As taxas de juros negativas são uma ameaça ao sistema financeiro mundial?

Filipe Teixeira
Filipe Teixeira é redator do Portal EuQueroInvestir. Gremista, filho dos anos 80, apaixonado por filmes, música, política e economia.É também Coordenador da área de Marketing do EuQueroInvestir.com e do EuQueroInvestir A.A.I assessores de investimentos.Me envie um e-mail: filipe.teixeira@euqueroinvestir.com Ou então uma mensagem por WhatsApp: (51) 98128-5585 Instagram: filipe_st

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A realidade dos juros negativos veio para ficar?

De tempos em tempos, os modelos econômicos parecem produzir a necessidade de se reinventar, criando aquilo que comumente chamamos de ciclos. Nos últimos anos, a queda global nas taxas de juros vem chamando a atenção dos mercados (em especial do ocidente), mas afinal, o que isso representa na prática?

Respondendo de maneira simples e objetiva: Não sei. Ninguém sabe. Trata-se de um modelo que além de inédito, ainda se encontra em andamento, portanto, não autoriza nem o mais notório dos especialistas, a concluir coisa alguma.

Quando o Banco Central Europeu estabeleceu uma taxa de -0,10% em 2014, determinando assim que as contrapartes começariam a pagar para terem seu capital depositado na instituição, Suiça, Japão e Hungria não demoraram muito para seguir seus passos.

Mas é justo lembrar que o Banco Nacional da Dinamarca já havia feito o mesmo, em julho de 2012.

Estima-se que atualmente, US$17 trilhões de títulos soberanos ao redor do mundo, rendem juros nominais negativos. Entenda-se por juro nominal, o valor pelo qual o juro é contratado.

Fonte: Bloomberg

Este esclarecimento se faz necessário em virtude de que no passado, situações de juros reais (juro nominal menos inflação) negativos já foram identificados. Reforçando a ideia de que o cenário atual é sem precedentes.

Cabe ressaltar também que este volume, não engloba apenas títulos de curto prazo: O fenômeno também é verificado em títulos de 10 anos e 30 anos, em especial, na zona do Euro.

Um breve insight sobre os juros

Diversos são os conceitos em torno dos juros. Gosto mais da definição de que basicamente, se trata do prêmio por se abrir mão do consumo no agora. Do lado contrário, é o preço que se paga pela necessidade de se antecipar o consumo.

O juro, portanto, é o custo da impaciência.

São elas, as taxas de juros, que determinam o quanto consumimos no presente, e quanto maior a necessidade no “hoje”, mais elevados devem ser os juros.

Em um ambiente de prosperidade, portanto, o consumo pode se dar ao luxo de ser empurrado com a barriga, sem contrapartidas.

Levando em conta este raciocínio, em um cenário de juros negativo, pressupõe-se um desestímulo à poupança e consequentemente, um estímulo ao gasto no presente.

Como admitir então, que os Bancos Centrais defendam tal esquisitice?

Pensemos no papel destas instituições: Garantir a estabilidade dos preços, promovendo um seguro ambiente financeiro, com um olhar sempre atento ao emprego. Para tal, sua maior arma é a sua política monetária e a taxa de juros é uma das ferramentas desta política.

Qual o objetivo por trás desta política?

Em uma primeira leitura, o mais óbvio é deduzir que a imposição de taxas negativas, pretendem forçar o sistema bancário a oferecer mais crédito, movimentando a economia e atuando diretamente nos preços, evitando uma deflação.

Oficialmente, as justificativas apontadas pelos Bancos Centrais e o FMI são:

  • declínio contínuo no crescimento e no dispêndio globais;
  • queda na taxa de crescimento da população mundial e tendência ao envelhecimento reduzindo ainda mais os gastos e comprimindo investimento;
  • crescimento da desigualdade, que implica em um aumento da poupança global, já que os mais ricos poupam mais e os mais pobres não conseguem investir o suficiente em educação, levando a uma menor acumulação de capital humano;
  • aumento na oferta total de poupança (savings glut), especialmente nos países emergentes, liderados pela China;
  • redução da relação investimento/PIB nos países desenvolvidos devido à queda na rentabilidade dos investimentos e a um crescimento menor do investimento público.

O bom e velho colchão, começou a competir com os Bancos Centrais, mas a pergunta que fica é: até quando?

Crise ou desaceleração?

O termo desaceleração tem sido usado com uma frequência cada vez maior e parece ser mesmo o mais adequado já que até o momento, o incentivo pretendido com as taxas de juros abaixo de zero, não trouxeram uma notável recuperação no crescimento.

Os mais ferrenhos defensores, afirmam que estas medidas evitaram coisa pior: Recessão ou depressão.

O certo é que se observa uma busca maior por ativos de risco. Se é verdade que as taxas negativas não causaram baques significativos nos mercados, também se pode afirmar que os bancos estão pagando o pato, conforme veremos mais adiante.

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Taxas negativas também nos EUA?

Alan Greenspan / Créditos: knowledge.wharton.upenn.edu

O ex-presidente do Federal Reserve, Alan Greenspan, disse recentemente que não ficaria surpreso se os rendimentos dos treasuries americanos se tornassem negativos e, se isto ocorrer, não seria algo tão preocupante.

Mas na opinião deste que vos fala, as taxas de juros negativas representam sim, um potencial risco para o sistema financeiro.

Para entender o porquê, primeiramente precisamos analisar o atual modelo bancário de reservas fracionárias, que já existe há mais de 100 anos.

Para cada dólar que entra em um banco, um percentual, predefinido pelo banco central deve ser depositado em uma conta de reserva para ser supervisionado pelo tesouro nacional. O restante é emprestado ou usado para comprar títulos de dívida.

