Argentina recua e sinaliza que não vai parar negociações do Mercosul

Paulo Amaral
Jornalismo é meu sobrenome: 20 anos de estrada, com passagens por grandes veículos da mídia nacional: Portal R7, UOL Carros, HuffPost Brasil, Gazeta Esportiva.com, Agora São Paulo, PSN.com e Editora Escala, entre outros.
1

Crédito: Esteban Collazo / Argentina Presidency

Apesar de ter dito, na última semana, que suspenderia sua participação nas negociações do Mercosul com Canadá, Singapura e Líbano, a Argentina voltou atrás.

Nesta quinta-feira (30), após reunião virtual com os coordenadores do Mercosul, o governo de Alberto Fernández sinalizou positivamente para continuar participando das negociações comerciais do bloco.

A decisão anterior havia desagradado empresários da iniciativa privada do país, que veem no livre-comércio a possibilidade de adquirir insumos mais baratos e, com isso, revitalizar setores importantes da indústria argentina.

“O governo argentino dispôs como modalidade de trabalho para levar adiante as negociações uma consulta permanente com os setores produtivos a fim de incorporar seus pontos de vista”, declarou, em nota publicada pelo site da Exame, o Ministério das Relações Exteriores do país.

“A Argentina ratifica a necessidade de avançar na procura de soluções conjuntas que permitam aos países do bloco avançarem em ritmos diferenciados com a agenda de relacionamento externo, levando em consideração a situação econômica interna da Argentina e o contexto internacional de pandemia”, completou o comunicado.

Mecanismo de duas velocidades

Agora que voltou atrás em sua decisão, a Argentina precisa encontrar um meio de fazer com que Brasil, Paraguai e Uruguai aceitem sua entrada nas negociações em andamento.

A ideia do governo é incorporar um mecanismo batizado de “duas velocidades” às tratativas.

O mecanismo proposto daria à Argentina mais tempo para cuidar primeiro da sua crise econômica interna, agravada pela pandemia, e para renegociar a sua dívida pública externa com os credores privados.

A Argentina poderia entrar num acordo posteriormente ou ter prazos mais longos do que os demais membros do Mercosul para a entrada em vigência de um acordo.

Os negociadores de Brasil, Paraguai e Uruguai vão avaliar a proposta Argentina ao longo da semana e terão uma nova reunião no próximo dia 7.

Dois dias antes, porém, “vão trocar documentos para encontrarem o melhor mecanismo que atenda os interesses de cada país nas negociações externa, considerando que a melhor solução sempre será um acordo de todos os membros”, expressou o governo argentino em nota.

Coreia do Sul

A principal pendência, de acordo com a visão do governo argentino, é o acordo que vem sendo costurado com a Coreia do Sul.

Como o país asiático é o maior produtor do mundo de eletroeletrônicos, o temor do governo da Argentina é que, sem as barreiras tarifárias, o país seja invadido por produtos mais em conta, o que prejudicaria a economia nacional.

Dívida

A Argentina não pagou a parcela de US$ 502 milhões de sua dívida externa, que venceu no último dia 22 de abril.

Agora, o país tem até 22 de maio para quitar essa dívida, ou, então, entrará em moratória.

Saída da Argentina de negociações pode transformar Mercosul em bloco de livre comércio