Assinatura de Fase I da Guerra Comercial e o novo horizonte para a China

Filipe Teixeira
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Crédito: Chinese President Xi Jinping chats with President Donald Trump during a welcome ceremony in Beijing on Nov. 9, 2017. AP Photo | Andy Wong

A assinatura de um primeiro acordo entre EUA x China, além de reduzir as tensões comerciais (ao menos temporariamente) em todo o mundo, renova a confiança de Xi Jinping para a retomada do crescimento econômico chinês.

A China parece ter perdido a queda de braço contra Trump nestes últimos dois anos, marcados pela imposição de tarifas e sobretaxas dos EUA aos seus produtos.

Depois do alerta dado em 2019 (ano em que o Partido Comunista completou 70 anos) sobre ameaças ao seu governo e “mudanças invisíveis em 100 anos”, Xi começou 2020 divulgando “extraordinário esplendor e força chineses”.

“Em face de situações domésticas e estrangeiras graves e complexas e de vários riscos e desafios, conseguimos avançar firmemente ”, disse o presidente chinês aos líderes do partido em seu último encontro.

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Problemas e desafios permanecem para Xi, mas o acordo da primeira fase, firmado pelas maiores economias do mundo, dá a ele motivos para enxergar o copo “meio cheio”.

Enquanto o país ainda enfrenta uma desaceleração de economia, dívidas crescentes e novos desafios em Hong Kong e Taiwan, o acordo comercial lhe dá pelo menos alguma certeza de existe uma propensão de Trump em superar os obstáculos comerciais e diplomáticos.

Ao longo dos últimos dois anos, onde a balança comercial chinesa sofreu com o jogo duro do presidente norte-americano, os chineses aprenderam algo sobre o modus operandi de Trump: nem sempre o cão que ladra, acaba mordendo.

O acordo visa um comprometimento da China em comprar cerca de $ 200 bilhões de produtos dos EUA nos próximos dois anos, bem como o respeito pelos direitos de propriedade intelectual e a não manipulando sua moeda.

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Yuan Fortalecido

Embora repetidos contratempos nas negociações entre os dois lados tenham alimentado ceticismo quanto à longevidade da trégua, os investidores também estão otimistas: o yuan se fortaleceu para uma alta de cinco meses em relação ao dólar.

O principal jornal de língua inglesa do país, o China Daily, até saudou um novo “espírito de modus vivendi”, ou coexistência pacífica com os EUA.

Os líderes do Partido Comunista têm outras razões para sorrir em 2020: a desaceleração econômica mostrou sinais de estabilização.

Os economistas aumentaram suas previsões de crescimento para 2020 para 5,9% – enquanto os protestos pró-democracia em Hong Kong, que eclodiram no ano passado, diminuíram em frequência e violência.

A lista de desafios que Xi enfrenta em 2020 é indiscutivelmente longa, mas, do ponto de vista dele, também são as oportunidades decorrentes do declínio da liderança global e da influência dos EUA, sejam reais.

Mais tático, menos ideológico

O acordo comercial dá à China a confiança de que pode resistir às campanhas de pressão de Trump, calibrando cuidadosamente as retaliações e evitando críticas diretas ao líder dos EUA.

Enquanto isso, grande parte da atenção de Trump no novo ano foi direcionada a seu processo de impeachment no Senado, os desdobramentos da tensão com o Irã, além da corrida eleitoral, que deve ocupar boa parte de enfoque este ano.

A propósito, a situação iraniana é uma indicação muito boa de como Trump faz seus negócios: Seus principais objetivos são muito mais táticos do que ideológicos.

Enquanto Trump enfrenta uma dura batalha de reeleição depois de se tornar o terceiro presidente dos EUA a ser acusado, a posição doméstica de Xi parece mais forte do que nunca.

O comitê central do Partido Comunista apelidou Xi de “líder do povo” – um termo usado para descrever Mao Zedong – depois de concordar anteriormente em remover os limites do mandato presidencial.

Só o começo

Xi Jinping se prepara para o próximo congresso do partido, duas vezes por década, em 2022, que determinará se ele continuará liderando o país no futuro próximo. Este ano, é provável que Xi intensifique sua campanha para manter a liderança do partido.

A recente pausa nas tensões é ainda mais bem-vinda, dado o crescente consenso em Pequim e Washington de que as duas potências estão caminhando para um longo período de luta estratégica. Enquanto comemoram uma pequena vitória, os formuladores de políticas chineses estão se preparando para um conflito prolongado.

O tempo, parece conspirar a favor dos chineses, já que o Partido Comunista, por razões óbvias, continuará no poder com ou sem Xi Jinping e o mesmo vale para Trump, que poderá ser reeleito ou não.

“Vantagens” da ditadura chinesa.


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