Ásia deve ter crescimento zero pela primeira vez em 60 anos

Fernando Augusto Lopes
Redator e editor

Crédito: Divulgação / FMI

O Fundo Monetário Internacional (FMI), soltou nota nessa quarta-feira (15), afirmando que o crescimento da economia do continente asiático será em torno de 0%, o que representa estagnação. Este é o pior resultado em quase 60 anos, fruto da pandemia do novo coronavírus.

O comunicado foi feito pelo diretor do FMI para a Ásia e o Pacífico, Changyong Rhee.

“Esta é uma crise como nenhuma outra”, ele afirma. “É pior que a crise financeira global de 2008 e a Ásia não está imune. Embora exista uma grande incerteza sobre as perspectivas de crescimento para 2020, e ainda mais sobre as perspectivas para 2021, o impacto do coronavírus na região será – em geral – severo e sem precedentes”.

“O crescimento na Ásia deve estacionar em zero por cento em 2020. Este é o pior desempenho em quase 60 anos, inclusive durante a Crise Financeira Global (4,7%) e a Crise Financeira Asiática (1,3%). Dito isto, a Ásia ainda parece se sair melhor do que outras regiões em termos de atividade”, analisa.

Proteção

Para o diretor, é preciso um choque econômico real com uma forte proteção de pessoas, empregos e indústrias. Isso vale para quase todos os países da região.

Especialmente porque as baixa são substanciais, variando de 3,5 pontos percentuais no caso da Coreia do Sul, que parece ter conseguido retardar a disseminação do novo coronavírus, minimizando as paradas prolongadas da produção, a mais de 9 pontos percentuais no caso da Austrália, Tailândia e Nova Zelândia, todos atingidos pela desaceleração do turismo global e, no caso da Austrália, pelos preços mais baixos das commodities.

“Dentro da região, os países das Ilhas do Pacífico estão entre os mais vulneráveis, devido ao espaço fiscal limitado e à infraestrutura de saúde comparativamente subdesenvolvida”, diz o comunicado.

Desaceleração dupla

É como o FMI está analisando o problema na região: desaceleração dupla.

Além do impacto das medidas domésticas de contenção e do distanciamento social, dois fatores principais estão moldando as perspectivas para a Ásia.

Primeiro, a desaceleração global: “a economia global deverá contrair-se em 2020 em 3% – a pior recessão desde a Grande Depressão (em 1929). É uma contração sincronizada, um desligamento global repentino. Os principais parceiros comerciais da Ásia deverão contrair acentuadamente, incluindo os Estados Unidos em 6,0% e a Europa em 6,6%”.

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E a desaceleração da China: “projeta-se que o crescimento da China caia de 6,1% em 2019 para 1,2% em 2020. Isso contrasta fortemente com o desempenho de crescimento da China durante a crise financeira global, que pouco mudou em 9,4% em 2009, graças ao importante estímulo fiscal de cerca de 8% do PIB. Desta vez, não podemos esperar essa magnitude de estímulo, e a China não ajudará o crescimento da Ásia como em 2009”.

Perspectivas para 2021

As perspectivas para 2021 são de forte crescimento, mesmo que de maneira incerta. Dependem, basicamente, de como a crise vai ser debelada e em quanto tempo.

“Se as medidas de contenção funcionarem, e com um estímulo político substancial, o crescimento na Ásia deverá se recuperar fortemente”, escreve o FMI. “Mas não há espaço para complacência. A região está passando por diferentes estágios da pandemia. A economia da China está começando a voltar ao trabalho, outras estão impondo bloqueios mais rígidos e algumas estão passando por uma segunda onda de infecções por vírus. Muito depende da propagação do vírus e de como as políticas respondem”.

“A primeira prioridade é apoiar e proteger o setor de saúde para conter o vírus e introduzir medidas que reduzam o contágio. Se não houver espaço suficiente nos orçamentos dos países, eles precisarão redefinir a prioridade de outros gastos”, conclui.

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