No Brasil, o percentual de depósito compulsório aos cofres do Tesouro Nacional é em média 20%, nos EUA, em torno de 10%.

Em outras palavras, o sistema bancário de reservas fracionárias é alavancado pelas taxas de juros.

E isso tem funcionado com um relativo “sucesso”. Quando as taxas são positivas.

Empréstimos são feitos e títulos são comprados porque geram renda para o banco. Em um ambiente de taxa negativa, o banco deve pagar para manter empréstimos e títulos. Em outras palavras, os bancos seriam punidos por fornecer crédito, que é a força vital de uma economia.

Dado todo o desconto de serem a parte mais atingida por esta política monetária incomum, vamos ver o que dizem os bancos:

“Hoje já temos uma situação devastadora nas taxas de juros, cujo final é imprevisível ”, afirmou em entrevista recente, Peter Schneider, representante dos bancos do setor público no estado alemão de Baden-Wuerttemberg, no sul da Alemanha.

“Se o BCE agravar esse curso, isso afetaria não apenas todo o setor financeiro, mas principalmente os investidores”, afirmou.

O governo alemão está considerando proibir taxas de depósito negativas. Em um mundo de taxas negativas, forçar as taxas da dívida de curto prazo a zero, manteria a curva de juros invertida permanentemente. O sistema bancário de reservas fracionárias não pode operar adequadamente nesse ambiente.

Para entender melhor o que isso representa, imagine o cenário de um banco qualquer aqui no Brasil. Hoje, o dinheiro que você deposita lá, fica em média, 80% disponível no caixa do banco, rendendo o CDI (Certificado de Depósito Interbancário) e os 20% restante, vão compulsoriamente para o Tesouro Nacional.

Mas nos EUA, o FED paga algo próximo a 0,25% ao ano e o Banco Central Europeu não paga nada (0%). Agora imagine um cenário onde o banco precise pagar para ter dinheiro em caixa.

Parece óbvio concluir que em um cenário com juros zero ou negativo, os bancos optarão por oferecer crédito ao mercado ou investir em ativos da bolsa, movimentando a roda da economia, certo? Bem, na prática não tem sido bem assim.

Os modelos de avaliação são outra área financeira que precisam de aprimoramento em um ambiente de taxas negativas. Os prêmios Nobel foram concedidos a economistas que desenvolveram conceitos como fronteira eficiente, modelo de precificação de ativos de capital e modelo de precificação de opções Black-Scholes.

Mas quando um valor negativo é assumido para a taxa livre de risco nesses tipos de modelos, os resultados do valor justo disparam para o infinito. Com trilhões de títulos e derivativos dependentes desses modelos.

Da mesma forma, os fundos de pensões usam uma taxa de juros com desconto para determinar se elas são adequadamente sustentáveis. Se alguém aplicar uma taxa de juros negativa à taxa de desconto, todas as pensões serão tecnicamente subfinanciadas.

As únicas pensões que seriam adequadamente financiadas, seriam aquelas com ativos que excedessem os passivos esperados e nenhum fundo de pensão é criado dessa maneira.

Da mesma forma, taxas negativas em títulos de renda fixa também significam que não há como os fundos de pensão gerarem renda suficiente para cumprir suas obrigações.

Quando as taxas ficam negativas, os credores dos valores mobiliários devem pagar em vez de receber renda. Por que alguém emprestaria seus valores mobiliários se também deveria pagar pelo privilégio de fazê-lo?

Não é necessário imaginar um cenário fictício para tentar entender este processo. Para ver os resultados de ambientes com taxas baixas ou negativas, na prática, basta olhar com atenção para a zona do euro e o Japão.

Eles representam atualmente 87% das taxas negativas em todo o mundo. A Europa está flertando com a recessão, com PIB negativo na Itália, Alemanha e outros países. Seu sistema bancário está uma bagunça, e muitos atribuem isso às taxas negativas.

Veja no gráfico abaixo, como as ações dos bancos europeus estão negociando nos níveis mais baixos em mais de 30 anos.

O Japão não está indo muito melhor. Economistas estão projetando um PIB negativo no quarto trimestre e o sistema bancário japonês é ainda pior que o da Europa, sendo negociado em alguns dos níveis mais baixos desde o início dos anos 80.

Os EUA, Reino Unido, Canadá, Austrália e Nova Zelândia são os únicos mercados de títulos dos países desenvolvidos que não têm taxas negativas em qualquer parte de suas curvas de juros.

Se esses países se unirem ao resto do mundo, adotando taxas negativas, o sistema financeiro estará sob muito mais estresse. Se as taxas negativas se tornarem mais difundidas em todo o mundo, o sistema financeiro precisará ser reconstruído com um novo conjunto de premissas.

O problema é que em virtude do ineditismo, não possuímos parâmetros suficientes para determinar como o mercado reagirá. O que se imagina é que haverá mesmo, uma enorme corrida em direção aos ativos de risco, o mercado de ações agradece.

Qual será o impacto disso? A experiência no mercado nos faz pensar, de bate pronto, em uma invasão de “turistas” com sua conhecida dose excessiva de otimismo.

Uma receita conhecida que costumam preceder as temidas bolhas financeiras, porém, felizmente ou infelizmente, só o tempo será capaz de nos mostrar.

(Filipe Teixeira – Wisir Research) / https://t.me/wisir

Referências: Carta Dynamo 101 (DYNAMO ADMINISTRAÇÃO DE RECURSOS LTDA) / Artigo: Negative Interest Rates Threaten the Financial System / Autor: Jim Bianco

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