Ata: Copom mantém “plano de voo” e sustenta outra alta de 1pp para Selic em outubro

Cláudia Zucare Boscoli
Jornalista formada pela Cásper Líbero, com pós-graduação em Jornalismo Econômico pela PUC-SP, especialização em Marketing Digital pela FGV e extensão em Jornalismo Social pela Universidade de Navarra (Espanha), com passagens por IstoÉ Online, Diário de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e Editora Abril.
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Crédito: Reprodução/BC

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central divulgou nesta terça-feira (28) a ata de sua 241ª reunião, na qual elevou a Selic, taxa básica de juros, de 5,25% para 6,25%.

Segundo o comitê, a inflação ao consumidor segue elevada, devido a repasses de custos, restrições de oferta e redirecionamento da demanda, o que deve persistir no curto prazo. Segundo o Copom, isso acontece em decorrência gradual normalização da atividade pós-pandemia, dinâmica que já era esperada.

Adicionalmente, persistem as pressões sobre componentes voláteis como alimentos, combustíveis e, especialmente, energia elétrica, que refletem fatores como câmbio, preços de commodities e condições climáticas desfavoráveis.

No entanto, o Copom segue defendendo que o atual ritmo de ajuste na taxa Selic é suficiente para atingir “patamar significativamente contracionista” e garantir a convergência da inflação para a meta em 2022. As projeções de inflação do Copom situam-se em torno de 8,5% para 2021, 3,7% para 2022 e 3,2% para 2023.

E voltou a afirmar, assim como no comunicado emitido na última quarta-feira (22), pós-Copom, que novo aumento também de 1 ponto porcentual pode ser aguardado para o próximo encontro, que acontece dias 26 e 27 de outubro. Segundo afirmou o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, em evento do BTG Pactual (BPAC11), o “plano de voo” não será mudado a cada novo dado sobre inflação.

Novamente, o comitê afirma que prolongamentos das políticas fiscais de resposta à pandemia podem pressionar a demanda agregada e piorar a trajetória fiscal, elevando os prêmios de risco do país. “Apesar da melhora recente nos indicadores de sustentabilidade da dívida pública, o risco fiscal elevado segue criando uma assimetria altista no balanço de riscos, ou seja, com trajetórias para a inflação acima do projetado no horizonte relevante para a política monetária”, afirma a ata.

No cenário externo, o Copom aponta como pontos de atenção possíveis desacelerações no crescimento, em decorrência da variante delta, e mudanças nas políticas monetárias, com redução dos estímulos.

Projeções para Selic mês a mês em 2021 (% ao ano)projeções para Selic