 51 pontos de julho. Mas, ainda assim, o resultado veio abaixo da expectativa do mercado, que era por 53 pontos.

Fed

O presidente do Fed Jerome Powell fará um discurso na próxima quinta.

A fala é esperada pelo mercado porque Powell pode apontar mais sinais do caminho que a política monetária seguirá nos próximos meses.

O Federal Reserve informou,  a quarta (16), que manterá as taxas de juros entre zero e 0,25%.

O Fomc (Comitê Federal de Mercado Aberto, na sigla em inglês) disse que pretende manter os juros perto da estabilidade até pelo menos 2023.

A taxa só será alterada se a inflação subir, resumiram os dirigentes da instituição.

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O Fed disse que pretende manter a política de juros perto do zero até os índices de emprego subirem. Aguardam ainda que a inflação fique em torno de 2%..

Powell concedeu entrevista coletiva após o anúncio do Fed e fez um balanço dos recentes dados divulgados da atividade econômica e como o Fed respondeu a esses indicadores.

Segundo Powell, o Fed “está comprometido em alcançar os objetivos de pleno emprego e de inflação (2%)”. Assegurou juros inalterados nos EUA até que “os objetivos de inflação e emprego sejam atingidos”.

Powell afirmou que recuperação da economia pode exigir mais ações de política monetária e fiscal do governo.

Ele poderá dar mais indicativos de que ações seriam essas, por exemplo.

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