Em ata divulgada nesta terça-feira (22), o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central justificou o aumento da Selic de 3,5% para 4,25%, promovido na semana passada.
O comitê afirmou que espera, para a reunião de agosto, outro reajuste de mesma magnitude (0,75 ponto porcentual). No entanto, enfatizou que não descarta um “ajuste mais tempestivo”.
Segundo o Comitê, o ajuste tempestivo teria duas vantagens: a de acumular mais informações sobre os determinantes da inflação e deixar claro que há transparência nas divulgações do Copom, mas que os passos futuros da política monetária são livremente ajustados para manter a inflação dentro da meta, conforme novas informações se tornam disponíveis.
“As informações obtidas no período entre as reuniões do Copom modificam as hipóteses presentes no cenário básico e no balanço de risco, e naturalmente alteram a trajetória futura dos juros”, salienta a ata.
Um ajuste maior do que 0,75 ponto porcentual virá, afirma o Copom, se houver deterioração das expectativas de inflação para o horizonte relevante. “O Comitê ressalta que essa avaliação também dependerá da evolução da atividade econômica, do balanço de riscos e de como esses fatores afetam as projeções de inflação”.
Reafirmou ainda sua intenção de zerar os estímulos até o final do ano – o que significa levar a Selic a pelo menos 6,5%, como já aponta o Boletim Focus.
Ambiente segue desafiador para emergentes
O Copom salientou ainda que existe incerteza quanto à escalada inflacionária nos demais países, o que pode tornar o ambiente desafiador para emergentes.
O Comitê destaca que acompanha de perto o comportamento do preço das commodities e também o prolongamento dos programas em resposta à pandemia, que podem elevar os prêmios de risco do país.
“Apesar da melhora recente nos indicadores de sustentabilidade da dívida pública, o risco fiscal elevado segue criando uma assimetria altista no balanço de riscos, ou seja, com trajetórias para a inflação acima do projetado no horizonte relevante para a política monetária”.
Já em relação à atividade econômica brasileira, apesar da intensidade da segunda onda da pandemia, os indicadores recentes continuam mostrando evolução mais positiva do que o esperado, implicando revisões relevantes nas projeções de crescimento. “Os riscos para a recuperação econômica reduziram-se significativamente”, afirmou o comitê.