Assessor de investimentos ou gerente de banco: entenda o papel de cada um

Natalia Gómez
Editora, é jornalista especializada no mercado de investimentos há 17 anos. Formada pela PUC-SP, teve experiências em veículos como Agência Estado, Valor Econômico e Revista Você SA; e na área de comunicação corporativa e relações públicas para instituições financeiras.

Nos últimos dias, ganhou destaque um debate acalorado sobre as diferenças entre assessores de investimentos (ou agentes autônomos) e gerentes de bancos. Tudo começou com uma campanha publicitária do Itaú atacando o modelo de negócios da XP.

Mesmo sendo sócio da XP, o banco apelou para o marketing para tentar preservar sua base de clientes no modelo tradicional.

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Mas discussões à parte, é importante para o investidor entender exatamente quais são as diferenças entre estes profissionais.

Afinal, é o seu dinheiro que está em jogo.

Mercado em transformação

Para começar, é importante explicar que a indústria dos investimentos no Brasil tem se transformado nos últimos anos. Antigamente, os bancos dominavam o mundo dos investimentos. É por isso que o gerente de conta ainda é a pessoa mais procurada pelos brasileiros na hora de investir.

No entanto, o mercado tem mudado. O brasileiro tem diversificado mais as suas aplicações. Uma prova disso é o grande número de empresas abertas na bolsa desde os anos 2007 e 2008. Hoje, são cerca de 350 empresas abertas.

Ao mesmo tempo, as corretoras de valores têm ganhado mais espaço como intermediárias entre os investidores e as aplicações – ações, fundos, títulos de renda fixa, etc.

A XP foi pioneira neste mercado, adotando um modelo que ficou conhecido como “shopping dos investimentos”.

É neste modelo que entram os assessores de investimentos. Eles trabalham como uma ponte entre os investidores e as aplicações disponíveis nas corretoras.

Neste novo formato, qualquer cliente pode acessar produtos que antes eram oferecidos apenas para os clientes de alta renda dos bancos.

Confira agora como cada um destes profissionais trabalham:

O gerente de banco

Primeiramente, os gerentes são funcionários dos bancos. Eles distribuem produtos de investimento da própria instituição para os clientes. Para fazer isso, sempre existiu uma segmentação nos setores de varejo, varejo seletivo e private.

Em outras palavras, quando menos dinheiro tinha o investidor, maiores eram as taxas cobradas e menores os retornos. Isso tem mudado devido à disseminação da informação na internet.

Uma prova disso é que o Itaú chegou a criar uma plataforma para oferecer produtos próprios e de terceiros. É algo novo, impossível de imaginar alguns anos atrás.

Outra diferença entre assessores de investimentos e gerentes é o dia a dia do trabalho.

Planilha de Ativos

Um dos principais exercícios para a compra de uma ação é saber se ela está cara ou barata. Para isso, preparamos um material especial para ajudá-lo nesta análise.

Além de cuidar das contas correntes, pagamento de contas, empréstimos, transferências, o gerente ainda tem que atingir uma série de metas relativas a vendas de produtos bancários.

Alguns exemplos são seguros, os famosos títulos de capitalização e títulos de renda fixa.

Embora este profissional seja idôneo e muitas vezes bem intencionado, não tem as condições ideais para se concentrar no perfil de cada cliente.

E o assessor de investimentos?

Diferente do gerente de banco, que acumula várias funções, o assessor de investimentos é uma pessoa voltada exclusivamente para orientar os clientes sobre investimentos.

No seu dia a dia, ele prospecta novos clientes, fornece orientações sobre o mercado financeiro aos investidores, oferece os produtos certos e depois transmite as ordens dos investidores para corretoras.

Para isso, ele analisa o perfil do investidor, com o objetivo de entender seus principais objetivos e sua tolerância ao risco.

Com estas informações em mãos, o assessor de investimentos cria uma estratégia de investimentos.

assessor

Enquanto o gerente é um funcionário do banco, o assessor de investimentos é um empresário que depende da sua própria credibilidade para ter uma boa carteira de clientes.

A remuneração dele vem da corretora de valores à qual ele é vinculado. Esta instituição paga ao assessor uma comissão pelas aplicações feitas pelos clientes.

Isso significa que o ganho deste profissional depende diretamente da sua reputação. Afinal, esta vai ditar o porte da sua carteira de clientes.

Tendência mundial

Para se ter ideia, nos Estados Unidos, mais de 90% dos ativos são geridos pelos Financial Advisors. Lá, são mais de 1,3 milhão de assessores trabalhando nesta área.

No mercado brasileiro, o avanço tem sido grande, mas ainda existe um grande potencial neste sentido.

De acordo com dados da Ancord, em 2019 o mercado tinha 9,6 mil profissionais da área credenciados, sendo que 7,5 mil estavam vinculados a uma instituição financeira, ou seja, aptos a exercer atividades.

Novos tempos

Em resumo, a briga entre Itaú e XP revela o momento de transformação que a indústria está vivendo.

Diante da maior concorrência, os bancos precisam se reinventar. Os clientes estão mais bem informados, têm muitas opções para escolher e cada vez mais empresas dispostas a atendê-los.

Ao mesmo tempo, a Selic baixa incentiva os investidores a aprenderem mais sobre investimentos para conseguirem melhores retornos no longo prazo.

Recentemente, o presidente da Anbima, Carlos Ambrósio, afirmou que o futuro da indústria de investimentos é centralizar seu foco no cliente. Não mais de acordo com sua renda, mas sim com seu perfil e seus objetivos de vida.

Junto com as corretoras de valores, os assessores de investimentos têm atuado desta forma. Promovendo a inclusão financeira no Brasil.

Os bancos estão incomodados. No entanto, isso também é sinal dos novos tempos: afinal, quanto maior for o incômodo dos grandes bancos, melhor para os clientes.