Argentina pede mais prazo para pagar o FMI e impacta Brasil

Governo argentino anunciou na última quarta  que irá renegociar empréstimo da Argentina junto à FMI. Mas apesar de ser algo já esperado, tal decisão de renegociação pode refletir na economia dos países emergentes

Savio de Sousa Rocha
Eu Quero InvestirColaborador do
Argentina

Crédito: RONALDO SCHEMIDT / AFP

Em junho de 2018, a Argentina pegou o maior empréstimo já cedido pelo FMI de 51 bilhões de dólares. Mas hoje, 29/08, o país pediu renegociação de acordos junto ao fundo.

Situação da Argentina junto ao FMI

O país argentino vive uma enorme crise, com a inflação que já ultrapassa os 20% no acumulado do ano. Sendo um dos maiores parceiros comerciais do Brasil, a crise reflete em alguns setores brasileiros, como a indústria têxtil. Os vendedores têxteis, agora requerem duros requisitos nas vendas para parceiros argentinos como pagamentos adiantados ou financiamento das compras junto a corretoras. O setor têxtil encara queda de 80% nas vendas diretas para a Argentina.

A Argentina é o 3º maior parceiro comercial do Brasil. A decisão do governo argentino de renegociar acordo da Argentina com FMI saiu após o fechamento da bolsa brasileira. Que encerrou as movimentações do dia 28 de agosto com alta tímida de 0,94% a 98.193,53 pontos, seguindo recuperação de Wall Street.

Porém, no dia seguinte, o índice encerrou em alta de 2,37% e voltou a casa dos 100 mil pontos. A moeda norte-americana fechou em leve queda de 0,14% na Argentina a 57,88 pesos. No Brasil, o dólar se manteve em alta de 0,02%. O IBOVESPA tem alta principalmente devido ao aumento no preço do petróleo. Porque a alta do commoditie continuou impulsionando Petrobras (PETR4) e, também por expectativa no aumento do PIB brasileiro no trimestre que teve alta de 0,4%.

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As medidas de austeridade propostas pelo acordo da Argentina com FMI apenas reforçaram as políticas econômicas de Macri. Mas em um país sufocado, com recorde de miseráveis, são demasiadas. Assim, o Fundo terá que renegociar estes termos, seja quem for o vencedor da eleição. Mas ao que parece, não será com um aliado, mas sim com um inimigo do receituário austero característico do FMI.

O Brasil parece não olhar para a crise na Argentina. Portanto, mostra uma “maturidade” da economia brasileira de não ser influenciada facilmente com as crises vizinhas. Diferente do cenário da década de 80 e 90 e suas altas inflações. Porque hoje o país possui um considerável fundo de reserva, diferente da Argentina que possuía um fundo mais de 10 vezes menor.