Argentina: plano para dívida com credores privados tem corte de 62% dos juros

Fernando Augusto Lopes
Redator e editor
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Crédito: Esteban Collazo / Argentina Presidency

O governo do presidente da Argentina Alberto Fernández apresentou nesta quinta-feira (16) a proposta para tratar da dívida com os credores privados: dedução de 62% dos juros e um período de carência de três anos para começar a pagar.

O ministro da Economia, Martín Guzmán, na apresentação do plano na Quinta de Olivos, disse que “a Argentina não pagaria nada durante 2020, 2021 e 2022 e só começaria a pagar uma taxa de juros de 0,5% em 2023 e essas taxas aumentariam, mas a níveis sustentáveis”.

A projeção é que os juros médios que a Argentina pagaria com tal proposta é de 2,33% ao ano.

“Tentamos entender da melhor maneira possível as preferências dos credores com base nas informações que eles nos forneceram e a proposta leva a uma redução maior nos juros do que no capital. O grande ônus está concentrado na redução dos juros”, acrescentou Guzmán.

A Argentina tem uma dívida pública de mais de US$ 311 bilhões, algo em torno de 90% de seu Produto Interno Bruto (PIB).

Redução da dívida

Segundo o ministro, a proposta contempla ao fim “uma redução de capital de US$ 3,6 bilhões”, o que representa uma redução de 5,4% no estoque da dívida externa.

“E há uma redução no pagamento de juros de US$ 37,9 bilhões, o que equivale a uma renúncia de juros na casa dos 62%”, ele compelta.

O oferta tem prazo de 20 dias após o seu lançamento formal. Guzmán disse que “é um prazo suficiente para nossos credores tomem decisões e é um período em que haverá pessoas jogando muito duro, porque há muitos interesses em jogo”.

“As vozes de nossos credores, que obviamente buscam, como já sabemos, que a Argentina pague mais do que pode pagar, vão ressoar”, alertou o ministro, sabendo o quão difíceis devem ser as negociações nos dias que virão. “E será muito importante que nós, como sociedade, assumamos o compromisso de apoiar essa oferta, porque isso é algo praticamente fundamental para a recuperação e para estabelecer condições para o desenvolvimento saudável da República Argentina”.

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A estratégia apresentada é a que será usada com os detentores de títulos privados emitidos em 2005 e aqueles especificados a partir de 2016. Esse universo de credores possui uma dívida total de US$ 68,8 bilhões.

Falso dilema

A negociação se dá em meio à pandemia do novo coronavírus, o que, segundo analistas locais, reforçam um apelo humanitário para que o governo possa sair vitorioso.

A decisão de Fernández manter o país em quarentena total e irrestrita – é proibido sair às ruas por motivos que não sejam estritamente essenciais, com pena de multa ou prisão – e dar prioridade à saúde tem apoio de governadores e prefeitos, inclusive da oposição, que ressoam a medida em seus territórios.

“Prefiro ter 10% de pobres, mas não 100 mil mortes na Argentina”, disse na semana passada, ao ser questionado sobre economia ou vidas, como vem ocorrendo em países como o Brasil, a Turquia, os Estados Unidos e o Paquistão. Na Argentina, não há dúvida alguma nessa questão.

Para ele é “falso o dilema entre saúde e economia”.

O resultado é que a Argentina tem se saído bem no enfrentamento da pandemia. São 2.571 contaminados e 115 mortos até o dia 16 de abril.

Argentina que taxar grandes fortunas

A agência de notícias AFP informou na segunda-feira (13) que parlamentares governistas estavam elaborando projeto de lei que criaria imposto único para grandes fortunas, no intuito de financiar a campanha social e de saúde contra a pandemia.

O tributo se aplicaria “a cerca de 200 pessoas e 200 empresas que obtiveram maiores rendas”, disse um deputado. A expectativa é arrecadas US$ 2,5 bilhões só com essas 200 pessoas e 200 empresas.

Essa seria apenas uma saída, mas que tem apoio da população. Além do mais, seria equivalente a quase 5% da dívida argentina, que está em negociação.

“Continuaremos a trabalhar construtivamente com o FMI, como tem acontecido, para ter um novo programa que implica que a Argentina não precisa fazer nenhum desembolso de pagamentos sobre o capital devido”, disse Guzmán, buscando alternativas para sustentar o estado de bem-estar social durante a crise, e visando abater a brutal dívida.

Com informações do jornal Clarín.

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